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Instituto da Inteligência BRASIL
Entrevista com Susanne Morais, directora do Instituto da Inteligência Brasil e consultora da Academia de Superdotados.


ACADEMIA DE SOBREDOTADOS NA TELEVISÃO
Sábado, 10 de Abril, no Jornal da Noite (20h00) do canal de televisão SIC (Portugal), foi transmitida uma reportagem sobre adolescentes e adultos membros da nossa Academia de Sobredotados. Vários testemunhos de sobredotados bem sucedidos assim como opiniões de pais e professores foram apresentados graças a um completo trabalho de pesquisa da jornalista Ana Maltez. O Instituto da Inteligência, que dedica grande interesse por este sector, colaborou com a SIC no fornecimento de informações e sugestão de casos.
AUGUSTO CURY membro da Academia de Sobredotados (Portugal)
Augusto Cury é um dos homens mais inteligentes do Brasil. Não tenho a menor dúvida que ele será uma das personalidades deste século, tal o impacto da sua obra junto de milhões de leitores em muitos países do mundo.
Conheci Augusto Cury e sua esposa, Suleima, numa das suas primeiras visitas a Portugal, estava ainda o Instituto da Inteligência nos seus primórdios. Recordo que o encontro deu-se num hotel do Porto, na zona da Ribeira, num dia de Inverno bafejado pelo Sol.
Isto aconteceu pouco tempo depois dele ter lançado o livro Inteligência Multifocal (1998), obra que me seduziu pela forma como aborda e explica uma série de fenómenos ligados aos bastidores da mente humana e intrinsecamente envolvidos na construção dos pensamentos (memória, emoções, etc.). (Confesso que continua a ser, para mim, uma das mais lúcidas e inspiradoras explicações sobre o funcionamento da mente e o seu papel nos comportamentos).
Aplaudido por muitos, criticado por outros (especialmente pela sua obra Inteligência Multifocal que desbrava caminhos novos para o entendimento da mente humana), Augusto Cury é um verdadeiro coach munido de uma linguagem fluente e cativante. Ele não escreve para os académicos mas para o povo, para as pessoas comuns que anseiam desenvolver o seu auto-conhecimento ou melhorar suas vidas. É, por isso que, ele é mais do que um cientista, grande humanista e um admirável pedagogo. Estas particularidades constituem uma das suas grandes virtudes e que, como tal, concorrem para o seu sucesso entre o grande público.
Nelson S Lima
Fundador do Instituto da Inteligência
Membro da Academia de Sobredotados na Universidade de Utrecht (Holanda)
O nosso membro (desde há cerca de 10 anos) João Ferreira, sempre um apaixonado pela Astrofísica, frequenta agora a Universidade de Utrecht, na Holanda, depois de ter concluído a licenciatura em Física, com média de 18 valores, na Universidade de Lisboa.
A sua inscrição, no mestrado em Astrofísica na Holanda, foi imediatamente aceite graças não apenas às suas elevadas qualificações e competências obtidas em diversos cursos - como "Stellar Evolution" (dirigido pelo professor Onno Pols) e "Galaxies" (pelo professor Soren Larsen) - como também a elogiosas cartas de recomendação dos seus anteriores professores.
Em carta dirigida ao doutor Nelson S. Lima, presidente do Instituto da Inteligência e director da Academia de Sobredotados, a mãe do João confessa:

"O ensinamento que ainda hoje guardo do senhor é que só sendo feliz uma pessoa poderia tirar partido das suas capacidades. Foi sempre a minha primeira preocupação e consegui. Agora e com a sua autonomia consegue ser feliz e com uma independência que consegue ultrapassar a aparente tímidez.
Continua a ser muito humilde o que faz com que tenha bastantes amigos e ser aceite por todos embora conviva diáriamente com alunos todos eles seleccionados.
Aproveito para lhe agradecer o facto de sempre ter confiado no talento do João e lhe ter dado a força que ele precisou.
Não deixarei de lhe dar notícias sempre que elas vão acontecendo.
Obrigada por tudo.
Os meus cumprimentos e do João também, uma vez que ele sabe que eu estou a informar o Dr por mais este sucesso.
Saudações

Ilda Ferreira
Além do João Ferreira, outros membros frequentam com sucesso e altas qualificações diferentes cursos em universidades portuguesas e estrangeiras.

SOBREDOTAÇÃO!


Texto de Tomás Goucha (*)

Estudante universitário. Membro da Academia de Sobredotados desde 1999.


Em Portugal as notícias sempre surgiram como se fossem doenças. Há sempre um ruído de fundo, endémico, que não é suficiente para despertar a consciência duma pobre mosca. Mas, de vez em quando e da forma mais imprevisível possível, aparece um foco epidémico e é raro o meio de comunicação que não aborde o assunto até à exaustão (às vezes atingem-se verdadeiros níveis pandémicos, de fazer inveja a qualquer H5N1 de meia tigela). Depois de morto e enterrado, o assunto volta ao tal nível endémico e poucas são as vezes em que há efeitos secundários a registar.

Há uns anos, a ribalta das páginas de imprensa e dos ecrãs (dói-me escrever isto sem n) televisivos voltou-se para um assunto que ainda agora faz estremecer alguns: a Sobredotação. Mas será que depois de tanta tinta derramada, houve alguma coisa que tenha mudado? E, afinal, o que é mesmo um sobredotado? Vejamos então o que nos responde o Senhor Dicionário da Academia de Ciências de Lisboa. De acordo com essa bíblia, sobredotado é um substantivo masculino (que sexismo!), sendo aplicável àquele que revela capacidades intelectuais ou físicas acima daquilo que é considerado normal.

Não se pode dizer que os senhores linguistas se tenham afastado muito do que anos e anos de sangue, suor e lágrimas de hordas de psicólogos, psiquiatras e afins alcançaram. No entanto, uma magnífica definição condensada deixa, à partida, duas valentes brechas. Primeiro, o que é normal? Nesse ponto é inútil pegar, como convirão. Passemos, portanto, ao seguinte. O que é inteligência?


O Evangelho segundo a psicologia

Os primeiros conceitos de inteligência cingiam-se àquilo a que actualmente designamos por inteligência lógico-matemática, a capacidade de produzir raciocínios abstractos e dedutivos. Segundo os darwinistas mais ferozes, a inteligência era o expoente máximo da evolução. Deste modo, qualquer psicólogo behaviorista terá ficado felicíssimo ao compreender que poderia avaliá-la numericamente de um modo muito simples: construía-se uma bateria de testes das capacidades cognitivas, atribuindo-se uma idade mental ao examinando. O quociente entre esta e a idade cronológica multiplicado por 100 seria então o célebre Q.I.

Howard Gardner (1983), inconformado com uma perspectiva tão redutora, optou antes pela teoria das inteligências múltiplas (vistas hoje em dia como talentos, dado que não faz sentido referirmo-nos a diversas inteligências num indivíduo, como se tratassem de compartimentos estanques. Há, aliás, quem a associe à ultrapassada frenologia de Gall). Havia 7 inteligências centrais e independentes, sendo então ilógico o conceito global de inteligência. A inteligência linguística é a sensibilidade para a língua falada e escrita, materna ou estrangeira, para fins comunicativos; a inteligência lógico-matemática é já nossa conhecida, com uma vertente de raciocínio matemático e simbólico; a inteligência espacial prende-se com a percepção e compreensão dos espaços (todas estas três se enquadram minimamente nos conceitos mais "primitivos" de inteligência). Seguem-se as inteligências de cariz emocional (avaliadas pelo tão afamado Q.E. - quociente emocional - que pretendeu suplantar o obsoleto Q.I., falhando na essência de continuar a resumir uma pessoa a um número!): a inteligência intrapessoal, que reside na capacidade de lidar com as suas próprias emoções e sentimentos, e a inteligência interpessoal, associada às aptidões sociais, de colaboração e interacção. Finalmente temos a inteligência musical e a inteligência corporal-cinestésica, responsável pela coordenação dos movimentos, nomeadamente na prática desportiva.

