ESTÃO AS CRIANÇAS MAIS INTELIGENTES?
Palestra no Algarve 16 de Julho!
A inteligência forma-se como resposta a estímulos e as crianças de hoje são expostas a muito mais estímulos que as de antes. Principalmente a partir da década de 90 para cá, os estímulos a que uma criança é exposta são cada vez mais variados e intensos. E os estímulos aumentam a percepção, que é a faculdade de apreender dados e informações por meio dos sentidos comuns e os outros sentidos englobados pela expressão “sexto sentido”, e os dados e informações constituem a matéria-prima da inteligência. Os dados e informações estão relacionados à cognição, que é a principal função do intelecto. O número de neurónios das crianças de hoje é o mesmo do das crianças de antes; o uso que se está a fazer deles é que é diferente, o que leva as pessoas dizerem que as crianças de hoje são mais inteligentes...
No dia 16 de Julho, pelas 19:00, não perca a palestra de Nelson Lima na Universidade da Criança, em Portimão. Uma inicativa da Universidade da Criança integrada no “Ciclo de Palestras de Verão 2009” aberta a pais, professores, educadores, psicólogos e formadores.Informações através do telefone 282 423 974 ou através do email akmonteiro@apuc.pt.
Universidade da Criança: um projecto para pais brilhantes e professores fascinantes.

UNIVERSIDADE DA CRIANÇA (Portugal)

Com o apoio de uma excelente equipa de técnicos e educadores, Augusto Cury e a colaboração do Instituto da Inteligência Algarve

Informe-se mais em www.building-the-school-of-the-future.eu/

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Instituto da Inteligência

Os jovens e o futuro
O Dr James Canton, do Institute for Global Futures, da Califórnia (empresa que estuda as tendências que marcarão o futuro da Humanidade e que tem clientes como a IBM, a Motorola, a MasterCard, etc.) propôs uma classificação muito curiosa das atitudes dos jovens face ao futuro. Teve como base uma investigação que fez, em 2002, nos Estados Unidos, envolvendo 1500 jovens com idades entre os 15 e os 20 anos.
Refere que há 4 tipos de estilos: o jovem pioneiro; o jovem activista; o jovem tradicionalista e o jovem frustado. Vejamos as características principais de cada um.

Pioneiro
Os jovens que entram nesta categoria são os líderes, os inovadores e os "exploradores" de amanhã. São os mais preparados e os mais batalhadores. São ambiciosos, têm uma visão positiva do futuro, orientam-se por objectivos, são motivados pela tecnologia e são racionalistas. A educação é a chave das suas ambições, buscam a especialização e a competência. O Dr Canton considera que a capacidade destes jovens para ter êxito é elevada.

Activista
Os Activistas são os jovens contestatários, insatisfeitos com o sistema educativo e as lideranças actuais. São mais políticos do que os Pioneiros, envolvem-se em projectos comunitários e sociais. Podem ser positivos relativamente à tecnologia. Podem evoluir para o estilo pioneiro mas se a sociedade não lhes oferecer os recursos necessários podem juntar-se às fileiras dos frustados ou tornarem-se elementos socialmente perturbadores.

Tradicionalista
Os jovens pertencentes a este grupo são mais conservadores, estão mais voltados para a família, concentram-se menos no dinheiro e mais numa vida tranquila, não muito ambiciosa. Não pretendem ser inovadores ou líderes no sentido convencional. Falta-lhes sobretudo motivação, embora possam ser tão competentes como os pioneiros.

Frustado
Neste grupo estão os jovens com dúvidas em relação ao futuro e vivem afastados das principais actividades. São pessimistas, a tecnologia não os atrai, não estão interessados em mudar as coisas, contentam-se com pouco. A razão desta atitude perante o futuro pode encontrar-se no meio cultural e educativo em que vivem. Pode também prender-se com a natureza da sua personalidade e a opções de vida.
As diferenças entre sobredotados,
talentosos, prodígios e génios!
Copyright Instituto da Inteligência, 2008
Não é preciso socorrermo-nos de métodos científicos sofisticados para percebermos que existe uma percentagem não desprezível de indivíduos que nascem dotados de algumas particularidades que os tornam, efectivamente, diferentes da maioria. No que concerne às crianças dotadas de capacidades excepcionais a questão constitui, porém, um problema científico cuja compreensão está ainda longe de alcançar-se.
Alguma terminologia tem sido usada para estes indivíduos. Podemos aqui recuperar quatro: o sobredotado; o talentoso; o prodígio e o génio. Quais as diferenças que os psicólogos detectam entre estas categorias?
O termo sobredotado aplica-se geralmente à criança que manifesta uma capacidade intelectual acima da média desde bastante cedo na vida quando comparada com outras da mesma idade e da mesma cultura. Frequentemente usa-se o Quociente de Inteligência como medida que estipula uma fronteira entre os sobredotados e os não sobredotados. Um Q.I. de 130 ou superior, demonstrado em testes específicos, determina que a criança é excepcional.
Com a aceitação da teoria das inteligências múltiplas passou a entender-se que há mais factores envolvidos na sobredotação do que apenas um elevado Q.I. A sobredotação pode então exprimir-se em áreas que não são susceptíveis de ser medidas no espaço limitado de um gabinete de psicologia. Por vezes, este entendimento mais alargado conduz a confusões com o conceito de talento.
De facto, talentoso é o indivíduo dotado de uma habilidade especial muito desenvolvida numa actividade socialmente reconhecida (de âmbito técnico, artístico, científico ou profissional). O talento para a escrita, a matemática, o desenho, a dança ou a oratória deve-se a sobredotação? A destrinça entre os dois conceitos deve ser feita para que a criança dotada possa ser devidamente apoiada no desenvolvimento das suas potencialidades. Os talentosos devem ser inseridos em escolas ou programas de ensino em que possam melhorar as suas habilidades. O talentoso excepcional é chamado de criança-prodígio.
Assim, entende-se que o prodígio é aquele que é especialmente muito talentoso para a sua idade numa área. Ele deve ser capaz de revelar talento a um nível similar ao de um adulto, dedicar-se quase obsessivamente à área de seu interesse e produzir bastante trabalho. Os prodígios são crianças excepcionalmente precoces em algum tipo de habilidade. São muito raras.
Finalmente, o génio. Os dons de um génio não se atribuem propriamente a um talento em especial mas a uma combinação afortunada de vários factores intelectuais, motivacionais e ambientais. Pode ainda acrescentar-se que o génio é um fenómeno caracterizado por um nível de rendimento excelente e criador, altamente produtivo na sua área de envolvimento. É sempre um indivíduo com uma elevada inteligência, persistência e criatividade. A classificação está apenas reservada a adultos com provas dadas de genialidade numa ou mais áreas (ciência, literatura, etc.).
Um sobredotado já nasce diferente!
Algumas pessoas acreditam que com condições favoráveis e estimulação adequada qualquer criança pode atingir algum nível de sobredotação, talento ou prodígio. Partem do princípio que um ser humano normal dispõe, ao nascer, de estruturas (biológicas e psicológicas) que o tornam susceptível de ser elevado ao nível de sobredotação através da influência do meio, o que não é verdade. Todas as crianças nascem com mais ou menos potencialidades mas algumas, por razões genéticas, estão melhor preparadas para superarem a maioria das outras mesmo quando a estas se proporcionem as mesmas condições e os mesmos estímulos.
Quando os pais dos sobredotados
ultrapassam os limites!
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Os problemas mais graves que as crianças sobredotadas podem ter na vida...residem, por vezes, na família, nos próprios pais. Estes podem provocar danos irreparáveis, física e psicologicamente. Eles é que podem criar "guetos" familiares. Querem um exemplo? Leiam a seguinte história da vida real.
A criança chama-se Michel Lagravère Peniche, nasceu no México e é filho de um toureiro francês. Michel tem 10 anos de idade. Já é toureiro desde os 5 anos de idade e o exigente meio tauromáquico considera-o um prodígio fora de série.
Já lidou até hoje (12/08/08) mais de 50 touros, muitos deles de 250 quilos, ou seja, sete vezes o peso do pequeno artista. Já foi colhido e o seu jovem rosto já tem marcas de ferimentos. O risco de vida que corre é elevado. Por isso em Espanha e em França já foi proibida a sua actuação como "matador de touros". Mas na América Latina tal proibição não se verifica e, assim, o Michelito, continua a enfrentrar touros bravos.
Loucura? Sem dúvida. Culpados: os pais e as autoridades que permitem esta exploração. O principal mentor e instigador da actividade desta criança é o pai, ex-toureiro francês. Os riscos que o filho corre são totalmente desvalorizados por ele: "Poderei não ser objectivo como pai mas enquanto professor (o pai é o treinador do jovem toureiro) tenho de dizer que nunca vi ninguém tão dotado". E defende-se, acrescentando: "Ninguém impediu Mozart de tocar piano na infância ou Maradona de jogar à bola - portanto deviam deixar Michelito em paz".
Vaidade dos pais, corrida pela fama e o dinheiro? Por certo.
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Muitos governos também não estão isentos de culpa nesta matéria. É o que se passa na China onde crianças de 3 e 4 anos são treinadas de forma violenta e em estilo militar em actividades desportivas como a ginástica acrobática para que elas venham a ser futuros campeões....em nome de um país, de uma ideologia e de outros interesses (fonte: reportagem passada recentemente numa televisão portuguesa a propósito dos Jogos Olímpicos de Pequim).
GERAÇÃO Y CHEGA AO MUNDO DO TRABALHO