Insatisfeitos com tão poucas inteligências (só 7... sinceramente...), vieram mais 4 a reboque. Encontramos assim: a inteligência naturalista, que conjuga a vertente racional e o senso comum com a envolvência ecológica; a inteligência espiritual; a inteligência moral e a inteligência existencial, a capacidade de um indivíduo se situar no mundo e questionar a sua essência, indissociável, da filosofia clássica.


O Evangelho segundo a Fisiologia

Há que mencionar que muitos credulamente acharam que o tamanho era importante. E, mais uma vez, se iludiram... Um cérebro grande não traz grandes vantagens sobre um seu congénere mais compacto, estando a magia toda na funcionalidade. Quaisquer estudos de correlação entre a massa ou proporção corporal do encéfalo e a inteligência foram tão conclusivos como os relatórios sobre as armas de destruição massiva no Iraque. Surgiram, portanto, alternativas… As células nervosas estabelecem sinapses (contactos de natureza eléctrica ou química, para um leigo) que fazem fluir a informação através de impulsos, sendo a abundância desses contactos sinápticos um sinal de inteligência, bem como uma arquitectura neuronal mais intrincada. Ora, há quem pense que por trás dum grande homem, está sempre uma grande mulher. Os neurónios habitam num meio povoado por outras células, da glia neural, fundamentais para a nutrição e suporte das estruturas nervosas, podendo ser a chave para a origem da inteligência.

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A sobredotação vista pela Psicologia

Mas então o que é um sobredotado? Um behaviorista teria todo o prazer em replicar "um indivíduo cujo Q.I. seja superior a 130", o que seria extremamente prático e acabaria duma assentada com este artigo. Olhando para a teoria das inteligências múltiplas, esta abordagem afigura-se impraticável. A tentação de manter quantificações mantém-se, embora de forma mais razoável: numa escala de 1 a 6, temos as pessoas de inteligência considerada média, que seria previsível para o seu contexto sócio-cultural e etário, no nível 3. No nível 4 encontramos os "muito inteligentes", constituindo os 5% intelectualmente superiores. No nível 5 situam-se os sobredotados, cuja definição global mais aceite é aquele que tem alguma destas capacidades muito desenvolvidas: habilidade intelectual geral, talento académico, habilidades de pensamento criativo e produtivo, liderança, artes visuais e cénicas, bem como psicomotoras, em suma, que se destaque num (ou mais) dos talentos de Gardner. Finalmente, no nível 6, encontram-se indivíduos profundamente sobredotados ou génios. Este nível é altamente controverso uma vez que a genialidade de um indivíduo será dificilmente avaliada através dum teste, mas sim por provas dadas. Citando Immanuel Kant, "esse nome […] não [se dá] àquele que conhece e sabe muito; e não se dá ao artista que imita apenas, mas àquele que é capaz de produzir a sua obra com originalidade". Assim, a memória assume um papel secundário no panorama das aptidões intelectuais. Caso contrário, um processador com uma base de dados extensa acerca de todas as áreas do conhecimento seria imensamente inteligente.

Sai de cena o conhecimento enciclopédico para o mofo das bibliotecas. E entra o protagonista, em estilo, ainda a cheirar aos choques eléctricos das sinapses: os estilos de pensamento. Parte do brilhantismo de um sobredotado prende-se com o facto de ele conseguir pegar num problema e vê-lo duma perspectiva completamente diferente. Como fazer 4 triângulos equiláteros com 6 fósforos iguais? (Não vale partir fósforos, claro!) O pensamento convergente fará com que se passem horas sobre uma superfície plana a tentar conjugar os fósforos, sobrepondo-os, virando-os, tentando chegar a uma solução que o pensamento divergente terá escondida na cartola. (Warning! Do not proceed if you want to keep trying!) Basta pensar em 3 dimensões e surge um tetraedro como solução natural. Por trás das grandes descobertas científicas, das grandes obras-primas, dos grandes revolucionários, teremos um intelecto capaz de pensar fora dos horizontes onde geralmente está confinado. Grandes respostas criativas (até milagrosas) ficaram gravadas na história. "São rosas, Senhor, são rosas!" Mas nem tudo são rosas...

Facilmente a sobredotação pode converter-se num fardo e um sobredotado será sem dúvida um indivíduo que necessita de apoio. Para esse fim, criaram-se instituições como o Instituto da Inteligência, sediado na cidade do Porto e dirigido pelo neuropsicólogo Nelson Silva Lima, doutorado em Investigação Psicológica. O I.I. "é uma instituição privada, com uma orgânica intencionalmente simples e desburocratizada, orientada para o estudo e a promoção das performances mentais de pessoas e grupos". Entre as suas actividades principais, encontram-se "exames de neuropsicologia, orientação académica e vocacional, formação de professores e outros especialistas", investindo também em áreas tão avant-garde como o neuromarketing. Em particular, uma sub-estrutura do I.I., a Academia de Sobredotados, lida directamente com crianças e jovens sobredotados "com provas dadas de altas capacidades e/ou talentos específicos seja através de testes validados cientificamente, seja através da avaliação da carreira profissional, académica ou desportiva." Na experiência pessoal do Dr. Nelson Lima encontramos inúmeros casos de sobredotados ou "portadores de altas capacidades" (designação muito em voga chez nos amis, les français), sendo impossível estereotipá-los.


A minha entrevista a Nelson S Lima.

Após tantos anos a lidar com portadores de altas capacidades, que pontos salientaria?

Saliento em particular o facto de muitas crianças sobredotadas "ficarem pelo caminho", desinteressando-se daquilo que antes constituía o seu factor de diferenciação perante os outros. Foram centenas as que conheci com inteligências brilhantes e que lentamente "se apagaram" tornando-se indivíduos vulgares. Por que isso aconteceu? O sistema (a família, a sociedade, a cultura, etc.) rejeitou-os ou ignorou-os, em especial o sistema educativo que, não sendo capaz de criar condições para os mais capazes, vai a pouco e pouco desmotivando-os das suas próprias potencialidades.
A nível de encaminhamento de um sobredotado ao longo da sua vida, o que julga ser primordial? Em que medida se torna útil o diagnóstico?

Considero-o determinante para o sucesso de qualquer pessoa e dos sobredotados, em particular, o desenvolvimento de uma personalidade sadia e equilibrada, em que todos os potenciais possam ser aproveitados. Valores como a honestidade (incluindo a honestidade intelectual) e outros, a adopção de modelos de vida conciliáveis com a inteligência criativa, a defesa de uma autonomia pessoal responsável, o espírito empreendedor, a paixão pelo conhecimento, a defesa de ideais solidários com a Humanidade e o carisma pessoal são, entre outros, factores que determinarão um futuro mais aberto e vivido mais intensamente do que a aposta isolada no potencial da inteligência disponível. Costumo dizer que ser muito inteligente não basta para se ter sucesso na vida; é necessário um comportamento inteligente. Os testes, na verdade ajudam a medir o nível de desempenho em várias áreas como a memória, a capacidade de atenção, certas dimensões da inteligência dita teórica, a capacidade criativa e também o estilo de personalidade. São úteis embora contenham limitações. Por isso, quando se estuda um indivíduo (um sobredotado, por exemplo) é necessário também averiguar muitos outros aspectos da sua vida para compreendermos melhor as várias dimensões da sua individualidade.

Como já foi referido, um mau encaminhamento poderá frequentemente conduzir a um isolamento e exclusão social destes indivíduos. Como pensa que esta vertente seria evitável?

Um mau encaminhamento tanto a nível familiar e social como académico pode resultar em prejuízos para o indivíduo dotado de altas capacidades pois nem sempre o que se oferece não é suficiente para despertar nele todo a riqueza intelectual disponível muitas vezes em estado letárgico. Saliento que há, por vezes, indivíduos aparentando uma pseudodebilidade mental quando, na verdade, são exactamente o oposto: pessoas excepcionalmente desenvolvidas mas que, por diferentes razões, inibiram as suas potencialidades. Recordo um caso dramático de uma jovem que aos 18 anos de idade ainda só tinha dois anos concluídos do primeiro ciclo e que não falava há dez anos; vivia fechada em casa por sua livre iniciativa porque tinha um medo tenebroso de comunicar com as pessoas. Ora bem, até aos 6 anos de idade tinha sido uma menina alegre, extrovertida e sociável. Aconteceu que na escola foi vítima de maus-tratos psicológicos por parte de uma "professora" que fez abortar nela tudo aquilo que o ensino deveria ter proporcionado. Também os sobredotados criativos são dos que mais sofrem inibições e "proibições" na escola por não serem alunos dóceis e passivos.
O que acha que faz com que se conheçam tão poucos sobredotados em Portugal? O que pensa que deve mudar no nosso país para acolher estes rapazes e raparigas portadores de altas capacidades?