Trabalhar com jovens é um desafio constante. Cada geração é fruto da educação que recebeu de seus pais e também da interacção com o ambiente e a sociedade. Nos últimos anos, o mundo vem passando por diversas revoluções, que alteraram profundamente o comportamento das pessoas.
O surgimento da internet e a revolução digital, por exemplo, trouxeram avanços sem precedentes. No mundo do trabalho, isso traz um desafio interessante: começam a chegar ao mercado os jovens que cresceram regidos pelos bits e bytes do mundo digital.
Chamados de geração Y, esses jovens têm menos de 30 anos e possuem características muito próprias - e o choque cultural acontece quando passam a ser comandados pelo pessoal de outras gerações.
Mais do que evitar conflitos, ter uma política de recursos humanos que entenda a geração Y pode trazer um excelente ganho de productividade. Moldados pelo imediatismo da internet, a geração Y necessita de estímulos para desafiá-la a oferecer o que tem de melhor: a ousadia, a criatividade, a facilidade para realizar tarefas múltiplas e o espírito questionador.
Algumas dessas características, inerentes no espírito dos jovens, foram levadas ao paroxismo pelo mundo contemporâneo. De um lado, seus pais, libertários da década de 60, que viveram a utopia do "é proibido proibir", estimularam ao máximo o espírito contestador dos jovens. O acesso fácil às informações, trazido pela internet, temperou o caldo de cultura.
O resultado é que, para extrair ao máximo as potencialidades dessa talentosa geração, é necessário abrir-se ao diálogo. Fazê-los entender é muito mais producente do que simplesmente mandar. Para essa geração, a hierarquia não é um argumento-fim. Sem contar a falta de formalidade desses jovens, cuja educação sempre privilegiou a individualidade - e suas manifestações.
Outra característica marcante dos jovens da geração Y é a capacidade de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo. Não surpreende mais encontrar um deles falando ao telemóvel, digitando no MSN e assistindo TV, enquanto come. Ao mesmo tempo em que isso comprova as habilidades multifacetadas necessárias para conseguir equilibrar diversas actividades, muitas vezes esse aspecto também vem junto com a dificuldade de esperar a concretização de um projeto de longo prazo.
A tendência a dispersar a concentração não é algo incomum. Para fugir dessa armadilha e buscar a maior produtividade da geração Y, uma das alternativas é, por exemplo, dividir um projecto mais longo em etapas mais curtas, com metas e prazos predeterminados, cujos resultados podem ser obtidos com maior rapidez.
Com características tão peculiares, principalmente para a geração anterior - que teve de se adaptar, à marra, às modernidades tecnológicas, e para quem o mundo digital não é o habitat natural, é compreensível que surjam dificuldades na comunicação entre eles.
No call center, por exemplo, que é provavelmente o sector da economia que mais emprega jovens, esse desafio é permanente. Mas, também, muito gratificante, pois essa nova geração induz à renovação e traz um espírito de inovação às empresas - e ambas as características são a alma da sobrevivência, no longo prazo, de qualquer negócio. As empresas precisam rever a sua formação e sistemas de avaliação de resultados, para melhor refletir o mundo contemporâneo e os jovens que ajudarão a construir o futuro.
Texto de Alexandra Periscinoto, presidente da empresa de call center SPCOM (Brasil), que tem mais de 4 mil funcionários - a imensa maioria com menos de 30 anos.
Como fazer uma criança feliz?
Leia o texto integral em http://www.academiadepais.blogspot.com/ (Instituto da Inteligência)

Será Cristiano Ronaldo um sobredotado?

>> Dado que esta página tem um fundo musical, sugerimos que baixe o volume de som deste vídeo para não haver sobreposição.
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Durante muitos anos, a única medida que se utilizava para a detecção de alguém (normalmente criança) sobredotado era o Quociente de Inteligência. Indivíduos invulgares (uns 3 a 4% da Humanidade) podiam ultrapassar a fasquia dos 150/160 de Q.I. (o valor médio situa-se entre 90 e 110). A muitos génios da Arte e da Ciência tem-se atribuído quocientes superiores a 200.
A consciência de que há mais factores envolvidos na sobredotação do que apenas um elevado Q.I. intelectual, alterou o nosso entendimento sobre o tema. O indivíduo sobredotado já não é apenas aquele que em provas específicas de inteligência revela um valor acima de 130.
Hoje, entende-se que o indivíduo sobredotado, independentemente da idade e da cultura, pode exprimir-se em áreas que não são susceptíveis de ser medidas no espaço limitado de um gabinete de psicologia. Por exemplo: a criatividade, a liderança e o talento (para o canto, a música, o desporto, as artes plásticas, etc.) não podem ser medidos da mesma forma que o Q.I.
Cristiano Ronaldo, considerado o melhor jogador de futebol do mundo, é um bom exemplo dessa limitação. Será que o seu inegável talento físico/motor lhe confere o estatuto de sobredotado? E qual é o Q.I. do jogador? Quem tem autoridade para afirmar que Cristiano Ronaldo é ou não um sobredotado?
À luz dos mais recentes avanços científicos nesta matéria pode deduzir-se que o jogador é um atleta sobredotado na sua área específica: o futebol de ataque. Para o Instituto da Inteligência o sobredotado é a pessoa que reúne um conjunto de características que a elegem como Indivíduo de Elevado Potencial num ou mais domínios de reconhecido interesse social, cultural, científico, desportivo ou económico. Outros factores devem estar presentes: alta habilidade na sua área, rápida destreza mental, capacidade de persistência na tarefa, alto poder de concentração e interesse intenso na sua especialidade.
Que autoridade teremos então para afirmar que, como no caso de Cristiano Ronaldo, uma pessoa é sobredotada? Terá de ser avaliado através de testes? Sim, poderá ser sujeita a testes mas a matéria de informação mais importante é aquela que tem origem nos colegas de profissão, nos especialistas da sua área de trabalho e na própria opinião pública que a avalia em função das particularidades únicas demonstradas, do elevado desempenho e da persistência dos bons resultados.
Assim, tanto a sobredotação como o próprio talento podem ser aferidos mesmo sem necessidade dos vulgares testes de Q.I. pois estes observam sobretudo os factores cognitivos.
Obviamente, no caso de Cristiano Ronaldo, como no de muitos outros ao longo da história e em diferentes sectores da actividade humana, é natural que o atleta seja portador de um muito bom Q.I. pois para se ser um jogador de talento é de esperar que possua, além de alta habilidade corporal e motora, uma excelente inteligência analítica, criativa e executiva para poder, por exemplo, antever lances, prever a movimentação dos jogadores em campo e fazer uso de uma refinada percepção espacial.

EDUCAÇÃO E O HOMEM DO FUTURO
1º Congresso Nacional do Instituto da Inteligência


Com a presença do Director Regional de Educação do Algarve, Dr. Luis Correia, representando o MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, do psiquiatra e autor best seller Augusto Cury e muitos outros oradores nacionais e estrangeiros, decorreu no passado dia 25 de Outubro, em Portimão, o nosso primeiro congresso nacional assinalando 10 anos de existência do Instituto da Inteligência.
O evento foi seguido por cerca de 1.000 pessoas (mais de 300 no salão e mais de 600 via internet em várias partes do Mundo). De destacar também 2 momentos musicais de grande nível.
O dia anterior, 24, foi marcado pelo lançamento a nível mundial do novo livro de Augusto Cury, O CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA, com prefácio do neuropsicólogo Doutor Nelson Lima, administrador e coordenador nacional o Instituto da Inteligência (sobre o livro consultar http://www.centroaugustocury.com/).
Pode agora ver todo o congresso (12 horas) ou escolher os oradores de sua preferência numa emissão em diferido. Clique sobre a imagem da coluna localizada à direita deste texto ou visite www.ainteligenciahumana.blogspot.com (página do congresso) onde encontra mais informações.

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Uma mente brilhante
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PARTE UM
Um dia conheci um menino que na ocasião tinha 4 anos de idade. Franzino, destacavam-se nele uns olhos muito vivos e um comportamento bastante amadurecido. Trazia uma pequena enciclopédia de astronomia quando entrou no meu gabinete.

Foi a criança que, até hoje, mais me surpreendeu pelas aptidões intelectuais que revelava. Além de demonstrar um conhecimento muito diversificado de matérias, o que lhe assegurava uma extraordinária cultura geral, exibia uma invulgar capacidade de raciocínio. Conversar com ele mostrou-se uma experiência deliciosa. A sua linguagem era fluente, rica de vocabulário e muito expressiva.

A dado momento perguntou-me se eu sabia qual era o maior perigo que o planeta Terra atravessava. Alertou-me logo que eu deveria pensar em algo mais afastado no tempo do que os anos próximos; ele referia-se ao futuro da Terra enquanto astro. Percebi de imediato que dar uma resposta como “aquecimento global”, “poluição” ou “guerra mundial” talvez não fosse o que ele esperava.

Curioso, respondi-lhe com uma pergunta: “O que é que te preocupa?”. Percebeu a minha estratégia e esclareceu-me de imediato que andava a investigar como a Terra iria desaparecer. Pensei logo nas várias possibilidades que têm sido colocadas pelos cientistas: uma colisão com algum objecto gigante do espaço, uma catástrofe natural de dimensões inimagináveis, o definhamento do próprio planeta, etc. Voltei a fazer-lhe uma outra pergunta: “Qual é a tua teoria?”.

O miúdo, vendo o meu interesse, reagiu de imediato com uma resposta que me iria deixar boquiaberto: “A Terra vai afundar-se no Espaço!”... “Como?!” – retorqui. Confesso que nunca ouvira falar de tal coisa. E insisti, já cheio de curiosidade: “Ora explica-me isso. Onde aprendeste essa teoria?”. Resposta imediata: “Em lado nenhum. Fui eu que criei essa teoria!”.

Recostei-me na cadeira, respirei fundo. Rebobinei o filme todo: à minha frente tinha um miúdo de 4 anos e 2 meses de idade que me informava ter uma teoria sobre o fim do planeta Terra! Só me restava continuar. “Ok, sou todo ouvidos.” - disse-lhe.

Para encurtar a história: o menino, que adorava astronomia e muitas coisas mais, encantado com a história do Universo, do nascimento e da morte dos astros ao longo dos tempos, defendia que a Terra sairia da órbita do Sol por “excesso de peso”, o que empurraria o planeta para “o fundo do Universo”. Ou seja, um dia, no futuro, e por força do aumento da população humana, a Terra começaria lentamente a afundar-se no Espaço desprendendo-se da força de atracção do astro-rei!

Cientificamente, a sua teoria não era credível. Penso eu. Mas, o que me fascinou na criança, foi a elaboração mental realizada. Devo dizer que simplifiquei esta história pois a conversa foi bem mais prolongada e envolveu uma acérrima argumentação por parte do miúdo acompanhada de uma série de “evidências científicas”.

O que retenho desse dia foi a extraordinária capacidade de raciocínio, os conhecimentos demonstrados e a perspicácia da argumentação de uma criança com apenas pouco mais de 4 anos de idade.
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PARTE DOIS
Passaram-se cinco anos. Com 9 anos de idade, recuara na sua “teoria” e aprendera a travar as suas ideias “amalucadas” (para usar a expressão de uma professora). O mundo, conforme a escola o estava a ensinar, era feito de realidades concretas e lógicas e que ele deveria aprender de forma organizada para se tornar numa pessoa culta. Apaziguou a sua mente fervilhante de ideias e travou os impulsos criativos. Deixara de explorar caminhos incertos, perdera a arte de questionar. Era um aluno “certinho”, “obediente”, “bem comportado”, aberto ao conhecimento aprovado pelos sábios da Educação. Aprendera também a reprimir pensamentos. Oxalá não se tenha perdido um futuro génio.
Texto de Nelson Lima
Novidade editorial do ano!
Já à venda nas livrarias!

Com prefácio de Nelson Lima
(Instituto da Inteligência)
Editora Pergaminho
Inaugurada a escola de sobredotados (1º Ciclo)

Tome nota >> A 19 de Setembro realizou-se abertura oficial do Projecto Leonardo da Vinci do 1.º ano do 1.º Ciclo do EB (Universidade da Criança/Instituto da Inteligência), em Portimão (Algarve)! As estações nacionais de televisão RTP, a SIC e TVI, além de outros órgãos de comunicação social, estiveram presentes!