Estima-se que existam entre 35 mil e 50 mil crianças e jovens sobredotados em Portugal. Poucos são detectados porque não existe por parte do sistema escolar um processo que os identifique e os proteja ao contrário do que se passa com os alunos com incapacidades. Há falta de legislação e também de sensibilização por parte dos agentes de ensino.

Para concluir, tratando-se dum assunto tão controverso como a sobredotação, que vertente salientaria: igualdade ou diferença?

Obviamente, diferença!

A sobredotação, quando diagnosticada, incorre no risco de se transformar num rótulo. A individualidade de cada um é demasiado forte para que possamos subjugar uma pessoa a uma imagem pré-concebida e, na generalidade desajustada. Com o seu aguçadíssimo sentido crítico, a maior parte dos jovens nesta condição têm dificuldades em enfrentar aquilo que, à partida, seria como uma "dádiva divina". Ser sobredotado é mais do que ser um Pentium IV numa loja cheia de 486.

Um sobredotado rapidamente se aperceberá que há um claro desfasamento entre si e o seu grupo de pares. Verá que, por muito que queira, determinadas conversas não podem ser mantidas com aqueles que supostamente lhe deveriam ser mais próximos. A opção tomada mais frequentemente é o isolamento. Vivem num mundo seu, tão rico e com uma trama tão complexa que poderiam permanecer por lá indefinidamente. Muitos procuram integrar-se socialmente e alguns logram-no. Outros acabam por virar costas a uma sociedade injusta e hostil. A revista i decidiu dar a conhecer as duas faces da mesma moeda.

João Ferreira, segundo a sua mãe, "aos 3 anos sabia o Sistema Solar, aos 8 falava de Buracos Negros no jornalinho [pequenas publicações em que manifestava a sua precocidade e sentido criativo], hoje quer ser Astrofísico". Para esta "mãe fascinada", nas palavras do Dr. Nelson Lima, a ajuda do Instituto foi determinante e o equilíbrio emocional do João acabou por se sobrepor a quaisquer preocupações com a componente cognitiva. A comunicação constante com ele é indispensável e não deve deixar de ser "muito exigente na educação e respeito pelos outros", uma vez que a humildade é essencial para a sua aceitação.

À partida, como defines sobredotação e como te vês no lugar de sobredotado?

Do meu ponto de vista a sobredotação é um maior rendimento do esforço para aprender numa ou mais actividades, como a adaptação a novas situações ou como um grau de consciência superior dos problemas e do mundo ou de si próprio e dos outros.

Até ser identificado pelo Dr. Nelson Lima, não tinha consciência de que era sobredotado. Actualmente, é algo que eu constato ter uma pequena repercussão a nível prático, a nível da consciência do que faço ou do que penso.

Fala um pouco do teu percurso de vida e, em particular, do percurso escolar, nomeadamente na relação com os outros.

No infantário era um líder, dava-me bem com toda a gente; na escola primária integrava-me nos grupos; no 3º ciclo tomei consciência de necessidade de ter amigos e no secundário perdi-os progressivamente até agora, permanecendo alguns estáveis até agora.

Só no 7º ano tive problemas porque os amigos que vinham desde a primária se afastaram ao saberem que eu era sobredotado através da televisão. Por isso, no 8º ano, mudei para outra escola, onde comecei a dar-me com muitos outros tipos diferentes de pessoas e estilos de vida, pelo que admiti a extensão do leque de pessoas com quem andava, o que foi muito benéfico. Quanto aos conhecimentos extra-escola, dou-me especialmente bem com os membros do clube de astronomia (todos eles adultos e com muita cultura geral, não só na área da astronomia), o que tem sido especialmente libertador.

Olhando para trás, o que é que gostarias de ver mudado no teu caminho, tanto por ti como pelos que te rodearam?

Primeiramente, gostava de ter nascido noutro país, de ter tido um ensino escolar que me motivasse para além do programa, especialmente a oportunidade de avançar ao ritmo desejado.

Concluindo, acho que a escola não só devia transmitir conhecimentos, como também ensinar a pensar, mas não só de uma maneira a seguir por todos. No trato com os sobredotados, há que impor desafios, mas tratá-los normalmente. É claro que tal depende da personalidade...

Por outro lado, A. Jorge Oliveira seguiu por uma via menos ortodoxa. Num país em que um canudo é visto como imprescindível para que nos consideremos alguém, o Jorge decidiu enveredar pela escrita, deixando de lado a Faculdade de Letras e a sua magnífica propina. O seu percurso é testemunha de como a sobredotação estará longe de ser uma atenuante para os problemas da vida de qualquer jovem. Por vezes as margens entre a sobredotação e a loucura esbatem-se… e, como prova disso, temos o estereótipo do génio maluco.

À partida, como defines sobredotação e como te vês no lugar de sobredotado?
Segundo o meu ponto de vista, defino a sobredotação como algo perfeitamente natural, que as pessoas teimam em ver como anómalo. É quase uma regra geral, a maioria das pessoas quando se depara com algo que não compreende, ou estereotipa ou define como “bizarro”. Acho a sobredotação uma característica com várias ramificações, como tal posso interpretar apenas aquilo que considero a minha experiência da mesma. Interpreto sobredotação como a capacidade de absorver informação de forma mais rápida que o comum, e usar esse mesmo conhecimento de forma diferente dos outros. Muitas vezes os interesses desenvolvidos não fazem parte dos programas lectivos, o que por vezes e entre tantas outras razões, leva a um gradual desinteresse pelas actividades escolares. Semelhante fundamento, aliado à falta de aceitação por parte de colegas e imbecilidade de alguns professores, torna insuportável para o indivíduo prolongar de forma bem sucedida a sua presença nos estabelecimentos de ensino.

Fala um pouco do teu percurso de vida e, em particular, do percurso escolar, nomeadamente na relação com os outros.

O meu percurso de vida foi e permanece atribulado. Na escola sempre tive graves problemas com professores que me recriminavam por não estudar, por me mostrar desinteressado ou por não permanecer em silêncio quando, do alto da sua verborreia, vociferavam afirmações com as quais eu não concordava. Ao descrever esta situação recordo pelo menos quatro dos supostos tutores, que na altura fizeram questão de “tomar de ponta” uma criança de quinze anos. Essa criança era eu. Por duas vezes fui suspenso por faltas disciplinares. Essas faltas deviam-se ao facto de protestar por não me ser permitido participar oralmente da aula. Punham-me a um canto da sala, separado de todos os outros colegas, enquanto estes se riam do miúdo que vivia num bairro social e “tinha a mania que sabia”. Na escola preparatória recordo o caso de uma professora de Português que me marginalizava por vir de uma família desfavorecida. Não é tão pouco usual como parece. Certo dia não aguentei mais e saí da sala sem pedir autorização, apanhando o primeiro autocarro para casa. A forma que a professora usou de se livrar de mim foi apresentando uma queixa em tribunal contra mim, alegando que lhe havia riscado o carro. Foi o princípio do fim. É horrível para um jovem e quinze anos ser acusado de algo que nunca fez. Na altura todos os docentes da minha turma haviam já tomado conhecimento da minha condição. Mesmo assim, qualquer forma de compreensão me foi negada. A vida foi o mais duro professor que tive, a perda da ingenuidade ao longo dos anos marcou-me, endureceu-me, talvez até me tenha tornado menos tolerante, mas facultou-me o arcaboiço necessário para lidar com estas situações.

Olhando para trás, o que é que gostarias de ver mudado no teu caminho, tanto por ti como pelos que te rodearam?