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As crianças sobredotadas são uma mais valia em qualquer nação....desde que sejam reconhecidas, apoiadas e acarinhadas. Infelizmente, em Portugal muito se fala, pouco se faz. Desenvolver talentos é um ponto estratégico para qualquer país. Não é por acaso que nos Estados Unidos, na Europa Central, India e principalmente nos países desenvolvidos da Ásia há uma intensa procura “pelo talento”.
Num país como o nosso - com uma grande maioria da população escolar “subnutrida” e refém de um ensino público de qualidade questionável - as iniciativas que valorizam os talentos podem evitar que estes sigam por descaminhos e se venham a tornar “génios do mal”.
O ensino particular é certamente a expressão concreta da existência da liberdade de aprender e de ensinar e do direito da família a orientar a educação dos seus filhos. Na verdade, o artigo 43.º da nossa Constituição dispõe que "é garantida a liberdade de aprender e ensinar", que "o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas", que "o ensino público não será confessional" e que "é garantido o direito de criação de escolas particulares e cooperativas".
Mais sucede que em conformidade com o disposto nos artigos 74º e 75º da Constituição da República Portuguesa, o Estado deve assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito, para garantir o direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolares.
Se estas verdades são indiscutíveis, a questão que tem levantado mais "angústias" é a de saber até onde deve ir o Estado nesta sua obrigação de assegurar o direito ao ensino e o direito da família "a orientar a educação dos nossos filhos". Principalmente se a mesma exige cuidados e atenção especiais.
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Sobredotados para o Futuro
O século XXI está a revelar-se como todos já prevíramos: complexo, imprevisível e ambíguo. Mais do que em qualquer outra época anterior. Todos necessitamos de estar preparados para desafios pessoais, sociais e profissionais para enfrentar as grandes mudanças que estamos a assistir. No futuro próximo ou no longínquo não haverá lugar para hesitações. O risco é uma realidade cada vez mais omnipresente. A única defesa é estarmos preparados. E isto implica inteligência, flexibilidade, formação constante. Isto implica liberdade de aprender e de ensinar.
À luz dos conhecimentos que hoje possuímos sobre o funcionamento do cérebro como um todo, a escola tradicional apresenta muitas heresias biológicas, fisiológicas e psicológicas, isto é, verdadeiros contra-sensos em relação ao que é o ser humano como um todo. Heresias morais também porque quantas vezes essa escola não matou vocações e, em quantas pessoas não deixou bloqueios para o resto da vida?
A combinação das ciências do comportamento com as neurociências produz o campo da Psiconeurolinguística e a Emotologia, cuja aplicação ao ensino se chama Emotopedia. A idéia antiga de que "a educação prepara para a vida" é substituída por "a educação é vida" e a escola deve ser um laboratório e não um auditório.
A principal finalidade da educação deve ser de desenvolver as capa­cidades das pessoas em situação de aprendizagem como elemento de auto-realização e, não, "transmitir conhecimentos.” O professor não deve ser, necessariamente, um erudito, "aquele que sabe tudo", encarregado de "moldar a inteligência" e "encher a cabeça" da pessoa de conhecimentos dos quais ela, um dia, talvez "poderá vir a precisar".
Vivemos numa sociedade cada vez mais exigente. As nossas crianças entram cedo na escola e ali permanecem durante anos. Vivem num stress constante entre a casa e as salas de aula. Há quem afirme que elas estão cada vez mais inteligentes. Mas a verdade é que o insucesso e o abandono escolares atingem números muito preocupantes.
Na verdade, algo vai mal na educação. Estamos a perder o melhor da inteligência de nossos filhos porque a educação familiar e a escola não apostam no despertar das capacidades do pensamento das crianças. Continuam a forçar aprendizagens académicas excessivas e por vezes obsoletas nada fazendo para ajudá-las a melhorar a capacidade de pensar nas suas diferentes versões. Na escola aprendem muitas datas, nomes, fórmulas e teorias. Mas onde aprendem a raciocinar? Onde aprendem a ter sentido crítico? Onde aprendem a julgar? Em síntese: onde aprendem a tirar partido da maravilha da inteligência?

Desrespeito pela inteligência?
As crianças com elevados potenciais, vulgo “sobredotadas”, precisam mais do que ninguém de aprender a tirar o máximo partido da sua inteligência ao se revelarem nas suas capacidades, habilidades e talentos.
Em Portugal elas são “protegidas” pela lei. Destaca-se o decreto-lei n.º 50/2005, de 9 de Novembro, cujo artigo 5º prevê que as mesmas possam beneficiar, nas escolas, de um plano de desenvolvimento que individualize o currículo e as estratégias pedagógicas no quotidiano escolar.
Há, no entanto, que atender urgentemente ao facto de, o decreto-lei n.º 319/91 (que previa a antecipação da entrada no ensino regular, isto é, as crianças precoces podiam entrar, um ano mais cedo, no início da escolaridade), ter sido revogado. Isto implicaria que a legislação que o substitui previsse tal medida, o que não sucedeu, isto é, o decreto-lei n.º 3/2008 de 7 de Janeiro não prevê essa possibilidade, pelo que neste momento se verifica uma lacuna a colmatar.
O Ministério da Educação, em documentos publicados, tem assumido, teoricamente, esta problemática: "Sobredotação constitui a expressão de um conjunto de factores interactuantes que resultam na manifestação de um desempenho saliente. (...) 0 ambiente educativo em que se processa o desenvolvimento das crianças e, particularmente, a escola, joga um papel decisivo na sobredotação, cabendo-lhe a responsabilidade de criar oportunidade e experiências de aprendizagem favoráveis ao desenvolvimento e expressão da sobredotação. (...) A atenção às diferenças individuais e ao contexto de aprendizagem implica uma flexibilização da organização escolar, das estratégias de ensino, da gestão dos recursos e do curriculo, por forma a proporcionar o desenvolvimento maximizado de todos, de acordo com as caracteristicas pessoais e as necessidades individuais de cada um. (...)
Uma das maiores dificuldades que decorre da operacionalização destes principios, no contexto de cada escola, diz respeito a concretização de um ensino diferenciado e a planificação e gestão dos recursos humanos e técnicos disponiveis para lhe dar coerencia e viabilidade. O ajustamento da qualidade das respostas educativas produzidas pela escola relativamente aos alunos sobredotados poderá contribuir para a construção de uma prática pedagógica mais centrada nas particularidades psicológicas, sociais, cognitivas, que fazem de cada criança e jovem um sujeito único, cujo direito à diferença e a valorização das suas potencialidades e competências deverá constituir a finalidade central do sistema educativo (in Crianças e Jovens Sobredotados: Intervenção Educativa, ME-DEB, 1998).
No entanto, muitos pais portugueses estão angustiados com a falta de respostas do sistema de ensino que vigora no país. Muito poucos estão orientados e apoiados, dando um suporte adequado aos filhos.
É verdade que os professores e educadores estão cada vez mais despertos para esta forma de diversidade e para as necessidades destes alunos e que a gestão das escolas vem desenvolvendo esforços para apoiar as diferentes formas de diversidade, todavia, quanto aos alunos sobredotados, as dificuldades de actuação mantem-se e são multiplas.
Em nosso entender, as crianças sobredotadas apresentam Necessidades Educativas Especiais, por isso necessitam de respostas diversificadas que passam pela flexibilização e adequação curricular e por uma efectiva diferenciação de métodos e estratégias educativas.
Para tentar combater o problema, o Ministério da Educação brasileiro, por exemplo, destinou milhões para a criação dos Núcleos de Actividade de Altas Habilidades/Sobredotação em todos os Estados do Brasil. A idéia é a de capacitar professores e financiar equipamentos para que as crianças talentosas das escolas públicas tenham oportunidade de se desenvolver. É a primeira iniciativa desta natureza na esfera pública.
Em Portugal existem esforços “na esfera privada” para a colocação, em cada agrupamento escolar, de uma dupla composta por um psicólogo e um pedagogo para acompanhar os casos “que vão surgindo”....Convenhamos que é manifestamente pouco!
Novo membro honorário da Academia
A socióloga e escritora Graziela Gilioli, autora de O Pequeno Médico, é o mais recente membro honorário da Academia de Sobredotados do Instituto da Inteligência.
A Dra. Graziela Gilioli será uma das oradoras principais do 1º Congresso Nacional do Instituto da Inteligência, a realizar em 25 de Outubro próximo, no Algarve.
Envolvida no projecto Mentes Flexíveis, Graziela Gilioli é também membro da nossa Bolsa de Consultores e Conferencistas.
Consulte o site da autora em www.opequenomedico.com.br/.
RTP visitou Escola de Sobredotados
Sexta-feira, 15 de Agosto, uma equipa do telejornal da RTP esteve nas futuras instalações da escola de sobredotados, em Portimão, na Universidade da Criança, onde também está instalado o pólo regional do Instituto da Inteligência que participa no projecto.
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Escola de sobredotados poderá tornar-se numa
das melhores do mundo!
Instituto da Inteligência no projecto desde a primeira hora.

A partir de Setembro (2008), Portimão terá a primeira escola para sobredotados do país. Os primeiros 18 alunos já estão inscritos.
O projecto é da responsabilidade da Universidade da Criança de que é proprietária a Associação Nacional de Pedagogia da Universidade da Criança (APUC), que tem o pedagogo Ricardo Monteiro como presidente.
Os programas curriculares estão de acordo com o plano nacional para o primeiro ciclo mas cada disciplina vai ter o seu professor, já que a APUC é apologista do professor especialista.
Áreas pedagógicas centrais:
Projecto Leonardo da Vinci + Projecto Einstein
Os alunos vão estar integrados em dois grupos: o Projecto Leonardo Da Vinci e o Projecto Einstein. O primeiro destina-se a alunos com competências artísticas e o segundo aos que apresentem especial aptidão para as áreas científicas.
Além das disciplinas comuns, estas crianças com um elevado potencial vão aprender diversas outras áreas tais como o xadrez (para estimular a capacidade de concentração e aprenderem a respeitar o adversário), a filosofia, a liderança e a educação emocional. Estes conteúdos são completados pelo estudo de duas línguas estrangeiras e de música.
Para que possam desenvolver as suas capacidades, as salas de aulas também se adaptam às suas necessidades. Tanto alunos como professores vão ter na sua mesa um computador portátil. As salas estão também equipadas com quadros interactivos, mesas e cadeiras que se comprimem permitindo libertar o espaço para outras actividades.
Cada aluno tem um programa diferente adaptado às suas características e é submetido a uma aplicação de escalas de inteligência.
Actualmente a Universidade da Criança (UC), fundada em 2004, conta com 100 crianças na pré-escola frequentando diferentes faculdades conforme os talentos e vocações que revelem: Faculdade das Letras Engraçadas e dos Números Sem Fim, a Faculdade do Ser, do Conteúdo e das Ideias e a Faculdade dos Sons, dos Tons e dos Movimentos.
A Universidade da Criança, através da estrutura local do Instituto da Inteligência, das quais o Dr. Ricardo Monteiro é director, garante acompanhamento pedagógico e psicológico, incluindo avaliações cognitivas regulares.
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Diário de Notícias na Escola de Sobredotados
Gaffe jornalística induziu leitores em erro
A jornalista Ana Bela Ferreira, a propósito da dita escola, dedicou as páginas 4 e 5, da edição de 12 de Agosto de 2008, à matéria. Infelizmente, o título da capa induziu os leitores em erro pois escreveu "Pediatras Contra Primeira Escola para Crianças Sobredotadas". No texto descobre-se que, afinal, apenas um pediatra revela a sua opinião pessoal com base no receio de que a escola funcione como um "gueto". Trata-se de um receio que é normal acontecer em projectos desta natureza mas tudo está projectado para que nada disso possa verificar-se. Não esqueçamos que a escola de sobredotados, embora sendo privada, está sujeita a aprovação prévia e será naturalmente inspeccionada pelo Ministério da Educação como qualquer outro estabelecimento de ensino.
(clique sobre a imagem para ampliar)
CONGRESSO NACIONAL DO INSTITUTO DA INTELIGÊNCIA
Em Setembro, na SIC
O canal televisivo SIC prepara, para Setembro, um trabalho sobre crianças sobredotadas. O Instituto da Inteligência foi convidado para colaborar.
Crianças talentosas na TVI
Eles estiveram no popular programa "As Tardes da Júlia": Rita Fão, 15 anos de idade, campeã nacional de Patinagem Artística e André Esteves, 8 anos, um campeão de Cálculo Mental, falaram dos seus talentos especiais. Dia 5 de Agosto.

Como ter filhos mais inteligentes!
Para além do óbvio.
Não vale a pena tentarmos ignorar a verdade. O título pode parecer vulgar ou polémico (depende da perspectiva) mas a verdade é que a investigação científica prova que se pode ter filhos mais inteligentes se as mães, antes e durante a gravidez, tiverem determinados cuidados! E, depois, nos primeiros anos de vida, para além de um ambiente estimulante, é necessário oferecer algo mais às crianças.
Se a componente genética tem, sem dúvida, um peso muito importante na inteligência ela não é totalmente decisiva. Há muitos factores em jogo e a maioria depende da família e da sociedade.
Numa época agressivamente competitiva, em que a inteligência e o conhecimento são as principais riquezas das empresas e das nações, estas notícias devem merecer a atenção dos pais e das comunidades. Esteja atento, vamos publicar um artigo esclarecedor sobre o tema.
Trabalhar com prazer = sucesso!
>>Psicologia/Instituto da Inteligência, 2008
O psicólogo americano Mark Albion, no livro "Making a Life, Making a Living" revela uma pesquisa feita junto de 1500 jovens que tinham acabado de concluir o curso universitário.
Do total de jovens, 83% afirmaram que procuravam, em primeiro lugar, realização financeira. Os outros, uns meros 17%, relataram que estavam sobretudo interessados em atender à sua vocação, que era definida por eles como “algo que me dê prazer, satisfação, que eu goste de fazer”.
A pesquisa acompanhou esses jovens por 20 anos e, após esse tempo, constatou-se que, do total, 102 haviam alcançado "imenso sucesso nas suas carreiras", inclusive financeiramente. Destes, 101 pertenciam ao grupo dos 17%. Ou seja, apenas 1 dos 102 alunos que tiveram grande sucesso profissional, havia respondido, antes, que o seu objectivo principal era ganhar dinheiro! Os outros tiveram diferentes resultados: carreiras de sucesso mediano, alguns fracassados, etc.
O futuro dos nossos filhos!

Prepare-os para a mudança global, complexa, fantástica e radical
que transformará indivíduos, sociedades, mercados,
consumidores e negócios.
Prepare-os para o Futuro.

Futuro! Eis uma palavra (uma ideia? uma abstração?) que se tornou corrente no mundo actual.
Mais do que em qualquer outra época da história humana, a preocupação com o futuro beira, por vezes, as raias da obsessão! Não sem razão, diga-se. É que a velocidade dos acontecimentos e a globalização a que hoje estamos sujeitos faz com que a preocupação com o que se poderá passar no futuro imediato ou no futuro mais afastado se justifique.
As mudanças no nosso mundo estão a acelerar em tal velocidade que é lícito (é desejável) que dediquemos uma parte dos nossos pensamentos ao que presumivelmente vai afectar a nossa vida, a dos nossos filhos, a da nossa sociedade, a do mundo em geral.
Até há poucos anos, qualquer autor que se dedicasse a "olhar o futuro" era visto com desconfiança. A palavra visionário, que hoje faz parte do léxico da moderna gestão, era quase sinónima de adivinho. Hoje já tem outra conotação. Visionário é aquele que, estudando as grandes tendências de fundo da sociedade nas suas várias vertentes (culturais, tecnológicas, económicas, políticas, etc.), é capaz de antecipar cenários, definir estratégias e tomar decisões que irão ter um impacto importante na sua área de intervenção. Foram sempre os visionários que provocaram grandes mudanças na sociedade humana.
Os visionários olham para o futuro, trabalham com um horizonte de tempo mais amplo do que as pessoas vulgares. Hoje em dia, eles servem-se dos futurólogos para compreender os caminhos do futuro e tomarem decisões.
O futurólogo ou futurista é um especialista que faz, durante anos, estudos sobre a evolução da sociedade humana e elabora exames de prospectiva tentando aperceber-se para onde estamos a ir. Tal como a meteorologia, a futurologia moderna recolhe e actualiza a todo o momento o maior número possível de dados que lhe permita construir previsões, mapas de probabilidades e predicções. O futurológo não trabalha como os astrólogos; ele não lê o futuro pois este não está escrito nem nas estrelas nem em lado nenhum. É que o futuro ainda está por acontecer. Então, o futurólogo estuda e capta tendências, especialmente megatendências.
É, frequentemente, um consultor que trabalha para governos, grandes empresas, etc., que, obviamente, querem saber que tipo de mundo muito provavelmente vão encontrar dentro de meses e anos a fim de anteciparem estratégias, desenvolverem novos produtos e serviços, etc.
Alvin Toffler e John Naisbitt, estão entre os mais conhecidos futurólogos lidos em Portugal. Mas um "novo" especialista, já com 30 anos de carreira, de seu nome James Canton, presidente executivo do Institute for Global Futures, um laboratório do futuro com sede na Califórnia, acaba de lançar uma obra fundamental: The Extreme Future, que em Portugal leva o estranho título de Sabe O que Vem Aí?.
Conforme escreveu a prestigiada revista Forbes, trata-se de "um belíssimo trabalho sobre as tendências que moldarão o futuro". James Canton acredita que o nosso futuro será sobretudo influenciado pelas seguintes dez grandes tendências: a globalização; os novos combustíveis; a medicina; as alterações climáticas; as novas descobertas da ciência; o futuro das pessoas; a economia da inovação; a nova força laboral; as questões de segurança e o futuro de alguns países (nomeadamente os Estados Unidos e a China).
O livro de J. Canton, com perto de 400 páginas, é quase uma história não improvável do futuro onde os nossos filhos vão viver e trabalhar. O futuro será deles mas somos nós, os adultos, quem está a orientar as transformações. Em parte. Um livro que a Academia de Sobredotados recomenda especialmente aos pais de crianças e jovens de elevado potencial e talentosos.
Informe-se mais sobre este tema nas nossas páginas >>Sociedade do Conhecimento e >> Mentes para o Futuro.
O talento melhora com a idade!
Saiba tudo no nosso blogue
TALENTO SÉNIOR