Olhando para trás? Bom, ao pensar mudar o que ficou para trás estaria a interferir com a formação da minha personalidade, provavelmente tornar-me-ia numa pessoa completamente distinta da que sou hoje. Isso não me agrada. Tem sido um duro caminho onde, a partir de certa altura, pude apenas contar comigo mesmo. Mas existem objectivos interessantes a seguir no futuro. Um deles seria, por exemplo, um maior apoio do estado a associações que primam pelo apoio a crianças e jovens diferentes. Falo em maiores condições monetárias a essas instituições, de maneira a que as mensalidades diminuíssem ou até mesmo fossem extintas. Tudo tem um preço, mas nem todos os sobredotados são filhos do presidente da câmara ou herdeiros de uma vinicultura. Perguntares-me se considero útil ser sobredotado é o mesmo que perguntares se preciso de um automóvel, não é imprescindível mas é uma grande ajuda. Nasci com a estrutura básica para me movimentar, as pernas. Porém com o automóvel chego um pouco antes dos pedestres ao destino que escolher, na estrada que escolher. Também requer manutenção regular, combustível para circular e acima de tudo muita responsabilidade. Troca a manutenção por acompanhamento, o combustível por motivação, mantém a responsabilidade e aí tens aquilo que do meu ponto de vista é imperativo para o sucesso pessoal e escolar de um sobredotado. Nem igualdade nem diferença devem predominar. O principal valor a seguir deve ser o do respeito e a aniquilação de toda e qualquer ideia preconcebida.

Foram entrevistados 4 professores do Ensino Secundário a respeito deste assunto: Profa. Augusta Damásio, Profa. Emília Santos, Profa. Henriqueta Carolo e Profa. Isilda Jorge. Quanto à preparação da classe docente para lidar com sobredotados, a resposta foi um unânime “Não”, sendo necessária uma maior orientação do sistema de ensino para estes alunos mais exigentes. Quanto ao facto do ensino destes dever ser feito num contexto diferente do ensino oficial corrente, as opiniões divergiram.

O conceito de sobredotado mantém-se vago e difuso, muitas vezes tendo como base mitos criados pela indústria cinematográfica ou pela ignorância popular.

No geral, aqueles que contactaram directamente com um e souberam ultrapassar as eventuais barreiras que se imponham tanto dum lado como doutro salientam um enriquecimento mútuo, quer se trate de pais, colegas, ou professores.

Susana Fátima, que trabalha no Instituto da Inteligência e acompanhou inúmeras crianças e jovens sobredotados, destaca da sua experiência: “Existem laços que duram há muitos anos e já fazem parte da minha vida. Houve casos em que "passei" por ignorante em matérias muito específicas. A lembrança de todos estes anos fazem-me sorrir, pois são tantas as histórias e lembranças que trago comigo que davam um livro.”

Paulo M. Jorge, também pai de um sobredotado, salienta que, a nível da educação em Portugal, “há que criar uma nova mentalidade aberta ao desafio, à inovação e com capacidade de resposta para estes jovens, integrando-os e dando-lhes tarefas diferenciadas em função das suas competências e apetências”. Em jeito de conclusão lança a questão angustiada: “Quantos jovens não foram atirados para a indiferença por não ter havido capacidade da parte do ensino oficial e seus actores em os estimular e saber captar? Só porque tiveram a pouca felicidade de não terem ninguém em casa capaz de os entender em tempo útil? Afinal, o sol quando nasce não me parece que seja para todos.”

(*) Um trabalho de Tomás Goucha, estudante de Medicina na Universidade do Porto publicado na revista da Faculdade. Tomás Goucha é um jovem a quem o Instituto da Inteligência detectou um elevado nível de sobredotação em 1999 e com quem convivemos durante anos. Entre as suas realizações destaca-se a participação, com excelentes resultados, nas olimpíadas mundiais de Matemática.

Academia de Sobredotados na revista HAPPY WOMAN

Já saiu a edição de Fevereiro 2010 da revista HAPPY WOMAN (na foto a capa de Janeiro).
Nas páginas 184 a 186 fala-se sobre crianças sobredotadas e seus problemas de integração escolar. São relatados alguns casos, com o testemenunho directo de vários pais.
O Instituto da Inteligência, uma vez mais, foi chamado a colaborar. Para quem quiser, há lá uma lista de dicas dos nossos serviços de psicologia.
As crianças sobredotadas na Europa

Entre os vários termos e definições utilizados na Europa para denominar jovens sobredotados, distinguem-se claramente duas categorias principais. Na grande maioria dos países, os termos mais comuns nas definições nacionais são “sobredotados” e “talentosos” (ou os seus equivalentes nas outras línguas), utilizados separada ou conjuntamente.

Conjuntamente, estes dois termos são empregues em 13 países e regiões. De referir, porém, que no Reino Unido (Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte) é feita uma distinção entre eles: o termo “gifted” (sobredotado) é empregue num contexto “intelectual” ou “académico”, enquanto o termo “talented” (talentoso) é mais do foro das artes e do desporto.

Certos países não utilizam estes termos, preferindo expressões como “jovem de grande capacidade potencial” (Comunidade Francófona da Bélgica), “jovens de grande capacidade” (Comunidade Flamenga da Bélgica), “crianças intelectualmente precoces” (França) ou “alunos com grandes capacidades intelectuais” (Espanha). Na Roménia, os termos utilizados nos documentos oficiais são “alunos capazes de grandes desempenhos” e “alunos com capacidades excepcionais”.

Definição da População-Alvo

Na Comunidade Francófona da Bélgica e em Espanha, foi recentemente abandonado o termo “sobredotado”. A opção por novos termos destina-se a concentrar as atenções na “educabilidade” dos alunos e na importância do meio ambiente relativamente à forma como os vários tipos de capacidade se desenvolvem.

Em três países nórdicos (Finlândia, Suécia e Noruega), não se utiliza nenhum termo específico para designar este grupo de jovens. A ausência de terminologia específica reflecte um compromisso político declarado de evitar qualquer tipo de classificação desse grupo, nomeadamente em termos de capacidade. O acento tónico é posto no potencial de desenvolvimento de todos os jovens, sem os agrupar numa categoria deste género.

A Educação de Sobredotados

Países Baixos: Utiliza-se o termo “excepcionalmente sobredotado”, mas não está registado oficialmente. Os jovens em causa são igualmente designados por “jovens com talentos especiais”.
Portugal: O termo comum é “sobredotados”, mas os documentos oficiais aludem a “alunos com capacidades excepcionais de aprendizagem.
Roménia: Os termos utilizados são “alunos capazes de elevados níveis de desempenho” e “alunos com capacidades excepcionais”.
Eslováquia: Os psicólogos distinguem entre “crianças sobredotadas” (crianças com grandes capacidades intelectuais) e “crianças talentosas” (crianças com grandes capacidades artísticas ou desportivas).
Finlândia: Utiliza-se o termo “sobredotado”, mas não está registado oficialmente. A política de educação nacional procura evitar a segregação entre grupos diferentes e promover a igualdade.
Reino Unido (ENG/WLS/NIR): São também utilizados os termos “capaz”, “muito capaz”, “mais capaz”, “excepcionalmente capaz” e “de elevada capacidade”.
Islândia: O termo é “crianças com capacidade potencial especial em determinadas áreas”.
Bulgária: O termo preferido é “criança claramente talentosa ou sobredotada”

Critérios de classificação

Nem sempre existem critérios de classificação estabelecidos. Ao todo, apenas 17 dos 30 países e regiões abrangidos têm critérios de classificação definidos. Porém, é de salientar que a maioria dos países ou regiões que utiliza os termos “sobredotados” e “talentosos” para qualificar crianças ou jovens de potencial excepcional adoptou um conjunto de critérios correspondentes.

Bélgica (BE fr): A grande capacidade potencial reflecte-se na coexistência e coordenação de todo um conjunto de factores. Os testes de aptidão e os testes de avaliação dos conhecimentos ou do desempenho, quando utilizados na prática, são apenas uma das etapas de um processo de avaliação mais abrangente de um aluno.
Alemanha: A inteligência cognitiva é encarada como o aspecto mais importante do desenvolvimento.
França: A capacidade especial de crianças não pertencentes à categoria “intelectualmente precoces” pode ser reconhecida e considerada nos domínios artístico (música e dança) e desportivo. Existem critérios e testes para identificar este tipo de capacidade.
Letónia: Os testes de aptidão ou de capacidade potencial são organizados apenas por iniciativa das próprias escolas.
Hungria: Embora sejam principalmente reconhecidas e consideradas as formas de inteligência cognitiva e artística, o debate profissional, o reconhecimento e o desenvolvimento tendem cada vez mais a incluir também formas de inteligência sociais e afectivas.

Países Baixos: Se a escola tiver uma ideia clara das necessidades e do potencial de determinados alunos, não é necessário identificar crianças com talentos especiais. De um modo geral, só se recorre a testes de diagnóstico exaustivos em caso de desacordo entre os pais e a escola em relação à capacidade de uma criança.
Eslovénia: O termo “talentosos” é aplicado mais especificamente a jovens com um aspecto particular do desenvolvimento pessoal bastante acentuado.

Avaliação

O critério mais frequente é o do desempenho em testes de aptidão ou de capacidade potencial, utilizado em 15 países ou regiões para classificar crianças ou jovens sobredotados.

A avaliação do desempenho ou dos conhecimentos (na escola ou em termos físicos ou artísticos) é utilizada em 12 países. No entanto, em quase todos os países, excepto na Letónia, Polónia e Reino Unido (Escócia), este critério é complementado por um teste de aptidão ou pela avaliação da capacidade nos vários aspectos do desenvolvimento considerados.

Cinco países que realizam testes de aptidão ou de capacidade potencial, nomeadamente a Bélgica(Comunidade Germanófona), República Checa, Alemanha, Espanha e Listenstaine, não aplicam critérios de avaliação de conhecimentos/desempenho. Por outras palavras, em muitos dos países com critérios adoptados, os jovens deverão demonstrar logo à partida níveis de desempenho excepcionais para serem incluídos na população-alvo e considerados elegíveis, nos casos aplicáveis, para a frequência de educação especial.

Em 11 países ou regiões, nomeadamente, as Comunidades Francófona e Flamenga da Bélgica, a Dinamarca, Estónia, Grécia, Itália, Chipre, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Eslováquia e Islândia, existe um termo, mas não há critérios de classificação definidos.

A maior parte dos países parece ter adoptado uma visão mais lata do conceito de inteligência, uma vez que, em 14 deles, esse conceito se aplica em simultâneo aos aspectos intelectuais, interpessoais/emocionais, físicos e artísticos do desenvolvimento. Sete países (Dinamarca, Grécia, Letónia, Polónia, Reino Unido, Islândia e Bulgária) consideram todos os aspectos, excepto os interpessoais/emocionais. Na Hungria e em Portugal, são tidos em conta os aspectos intelectuais e artísticos do desenvolvimento. Na Comunidade Flamenga da Bélgica, França e Irlanda, o conceito é encarado de uma forma mais restritiva, cingindo-se à inteligência em geral e à capacidade cognitiva. Na Alemanha, este aspecto do desenvolvimento é também o mais considerado nas referências às crianças sobredotadas. Dois países (Estónia e Luxemburgo) não mencionam especificamente as áreas de desenvolvimento.

Nos termos da legislação vigente em 10 países ou regiões, os jovens sobredotados ou talentosos são especificamente incluídos na população de jovens com necessidades educativas especiais. Noutros países, ou em algumas das suas regiões, nomeadamente na Comunidade Germanófona da Bélgica, Dinamarca, Malta, Países Baixos (no ensino primário) e Bulgária, pratica-se uma inclusão de facto. No Listenstaine, existe legislação consagrada especificamente às necessidades de alunos de acentuada capacidade potencial, embora sem os incluir na população de alunos com necessidades educativas especiais.

Em 19 países, os jovens sobredotados não estão incluídos na população de jovens com necessidades educativas especiais, embora exista um termo para estes últimos. Esta situação ocorre maioritariamente nos países nórdicos e nos novos Estados-Membros da UE.
Fonte:
Estudo EURYDICE - A Rede de Informação sobre Educação na Europa, editado pelo Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação, Ministério da Educação (Portugal).
MUITO INTELIGENTES,
SOBREDOTADOS E GÉNIOS:
AS DIFERENÇAS!


Para o Instituto da Inteligência há 3 níveis de indivíduos com elevadas capacidades e talentos. Enquanto no nível 3 ficam as pessoas ditas "médias", as de nível 4 são "muito inteligentes"; as de nível 5 são "sobredotadas" e as de nível 6 "altamente sobredotadas" (ou "génios" como Einstein depois de comprovada capacidade e após muitos anos de vida e experiência).

Para a Mensa - uma organização internacional que congrega pessoas altamente capazes - pode-se definir assim as diferentes categorias:

Definição de Muito Inteligente

É geralmente aceite que "muito inteligente" (em inglês: very bright) é a pessoa que em um teste de QI reconhecido obtem um resultado superior a 95% da população em geral, ou seja, dentro dos 5% superiores. A Mensa optou por seleccionar quem está nos 2% superiores. Esse número não é totalmente arbitrário, estudos estatísticos mostram que há uma diferença mensurável de comportamento entre os 2% superiores e os 2% seguintes. Outras organizações do gênero optam por outras classificações, caso do Instituto da Inteligência como atrás se descreveu.

Definição de Sobredotado

Segundo as diretrizes básicas para a acção do Centro Nacional de Educação Especial do Brasil, são consideradas sobredotadas e talentosas as que apresentam notável desempenho e/ou elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados:

- capacidade intelectual superior
- aptidão acadêmica específica
- pensamento criador ou produtivo
- capacidade de liderança
- talento especial para artes visuais, artes dramáticas e música
- capacidade psicomotora.

Tuttle e Becker descreveram cada uma dessas áreas de superdotação:

Habilidade intelectual geral: esta categoria inclui indivíduos que demonstrem características tais como curiosidade intelectual, poder excepcional de observação, habilidades para abstrair, atitude de questionamento e habilidades de pensamento associativo.

Talento académico: esta área inclui os alunos que apresentam um desempenho excepcional na escola, que se saem muito bem em testes de conhecimento e que demonstram alta habilidade para as tarefas acadêmicas.

Habilidades de pensamento criativo e produtivo: esta área inclui estudantes que apresentam idéias originais e que são capazes de perceber de muitas formas diferentes um determinado tópico.

Liderança: inclui aqueles estudantes que emergem como os líderes sociais ou acadêmicos de um grupo.

Artes visuais e cênicas: engloba os alunos que apresentam habilidades superiores para pintura, escultura, desenho, filmagem, dança, canto, teatro e para tocar instrumentos musicais.

Habilidades psicomotoras: engloba aqueles estudantes que apresentam proezas atléticas, incluindo também o uso superior de habilidades motoras refinadas, necessárias para determinadas tarefas, e habilidades mecânicas.
(retirado do livro Psicologia e Educação do Superdotado - Eunice Soriano Alencar - E.P.U. 1986)

Características dos Sobredotados

Esta é uma pequena lista de características típicas do superdotado. Existem outras características que não foram citadas, principalmente as ligadas à sobredotação artística e psicomotora, por haver menos pesquisas nestas áreas. É importante lembrar que nem todos os sobredotados apresentam todas as características citadas na lista.

Segundo Tuttle e Becker, 1983:

- é curioso;
- é persistente no empenho de satisfazer os seus interesses e questões;
- é crítico de si mesmo e dos outros;
- tem sentido de humor altamente desenvolvido;
- não é propenso a aceitar afirmações, respostas ou avaliações superficiais;
- entende com facilidade princípios gerais;
- tem facilidade em propor muitas idéias para um estímulo específico;
- é sensível a injustiças tanto no nível pessoal como no social;
- é líder em várias áreas;
- vê relações entre idéias aparentemente diversas.

Segundo Gowan e Torrance, 1971:

- Reage positivamente a elementos novos, estranhos e misteriosos de seu ambiente;
- persiste em examinar e explorar estímulos com o objetivo de conhecer melhor a respeito deles; - gosta de investigar, faz muitas perguntas;
- apresenta uma forma original de resolver problemas, propondo muitas vezes soluções inusitadas;
- independente, individualista e auto-suficiente;
- tem grande imaginação e fantasia;
- vê relações entre objetos;
- tem sempre muitas idéias;
- prefere idéias complexas, irrita-se com a rotina;
- pode ocupar seu tempo de forma produtiva, sem ser necessária uma estimulação constante pelo professor.