Os sobredotados e a personalidade
Instituto da Inteligência, 2008
Muitas pessoas, pouco informadas, pensam que as crianças sobredotadas são muito semelhantes entre si, nomeadamente nos comportamentos. Nada mais errado.
As crianças sobredotadas são muito diferentes umas das outras. Há uma grande heterogeneidade não apenas entre as suas áreas de maior excepcionalidade como também na personalidade. Ou seja, o facto de ser sobredotada não determina que uma criança seja praticamente um "clone" das outras sobredotadas.
As diferenças existem não apenas no tipo de sobredotação (há crianças sobredotadas em áreas académicas, outras em áreas artísticas, outras em áreas sociais, etc.) mas também se encontram nos traços de personalidade, incluindo o temperamento, o carácter, etc.
De facto, a inteligência, a criatividade, o sentido de humor, a perseverança, a tenacidade, a aptidão para desfrutar das coisas, o entendimento com os outros, a capacidade de iniciativa e outras características variam de criança para criança. Da mesma maneira também encontramos crianças sobredotadas com problemas vários como a agressividade, a hiperactividade, o mau carácter, a inveja, o mau comportamento, etc.
De que é feita a personalidade?
O pedagogo espanhol José António Marina distingue três fases na emergência da personalidade. A primeira é a chamada personalidade-base. Representa a matriz pessoal, geneticamente condicionada. Exprime-se através das funções intelectuais básicas, o temperamento e o sexo. Nasce-se com estas estruturas.
Há ainda a personalidade aprendida que é formada pelo conjunto de hábitos afectivos, cognitivos e operativos adquiridos através da família e da sociedade a partir da personalidade-base. Envolve estruturas muito estáveis mas que são, de facto, aprendidas. Daí a importância da educação nos primeiros anos de vida.
Finalmente, Marina propõe o conceito de personalidade escolhida. É o modo como a pessoa, qualquer que seja a sua idade, numa situação concreta, enfrenta ou aceita o seu carácter e faz as suas opções. Inclui o projecto de vida, o sistema de valores, etc.
Resumindo, temos:
1º funções básicas + temperamento + sexo = personalidade-base
2º personalidade-base + hábitos = personalidade aprendida
3º carácter + comportamento = personalidade escolhida.
Enquanto o temperamento e o carácter são manifestações da inteligência biológica e do Eu espiritual, a personalidade escolhida inclui a inteligência executiva, operacional, o Eu executivo.

Marina chama pois personalidade ao modo como uma pessoa aplica as suas capacidades nas diferentes situações da vida real. É um conceito interactivo pois tem a ver como o indivíduo escolhe e realiza os seus planos pessoais, aplicando os seus recursos pessoais.
Transpondo tudo isso para o campo da sobredotação, conclui-se facilmente que, independentemente de qual o tipo que a criança manifeste, o seu comportamento na vida e a sua caminhada em busca de objectivos (de felicidade, de sucesso, etc.) dependem muito de factores genéticos mas também, e em maioria, de factores manipuláveis ligados à estimulação, ao meio familiar, à comunidade, à educação, à época em que vive, etc. Como afirma o psiquiatra e escritor Augusto Cury, há, pois, "múltiplas variáveis que intervêm multifocalmenteno processo da formação da personalidade".
O papel dos companheiros, das amizades, dos pais e dos educadores é, por conseguinte, muito importante e envolve muita responsabilidade.

A sabedoria é o talento para fazer perguntas.
Ela está aberta à experiência. O seu contrário é a estupidez.
A sabedoria não é uma saber teórico, mas prático.
Termina, por isso, na acção, que é a última e
definitiva prova de inteligência.
José António Marina, in Aprender a Viver
Dizer que a personalidade humana se constrói
a partir dos genes, do ambiente social e dos
factores psicológicos é indubitavelmente simplista,
reducionista.
Há múltiplas variáveis que intervêm multifocalmente
no processo da formação da personalidade.
Augusto Cury, in Inteligência Multifocal

Escola de Sobredotados na imprensa

O semanário EXPRESSO vai publicar, dentro em breve, um trabalho sobre o projecto da Escola de Sobredotados (1º Ciclo) anunciado para o Algarve pela Universidade da Criança/Instituto da Inteligência.
Sobredotados avaliados
aos longo de 50 anos!
A sobredotação é estudada há quase um século!

Quem desconhece a problemática da sobredotação pensa muitas vezes que se trata de uma matéria sobre a qual os psicólogos falam de ânimo leve e apenas com base em intuições. Uma vez por outra, lendo os comentários dos leitores dos jornais on-line, deparámo-nos com críticas e insinuações que põe em causa o trabalho sério e rigoroso dos especialistas de todo o mundo que, desde há muitos anos, se debruçam sobre a sobredotação intelectual e o talento humano. A matéria tão pouco é recente ainda que, por vezes, a comunicação social a apresente ao grande público como sendo uma novidade "científica". Daí os equívocos, as omissões e as dúvidas.
Ora os estudos mais clássicos da sobredotação intelectual têm quase 100 anos! Os primeiros remontam aos anos 20 do século passado e devem-se a L.Terman. Foi este investigador quem realizou os primeiros estudos sobre a sobredotação ao longo da vida (longitudinais).
Eis , a título de curiosidade, um resumo do que se passou. A pesquisa inicial (1925) envolveu cerca de 1500 crianças da Califórnia de ambos os sexos que haviam obtido pontuações superiores a 140 na escala psicométrica de Stanford-Binet. Ao longo dos anos seguintes o grupo foi observado por quatro vezes.
A primeira reavaliação ocorreu cinco anos depois (1930). Observou-se então uma ligeira diminuição nos valores do Q.I. mas 80% dos alunos tinham avançado nos seus estudos escolares. Completados vinte cinco anos desde a primeira avaliação foram recolhidos novos dados. Os resultados foram tornados públicos em 1947. Na generalidade, os sujeitos observados tinham tido êxito no percurso académico.
A terceira avaliação fez-se aos 35 anos após a formação do grupo. Estava-se já em 1960. Verificou-se então que 85% dos sujeitos haviam frequentado o ensino superior e destes 70% tinham concluído a sua formação. Comparado com o grupo de controlo inicial, os sobredotados tinham conseguido resultados académicos superiores. Do conjunto de todas as pessoas envolvidas no grupo inicial elas haviam publicado até ao momento mais de 2 mil artigos científicos e técnicos e escrito cerca de 60 livros de ciências e artes e cerca de 30 romances. Do grupo destacaram-se alguns inventores que, no conjunto, fizeram o registo de cerca de 230 patentes.
Em 1968, foram publicados os resultados da quarta e última avaliação do grupo. Mantinham-se em concordância com as conclusões anteriores. Feito um novo teste de Q.I. a um grupo de 115 elementos seleccionados em 1925 a pontuação média foi de 140. Em relação ao nível de sucesso obtido ao longo da vida houve uma concordância geral: a grande maioria dos sujeitos observados conseguira lograr êxito nas diferentes actividades em que se envolveram na vida adulta confirmando as previsões iniciais.
Visite também as páginas
"Ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, quando se fala em crianças sobredotadas, não são aqueles geniozinhos típicos de filmes norte-americanos da sessão da tarde, que tiram notas fantásticas e constroem computadores para as feiras de ciências. A realidade, porém, pode ser bem diferente: os sobredotados são pessoas comuns, que também tiram notas baixas e muitas vezes nem conhecem o seu potencial".
Jane Chagas (psicóloga) e Denise Fleith (professora)