Definição de Génio

Existem duas definições em disputa pelo termo:

1. quem obtêm um resultado excepcional (na faixa superior a 180 -190) num teste determinado de QI;

2. quem consiga raciocínios e inferências tais que, somados a uma intuição também muito acima do normal, lhe permitam não somente imaginar como também formular e realizar uma obra fundamentalmente original e reconhecidamente de alto valor.

Os defensores da opção 1 acreditam ser possível medir objetivamente a genialidade enquanto os defensores da definição 2 preferem esperar por resultados práticos significativos.

A história nos mostra que muitos gênios viveram no anonimato e morreram na pobreza, talvez não tendo sido reconhecidos por estarem muito à frente do seu tempo.

Para o investigador Nelson S. Lima, do Instituto da Inteligência, "o génio é aquele que descobre, inventa ou produz algo de novo e de grande significado e impacto para a Humanidade. Nem todas as crianças sobredotadas serão génios. Mas muitas delas contêm em si as sementes da genialidade".

Hoje em dia considera-se que para a genialidade entram em conjugação diversos factores heridários, sociais, educacionais e situacionais, uma excepcional motivação, um profundo envolvimento numa actividade e uma poderosa auto-confiança.
Sobredotados avaliados
aos longo de 50 anos!
A sobredotação é estudada há quase um século!

Quem desconhece a problemática da sobredotação pensa muitas vezes que se trata de uma matéria sobre a qual os psicólogos falam de ânimo leve e apenas com base em intuições. Uma vez por outra, lendo os comentários dos leitores dos jornais on-line, deparámo-nos com críticas e insinuações que põe em causa o trabalho sério e rigoroso dos especialistas de todo o mundo que, desde há muitos anos, se debruçam sobre a sobredotação intelectual e o talento humano.
A matéria tão pouco é recente ainda que, por vezes, a comunicação social a apresente ao grande público como sendo uma novidade "científica". Daí os equívocos, as omissões e as dúvidas.
Ora os estudos mais clássicos da sobredotação intelectual têm quase 100 anos! Os primeiros remontam aos anos 20 do século passado e devem-se a L.Terman. Foi este investigador quem realizou os primeiros estudos sobre a sobredotação ao longo da vida (longitudinais).
Eis , a título de curiosidade, um resumo do que se passou. A pesquisa inicial (1925) envolveu cerca de 1500 crianças da Califórnia de ambos os sexos que haviam obtido pontuações superiores a 140 na escala psicométrica de Stanford-Binet. Ao longo dos anos seguintes o grupo foi observado por quatro vezes.
A primeira reavaliação ocorreu cinco anos depois (1930). Observou-se então uma ligeira diminuição nos valores do Q.I. mas 80% dos alunos tinham avançado nos seus estudos escolares. Completados vinte cinco anos desde a primeira avaliação foram recolhidos novos dados. Os resultados foram tornados públicos em 1947. Na generalidade, os sujeitos observados tinham tido êxito no percurso académico.
A terceira avaliação fez-se aos 35 anos após a formação do grupo. Estava-se já em 1960. Verificou-se então que 85% dos sujeitos haviam frequentado o ensino superior e destes 70% tinham concluído a sua formação. Comparado com o grupo de controlo inicial, os sobredotados tinham conseguido resultados académicos superiores. Do conjunto de todas as pessoas envolvidas no grupo inicial elas haviam publicado até ao momento mais de 2 mil artigos científicos e técnicos e escrito cerca de 60 livros de ciências e artes e cerca de 30 romances. Do grupo destacaram-se alguns inventores que, no conjunto, fizeram o registo de cerca de 230 patentes.
Em 1968, foram publicados os resultados da quarta e última avaliação do grupo. Mantinham-se em concordância com as conclusões anteriores. Feito um novo teste de Q.I. a um grupo de 115 elementos seleccionados em 1925 a pontuação média foi de 140. Em relação ao nível de sucesso obtido ao longo da vida houve uma concordância geral: a grande maioria dos sujeitos observados conseguira lograr êxito nas diferentes actividades em que se envolveram na vida adulta confirmando as previsões iniciais.
Como ter filhos mais inteligentes!
Para além do óbvio.
Não vale a pena tentarmos ignorar a verdade. O título pode parecer vulgar ou polémico (depende da perspectiva) mas a verdade é que a investigação científica prova que se pode ter filhos mais inteligentes se as mães, antes e durante a gravidez, tiverem determinados cuidados! E, depois, nos primeiros anos de vida, para além de um ambiente estimulante, é necessário oferecer algo mais às crianças.
Se a componente genética tem, sem dúvida, um peso muito importante na inteligência ela não é totalmente decisiva. Há muitos factores em jogo e a maioria depende da família e da sociedade.
Numa época agressivamente competitiva, em que a inteligência e o conhecimento são as principais riquezas das empresas e das nações, estas notícias devem merecer a atenção dos pais e das comunidades.
O sobredotado líder
e o despertar do homo sapiens holisticus

Os homens do futuro já estão instalados nos nossos filhos. Milhões de crianças brincam com computadores, navegam na internet e estabelecem laços com um mundo novo que forma uma autêntica tecnosfera em torno do planeta. Comparativamente aos pais, as crianças da Sociedade da Informação vivem de forma mais acelerada, têm acesso mais rápido ao mundo que os rodeia, vêem as coisas com um outro olhar. Elas não passaram pelas mesmas etapas dos adultos. Estes viveram as transformações do mundo de uma forma gradual. Os filhos, não.
"Tempos diferentes produzem mentes diferentes" - clamam os psicólogos sociais Don Edward Beck e Christopher Cowan. O nosso ADN psicocultural está em acelerada mutação embora desde há milhares de anos estejamos a "peregrinar de um despertar para outro, tornando-nos seres ligeiramente diferentes em cada um" - acrescentam.
Segundo outro psicólogo, Mihaly Csikszentmihaly, assistimos hoje à expansão do espaço psicológico em direcção a personalidades multifacetadas e a um planeta muito mais complicado. Enquanto a maioria das pessoas vive ainda segundo padrões de pensamento muito marcados pelos valores, ideologias, crenças e modelos de vida ligados às últimas décadas do século XX, talvez uns 0,1% dos humanos vivem já segundo um novo padrão de actividade cognitiva. São os primeiros humanos de uma nova fase de evolução: a do homo sapiens holisticus.

A superioridades dessas crianças revela-se a pouco e pouco por todo o mundo. Um dos melhores exemplos é Craig Kielburger. Em 1995, quando ainda tinha 12 anos, fundou uma organização não-governamental denominada Free The Children, destinada a lutar pelos direitos das crianças. Os seus membros, distribuidos por muitos países (45), têm entre 8 e 16 anos de idade.
Num livro publicado em 2000 pela UNESCO ("As Chaves do Futuro"), Craig escreveu que um dos objectivos da organização foi a criação de uma rede mundial de crianças e o estabelecimento de um programa internacional de ajuda à infância (até ao presente, a organização já construiu mais de 400 escolas em todo o mundo). Leia aqui a biografia de Craig.

O cientistas sociais apontam este jovem como um bom exemplo do novo homo sapiens holisticus. O espiritualista Emmanuel Saskiá diria que este novo homo sapiens é intuitivo-sintético, situando-se no terceiro nível de evolução. É muito inteligente, tanto racional como social, é sobredotado líder e luta para transformar a sociedade de consumo, neurótica e escravizante. Dedica-se ao próximo e a causas humanitárias sem qualquer interesse, sendo movido pela autêntica solidariedade. Considera-se cidadão transnacional, ultrapassou os muros dos nacionalismos e trabalha sem distinções de pessoas ou grupos em planos de longo prazo.
A urgência com que todos os povos aguardam um mundo diferente conduzido por líderes inteligentes e visionários, centrados em novos valores, capazes de nos devolverem a paz e a harmonia universais, faz-nos olhar para estas crianças e acreditar que ela talvez sejam capazes de governar as nações, as empresas e as demais instituições que sustentam a nossa sociedade de uma forma mais justa, harmoniosa e igualitária.
Veja o site da organização > Free The Children. Vídeos > Click here to view additional videos.
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O espírito humano hoje está atrasado em relação à globalização que não domina. O espírito está atrasado quanto aos problemas globais que acometem o planeta.
O ser humano do futuro deve inverter esta pretensa normalidade do atraso do espírito. Pois já não podemos permitir-nos estar atrasados. O ser humano do futuro deve, de agora em diante, estar adiantado.
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A globalização do mercado e das tecnologias, a planetarização das questões ambientais deveriam, no bom sentido, estar acompanhadas por uma consciência moral e política à altura do que está em jogo.
Philippe Quéau (UNESCO)
GERAÇÃO Y CHEGA AO MUNDO DO TRABALHO

Trabalhar com jovens é um desafio constante. Cada geração é fruto da educação que recebeu de seus pais e também da interacção com o ambiente e a sociedade. Nos últimos anos, o mundo vem passando por diversas revoluções, que alteraram profundamente o comportamento das pessoas.

O surgimento da internet e a revolução digital, por exemplo, trouxeram avanços sem precedentes. No mundo do trabalho, isso traz um desafio interessante: começam a chegar ao mercado os jovens que cresceram regidos pelos bits e bytes do mundo digital.

Chamados de geração Y, esses jovens têm menos de 30 anos e possuem características muito próprias - e o choque cultural acontece quando passam a ser comandados pelo pessoal de outras gerações.

Mais do que evitar conflitos, ter uma política de recursos humanos que entenda a geração Y pode trazer um excelente ganho de productividade. Moldados pelo imediatismo da internet, a geração Y necessita de estímulos para desafiá-la a oferecer o que tem de melhor: a ousadia, a criatividade, a facilidade para realizar tarefas múltiplas e o espírito questionador.

Algumas dessas características, inerentes no espírito dos jovens, foram levadas ao paroxismo pelo mundo contemporâneo. De um lado, seus pais, libertários da década de 60, que viveram a utopia do "é proibido proibir", estimularam ao máximo o espírito contestador dos jovens. O acesso fácil às informações, trazido pela internet, temperou o caldo de cultura.

O resultado é que, para extrair ao máximo as potencialidades dessa talentosa geração, é necessário abrir-se ao diálogo. Fazê-los entender é muito mais producente do que simplesmente mandar. Para essa geração, a hierarquia não é um argumento-fim. Sem contar a falta de formalidade desses jovens, cuja educação sempre privilegiou a individualidade - e suas manifestações.

Outra característica marcante dos jovens da geração Y é a capacidade de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo. Não surpreende mais encontrar um deles falando ao telemóvel, digitando no MSN e assistindo TV, enquanto come. Ao mesmo tempo em que isso comprova as habilidades multifacetadas necessárias para conseguir equilibrar diversas actividades, muitas vezes esse aspecto também vem junto com a dificuldade de esperar a concretização de um projeto de longo prazo.

A tendência a dispersar a concentração não é algo incomum. Para fugir dessa armadilha e buscar a maior produtividade da geração Y, uma das alternativas é, por exemplo, dividir um projecto mais longo em etapas mais curtas, com metas e prazos predeterminados, cujos resultados podem ser obtidos com maior rapidez.

Com características tão peculiares, principalmente para a geração anterior - que teve de se adaptar, à marra, às modernidades tecnológicas, e para quem o mundo digital não é o habitat natural, é compreensível que surjam dificuldades na comunicação entre eles.

No call center, por exemplo, que é provavelmente o sector da economia que mais emprega jovens, esse desafio é permanente. Mas, também, muito gratificante, pois essa nova geração induz à renovação e traz um espírito de inovação às empresas - e ambas as características são a alma da sobrevivência, no longo prazo, de qualquer negócio. As empresas precisam rever a sua formação e sistemas de avaliação de resultados, para melhor reflectir o mundo contemporâneo e os jovens que ajudarão a construir o futuro.

Texto de Alexandra Periscinoto, presidente da empresa de call center SPCOM (Brasil), que tem mais de 4 mil funcionários - a imensa maioria com menos de 30 anos.
Os jovens e o futuro
O Dr James Canton, do Institute for Global Futures, da Califórnia (empresa que estuda as tendências que marcarão o futuro da Humanidade e que tem clientes como a IBM, a Motorola, a MasterCard, etc.) propôs uma classificação muito curiosa das atitudes dos jovens face ao futuro. Teve como base uma investigação que fez, em 2002, nos Estados Unidos, envolvendo 1500 jovens com idades entre os 15 e os 20 anos.
Refere que há 4 tipos de estilos: o jovem pioneiro; o jovem activista; o jovem tradicionalista e o jovem frustado. Vejamos as características principais de cada um.

Pioneiro
Os jovens que entram nesta categoria são os líderes, os inovadores e os "exploradores" de amanhã. São os mais preparados e os mais batalhadores. São ambiciosos, têm uma visão positiva do futuro, orientam-se por objectivos, são motivados pela tecnologia e são racionalistas. A educação é a chave das suas ambições, buscam a especialização e a competência. O Dr Canton considera que a capacidade destes jovens para ter êxito é elevada.

Activista
Os Activistas são os jovens contestatários, insatisfeitos com o sistema educativo e as lideranças actuais. São mais políticos do que os Pioneiros, envolvem-se em projectos comunitários e sociais. Podem ser positivos relativamente à tecnologia. Podem evoluir para o estilo pioneiro mas se a sociedade não lhes oferecer os recursos necessários podem juntar-se às fileiras dos frustados ou tornarem-se elementos socialmente perturbadores.

Tradicionalista
Os jovens pertencentes a este grupo são mais conservadores, estão mais voltados para a família, concentram-se menos no dinheiro e mais numa vida tranquila, não muito ambiciosa. Não pretendem ser inovadores ou líderes no sentido convencional. Falta-lhes sobretudo motivação, embora possam ser tão competentes como os pioneiros.

Frustado
Neste grupo estão os jovens com dúvidas em relação ao futuro e vivem afastados das principais actividades. São pessimistas, a tecnologia não os atrai, não estão interessados em mudar as coisas, contentam-se com pouco. A razão desta atitude perante o futuro pode encontrar-se no meio cultural e educativo em que vivem. Pode também prender-se com a natureza da sua personalidade e a opções de vida.
As diferenças entre sobredotados,
talentosos, prodígios e génios!
Copyright Instituto da Inteligência, 2008
Não é preciso socorrermo-nos de métodos científicos sofisticados para percebermos que existe uma percentagem não desprezível de indivíduos que nascem dotados de algumas particularidades que os tornam, efectivamente, diferentes da maioria. No que concerne às crianças dotadas de capacidades excepcionais a questão constitui, porém, um problema científico cuja compreensão está ainda longe de alcançar-se.
Alguma terminologia tem sido usada para estes indivíduos. Podemos aqui recuperar quatro: o sobredotado; o talentoso; o prodígio e o génio. Quais as diferenças que os psicólogos detectam entre estas categorias?
O termo sobredotado aplica-se geralmente à criança que manifesta uma capacidade intelectual acima da média desde bastante cedo na vida quando comparada com outras da mesma idade e da mesma cultura. Frequentemente usa-se o Quociente de Inteligência como medida que estipula uma fronteira entre os sobredotados e os não sobredotados. Um Q.I. de 130 ou superior, demonstrado em testes específicos, determina que a criança é excepcional.
Com a aceitação da teoria das inteligências múltiplas passou a entender-se que há mais factores envolvidos na sobredotação do que apenas um elevado Q.I. A sobredotação pode então exprimir-se em áreas que não são susceptíveis de ser medidas no espaço limitado de um gabinete de psicologia. Por vezes, este entendimento mais alargado conduz a confusões com o conceito de talento.
De facto, talentoso é o indivíduo dotado de uma habilidade especial muito desenvolvida numa actividade socialmente reconhecida (de âmbito técnico, artístico, científico ou profissional). O talento para a escrita, a matemática, o desenho, a dança ou a oratória deve-se a sobredotação? A destrinça entre os dois conceitos deve ser feita para que a criança dotada possa ser devidamente apoiada no desenvolvimento das suas potencialidades. Os talentosos devem ser inseridos em escolas ou programas de ensino em que possam melhorar as suas habilidades. O talentoso excepcional é chamado de criança-prodígio.
Assim, entende-se que o prodígio é aquele que é especialmente muito talentoso para a sua idade numa área. Ele deve ser capaz de revelar talento a um nível similar ao de um adulto, dedicar-se quase obsessivamente à área de seu interesse e produzir bastante trabalho. Os prodígios são crianças excepcionalmente precoces em algum tipo de habilidade. São muito raras.
Finalmente, o génio. Os dons de um génio não se atribuem propriamente a um talento em especial mas a uma combinação afortunada de vários factores intelectuais, motivacionais e ambientais. Pode ainda acrescentar-se que o génio é um fenómeno caracterizado por um nível de rendimento excelente e criador, altamente produtivo na sua área de envolvimento. É sempre um indivíduo com uma elevada inteligência, persistência e criatividade. A classificação está apenas reservada a adultos com provas dadas de genialidade numa ou mais áreas (ciência, literatura, etc.).
Um sobredotado já nasce diferente!
Algumas pessoas acreditam que com condições favoráveis e estimulação adequada qualquer criança pode atingir algum nível de sobredotação, talento ou prodígio. Partem do princípio que um ser humano normal dispõe, ao nascer, de estruturas (biológicas e psicológicas) que o tornam susceptível de ser elevado ao nível de sobredotação através da influência do meio, o que não é verdade. Todas as crianças nascem com mais ou menos potencialidades mas algumas, por razões genéticas, estão melhor preparadas para superarem a maioria das outras mesmo quando a estas se proporcionem as mesmas condições e os mesmos estímulos.
Como fazer uma criança feliz?
Leia o texto integral em http://www.academiadepais.blogspot.com/ (Instituto da Inteligência)
Os sobredotados e o pensamento crítico