Sobredotados pobres
podem fracassar na escola

Um documento divulgado pelo Instituto da Psicologia da Universidade de Brasília (Brasil) revela que crianças talentosas de classes sociais baixas têm mau aproveitamento escolar e que a formação dessas crianças depende da conduta familiar.
Uma pesquisa realizada por aquela universidade com pré-adolescentes e adolescentes de baixa renda revela que o rendimento escolar de sobredotados é similar ao dos outros alunos. O trabalho mostrou, inclusive, que esse desempenho pode ser mau, pois 42% dos sobredotados que participaram dos estudos já reprovaram ou estão defasados em relação ao ano letivo. No caso dos outros alunos, esse número chega a 50%.
A psicóloga Jane Farias Chagas atribui esse dado a factores como dificuldades socioeconómicas, tédio do estudante, má organização do currículo escolar e preparação dos professores. "O superdotado de baixa renda encontra dificuldades muito maiores e têm realidades diferentes daquelas vividas pelos mais abastados, o que reflete directamente no seu rendimento escolar", afirma Jane. Muitos têm de trabalhar e estudar, dependem de vários transportes diariamente e não encontram na escola pública um ambiente rico em recursos sócio-culturais que respondam às suas expectativas. "Eles acabam não tendo condições de explorar seu potencial e ficam frustrados", reforça a pesquisadora.
Precisamente por causa do desempenho acadêmico insatisfatório, muitos sobredotados passam despercebidos. "É necessário um olhar mais apurado para perceber o potencial dessas crianças e dar um acompanhamento correcto", explica Jane. Dos 67 alunos matriculados na turma especial para sobredotados em que Jane foi professora, apenas 14 eram menos favorecidos. "Mais retraídos e com baixa auto-estima, esses talentos podem ser perdidos se pais e professores despreparados não entenderem que notas baixas não significam falta de capacidade", alerta a psicóloga. Já existe um programa daquele instituto voltado para dar orientações a pais de crianças sobredotadas.
Saber como funciona a estrutura familiar é indispensável para entender como uma criança desenvolve sua sobredotação. "É necessário que o talento da criança seja estimulado para que este potencial possa emergir", afirma a psicóloga Denise Fleith. O que determina um sobredotado é ter habilidades acima da média em uma ou várias áreas, acadêmicas ou artísticas, ser criativo e extremamente motivado. Assim, a inteligência cartesiana não basta: é necessário um apoio externo. "QI alto não significa sobredotação", reforça Denise. Segundo ela, Pelé é um sobredotado na sua área, mesmo que na infância tenha tirado notas péssimas em matemática.
Aquele instituto tem oferecido treino e apoio técnico a professores e psicólogos da Secretaria de Educação do Distrito Federal de Brasília, os quais têm classes especiais voltadas para os alunos talentosos.
"Mas notamos que a família também era carente de informações", explica Denise. Segundo ela, oferecer apoio global à formação do sobredotado depende de uma orientação escolar correta, mas também de um ambiente familiar fértil.
Nesses encontros, os pais conversam com os psicólogos em grupo e individualmente, esclarecem dúvidas, apresentam seus medos, problemas e sucessos na criação dos filhos. Para Denise, a possibilidade de conhecerem as realidades de outros pais é essencial para ajudá-los a entender e conviver com os filhos especiais. "O contacto entre eles é importantíssimo para trocas estratégias bem sucedidas e para aprender a contornar dificuldades que outros já enfrentaram", argumentou.
Problemas comuns
nas crianças sobredotadas

Perfeccionismo exagerado
As crianças sobredotadas perfeccionistas são vítimas de frequentes episódios de ansiedade porque nem sempre conseguem realizar as coisas com o esmero, o detalhe e a qualidade que elas próprias esperam de si. O seu mecanismo de resposta, o controlo de reacção, é um processo de auto-censura exigente. Por outro lado, podem ser alvo fácil da chacota dos colegas menos preocupados com o rigor dos desempenhos.
Criatividade mal aceite
Ao contrário das perfeccionistas, as crianças criativas podem revelar-se muito espontâneas, anárquicas e desorganizadas. Têm dificuldade em seguir as regras rebelando-se contra a autoridade estabelecida. Os seus impulsos criativos podem gerar inesperadas reacções por não serem facilmente aceites em ambientes conservadores, até na escola onde o espaço para a autêntica criatividade esteja muito limitado.
Impulsividade perigosa
Os sobredotados impulsivos tendem a responder e a agir de forma inesperada e impaciente, mostrando-se incapazes de controlar a necessidade de actuarem rapidamente em quase tudo. Quando são empreendedores, a impulsividade leva-os a não perderem tempo com detalhes. Quando são aventureiros são práticos, imediatistas e gostam de correr riscos. Desmotivam facilmente quando são forçados a ritmos mais lentos e se lhes exija um comportamento tranquilo.
Hipersensibilidade emocional
Muitas crianças sobredotadas são de uma elevada sensibilidade ao meio onde estejam (casa, escola, etc.). A sua susceptibilidade à incompreensão, à falta de manifestações de afecto e às atitudes de rejeição ou até de menor atenção para com elas empurra-as para a tristeza, o isolamento intencional e a melancolia. O seu humor pode oscilar facilmente em função da leitura que façam do ambiente humano que as rodeie.
Isolamento por opção
Os sobredotados de elevada inteligência e com interesses muito específicos tendem a isolar-se dos outros quando estes não são capazes de os acompanhar nas suas escolhas ou até nos seus raciocínios. Fecham-se então no seu mundo, por vezes de forma obsessiva. Muitos são referidos como introvertidos, impopulares, ansiosos e inseguros.
Academia de Sobredotados na SIC
O canal de televisão SIC transmitiu, no dia 5 de Julho, sábado, no programa O Mundo É Pequeno, apresentado por Artur Albarran, um trabalho da jornalista Catarina Machado dedicado à sobredotação. A reportagem, realizada no Porto e em Lisboa na última semana de Junho, contou com a participação do neuropsicólogo N. Lima, Coordenador Nacional do Instituto da Inteligência e da Academia de Sobredotados. Foram abordadas várias áreas de interesse tais como o ensino para sobredotados, os problemas de adaptação, Cristiano Ronaldo, etc. A reportagem recolheu também um depoimento do neurologista Prof. Carlos Caldas.
Instituto da Inteligência (2008)
Os meninos (autistas) sábios!
Um mistério para a Ciência!
Desenho de Ig Giles Trehin da cidade imaginária Urville. Ig é autista e inventou uma cidade do século XII a.C. Ao longo dos anos foi acrescentando pormenores actualizando a história da cidade em função de um hipotético desenvolvimento económico, social e cultural imaginado.
Visite o site de Ig Giles > http://www.urville.com/


Continuam a ser um mistério para a Ciência.
O seu talento, em algumas operações mentais e nas artes,
é fora de série. São os chamados savants.
Também são conhecidos como subdotados excepcionais.
Antigamente eram referidos como idiotas-sábios.