Entre os vários tipos de pensamento muito frequentes nas crianças sobredotadas destaca-se o chamado "pensamento crítico". Não se trata da disposição para criticar por criticar mas é algo mais complexo e que, quando bem construído, destaca as crianças sobredotadas das crianças comuns, menos habilidosas nestes domínios da arte de raciocinar.
O pensamento crítico reflecte o modo como as pessoas percepcionam o mundo e envolve, entre outras aptidões, a capacidade de fazer "juizos" de tal modo que criticar é exercitar o julgamento sobre algo. Tem igualmente a ver com "analisar", "classificar", "conceptualizar", "deduzir", "diferenciar", "interpretar", "investigar", "ponderar", "questionar", "ser céptico", "tirar conclusões", etc.
Na verdade, o pensamento crítico, muito pouco promovido nas nossas escolas, não é um processo mecânico mas uma parte inseparável do pensamento que pode ser melhorado. A avaliação crítica daquilo que se aprende nas aulas raramente é admitida no ensino formal onde se espera que os estudantes aceitem como verdadeiro o que lhes é dito e muito raramente são encorajados a questionar os ensinamentos recebidos.
Os sobredotados com melhor disposição para o pensamento crítico podem ser demolidores e desconfortáveis para os professores que nem sempre aceitam ser questionados e muito menos admitem a "arte da dúvida". Muitas crianças apresentam uma capacidade crítica muito desenvolvida, levantam questões novas e embaraçam os professores. É um dos motivos por que muitos professores, menos preparados ou menos pacientes, não apreciam a ideia de poderem ter na sala de aula algum sobredotado, especialmente aqueles mais "académicos" ou "científicos", em geral mais "ferozes" no uso da crítica.
Isto não faz dos sobredotados pessoas populares mas é preferível a terem de se sujeitar ao conformismo passivo.

Será Cristiano Ronaldo um sobredotado?

>> Dado que esta página tem um fundo musical, sugerimos que baixe o volume de som deste vídeo para não haver sobreposição.
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Durante muitos anos, a única medida que se utilizava para a detecção de alguém (normalmente criança) sobredotado era o Quociente de Inteligência. Indivíduos invulgares (uns 3 a 4% da Humanidade) podiam ultrapassar a fasquia dos 150/160 de Q.I. (o valor médio situa-se entre 90 e 110). A muitos génios da Arte e da Ciência tem-se atribuído quocientes superiores a 200.
A consciência de que há mais factores envolvidos na sobredotação do que apenas um elevado Q.I. intelectual, alterou o nosso entendimento sobre o tema. O indivíduo sobredotado já não é apenas aquele que em provas específicas de inteligência revela um valor acima de 130.
Hoje, entende-se que o indivíduo sobredotado, independentemente da idade e da cultura, pode exprimir-se em áreas que não são susceptíveis de ser medidas no espaço limitado de um gabinete de psicologia. Por exemplo: a criatividade, a liderança e o talento (para o canto, a música, o desporto, as artes plásticas, etc.) não podem ser medidos da mesma forma que o Q.I.
Cristiano Ronaldo, considerado o melhor jogador de futebol do mundo, é um bom exemplo dessa limitação. Será que o seu inegável talento físico/motor lhe confere o estatuto de sobredotado? E qual é o Q.I. do jogador? Quem tem autoridade para afirmar que Cristiano Ronaldo é ou não um sobredotado?
À luz dos mais recentes avanços científicos nesta matéria pode deduzir-se que o jogador é um atleta sobredotado na sua área específica: o futebol de ataque. Para o Instituto da Inteligência o sobredotado é a pessoa que reúne um conjunto de características que a elegem como Indivíduo de Elevado Potencial num ou mais domínios de reconhecido interesse social, cultural, científico, desportivo ou económico. Outros factores devem estar presentes: alta habilidade na sua área, rápida destreza mental, capacidade de persistência na tarefa, alto poder de concentração e interesse intenso na sua especialidade.
Que autoridade teremos então para afirmar que, como no caso de Cristiano Ronaldo, uma pessoa é sobredotada? Terá de ser avaliado através de testes? Sim, poderá ser sujeita a testes mas a matéria de informação mais importante é aquela que tem origem nos colegas de profissão, nos especialistas da sua área de trabalho e na própria opinião pública que a avalia em função das particularidades únicas demonstradas, do elevado desempenho e da persistência dos bons resultados.
Assim, tanto a sobredotação como o próprio talento podem ser aferidos mesmo sem necessidade dos vulgares testes de Q.I. pois estes observam sobretudo os factores cognitivos.
Obviamente, no caso de Cristiano Ronaldo, como no de muitos outros ao longo da história e em diferentes sectores da actividade humana, é natural que o atleta seja portador de um muito bom Q.I. pois para se ser um jogador de talento é de esperar que possua, além de alta habilidade corporal e motora, uma excelente inteligência analítica, criativa e executiva para poder, por exemplo, antever lances, prever a movimentação dos jogadores em campo e fazer uso de uma refinada percepção espacial.

EDUCAÇÃO E O HOMEM DO FUTURO
1º Congresso Nacional do Instituto da Inteligência


Com a presença do Director Regional de Educação do Algarve, Dr. Luis Correia, representando o MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, do psiquiatra e autor best seller Augusto Cury e muitos outros oradores nacionais e estrangeiros, decorreu no passado dia 25 de Outubro, em Portimão, o nosso primeiro congresso nacional assinalando 10 anos de existência do Instituto da Inteligência.
O evento foi seguido por cerca de 1.000 pessoas (mais de 300 no salão e mais de 600 via internet em várias partes do Mundo). De destacar também 2 momentos musicais de grande nível.
O dia anterior, 24, foi marcado pelo lançamento a nível mundial do novo livro de Augusto Cury, O CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA, com prefácio do neuropsicólogo Doutor Nelson Lima, administrador e coordenador nacional o Instituto da Inteligência (sobre o livro consultar http://www.centroaugustocury.com/).
Pode agora ver todo o congresso (12 horas) ou escolher os oradores de sua preferência numa emissão em diferido. Clique sobre a imagem da coluna localizada à direita deste texto ou visite www.ainteligenciahumana.blogspot.com (página do congresso) onde encontra mais informações.

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