Estamos a falar do Síndrome Savant. Ele resulta de uma anomalia genética que surge em algumas crianças com atraso mental e em alguns autistas que lhes permite obterem excepcionais desempenhos em áreas muito específicas da execução mental.
As crianças savants chegam a ter um Q.I. que se situa entre os 40 e os 70 pontos, um quociente intelectual fraco. Um terço dessas crianças são autistas. O traço excepcional que apresentam é geralmente unifocal, ou seja, prende-se apenas com uma habilidade muito específica e em que são superiores à pessoas de Q.I. médio (100) ou até às sobredotadas.
Por exemplo, os savants em cálculo são obcecados por números. Revelam uma memória fotográfica altamente precisa e uma extraordinária rapidez na obtenção de resultados podendo ultrapassar, por vezes, a velocidade dos computadores pessoais. É conhecido o caso de um rapaz que, em apenas 2 minutos, consegue calcular o número total de segundos que existem, por exemplo, em 18 meses a partir de uma determinada data. Já os savants hábeis em cálculo de calendário conseguem determinar o dia de uma qualquer data futura ou passada.
Os savants musicais têm preferência pelo piano. Pensam os cientistas que esta preferência parece dever-se ao facto do piano produzir sons e tonalidades organizados em linha, graças à disposição das teclas. Julga-se que também estabelecem uma ligação emocional com os sons, podendo revelar-se autênticos prodígios de interpretação. Não conseguem, todavia, ser compositores brilhantes visto que estão muito limitados na sua capacidade criativa.
No desenho também há savants. Apresentam algumas singularidades como alta habilidade para a reprodução realista de figuras, em especial imagens naturalistas, e espantosa memória visuo-espacial. Desenham habitualmente de memória com grande precisão geométrica. Ig Giles (ver desenho) é um deles.
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Mentes prodigiosas!
Um dos estudos mais conhecidos sobre o fenómeno savant foi realizado pelos investigadores Darold Treffert e Gregory Wallace. Num artigo publicado na revista Scientific American Mind eles relataram alguns casos excepcionais.
É o caso de Leslie Lemke que se revelou um músico virtuoso aos 14 anos quando interpretou primorosamente o Concerto nr. 1 para Piano de Tchaikovsky poucas horas depois de o ter ouvido uma única vez na televisão. É invisual e sofre de parilisia cerebral.
Outro exemplo é Richard Wawro´s, um artista plástico de renome, com obras expostas no Vaticano e considerado pela crítica como sendo um "fenómeno incrível". É autista.
Kim Peek, um memorizador de enciclopédias e mapas, surpreendeu os investigadores por ter conseguido memorizar palavra a palavra o conteúdo de 7.600 livros e todos os mapas dos Estados Unidos. Mostrou-se capaz de saber todos os códigos postais e os nomes dos canais de televisão privados do país. Foi este homem que inspirou a personagem de Reymond Babbit, interpretada por Dustin Hoffman no filme Rain Man (Encontro de Irmãos).
Mais antigo mas não menos interessante é o caso de "Blind Tom" Bethume (1849/1908) que foi considerado a "oitava maravilha do Mundo". Embora não conhesse mais do que 100 palavras consta que conseguia tocar mais de 7 mil peçasde piano.
Também algumas crianças com o Síndrome de Williams - uma anomalia genética que produz baixa aptidão intelectual e problemas sérios no sistema cardiovascular - podem exibir um extraordinário talento musical. Elas possuem alta sensibilidade para discriminar sons. Por causa disso demonstram muito interesse e entusiasmo pela música sendo capazes de fixar facilmente melodias e letras por longos períodos.
Reportagem sobre a Escola de Sobredotados
Uma equipa da Agência LUSA esteve no Instituto da Inteligência/Algarve em trabalho de reportagem sobre a futura escola de crianças sobredotadas. No ocasião foi entrevistado o Dr. Ricardo Monteiro, nosso director regional e responsável da Universidade da Criança.
Seja um voluntário do nosso projecto
ENSINO SEM FRONTEIRAS
(inscrito na o.n.g > Free The Children)
Visite-nos em (clique) > Ensino sem Fronteiras
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Evento
SEMINÁRIO SOBRE
Crianças Índigo: para além do mito.
Uma abordagem multidisciplinar.
Uma visão descomprometida, não contaminada nem tendenciosa, sobre uma matéria polémica que tem os seus seguidores e os seus adversários. Neste seminário pretende-se abordar o tema nas suas vertentes antropológicas, sociológicas, psicológicas, filosóficas e teológicas.
Instituto da Inteligência
Porto: 13 de Setembro, das 15 às 18 horas.
Peça-nos mais informações.

O nosso planeta é um mundo integrado num mundo mais vasto: o sistema solar, a galáxia, o universo no seu conjunto. O novo esforço desenvolvido para se alcançar uma visão integral, global, tem em conta essas realidades mais amplas: a procura das nossas origens, o nosso lugar e o nosso papel na natureza e no cosmos. Esse esforço para chegarmos a uma visão global evidencia-se em vastos domínios da cultura e da sociedade contemporânea. É um indício de sanidade e de vitalidade numa época de confusão e incerteza.
Ervin Lazlo, Academia de Viena, ex-director de investigação na ONU
Universidade do Minho
TESE DE DOUTORAMENTO. Título "Alunos sobredotados : a aceleração escolar como resposta educativa". Autora: Dra. Ema Patrícia de Lima Oliveira. Orientadores: Prof(s). Leandro de Almeida e Franz S.Mönks. Data: 19/Out/2007. Informe-se > AQUI + AQUI.
Vigoroso apoio do governo britânico aos alunos sobredotados!
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O reconhecimento da necessidade dos Estados apoiarem os alunos que revelem sobredotação está a aumentar em todo o mundo. Um dos mais recentes casos é o do Reino Unido o qual, em 2007, actualizou toda a sua política nesta matéria e institucionalizou uma série de medidas.
Para se informar sobre o assunto entre directamente na página que o governo inglês possui na internet. Leia > AQUI.
Informe-se também sobre o Programa Nacional de Educação para Sobredotados > Find out about the national programme for gifted and talented children (opens new window).
Desde 2006 que o Ministério da Educação britânico tem instruído as escolas para que façam a identificação dos alunos, com idades entre os 11 e os 19 anos, que estejam entre os 5% melhores passando a ficar registados na Academia Nacional de Sobredotados e Talentosos (National Academy for Gifted and Talented). O governo britânico estima que 200 mil alunos estão nessas condições, a maioria dos quais já estão inscritos. Saiba mais em > National register to help gifted pupils reach their potential.
O governo inglês também reconhece e apoia a Associação Nacional de Crianças Sobredotadas. Saiba mais aqui > More about National Association for Gifted Children (opens new window).
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Governo da Austrália também apoia crianças sobredotadas
O Governo Australiano tem vindo a apoiar as crianças sobredotadas. Datam de 1999 algumas das principais medidas. Informe-se no site do Parlamento Australiano >
http://www.aph.gov.au/Senate/Committee/EET_CTTE/completed_inquiries/1999-02/gifted/report/contents.htm
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Governo português reconhece que há alunos sobredotados e dá sugestões aos professores!
Muitas pessoas ignoram que o Estado português também reconhece a existência de sobredotados, o que é uma atitude de louvar. Embora faltem medidas mais específicas e amplas(como acontece no Reino Unido, por exemplo) a verdade é que, já em 1998, o Departamento do Ensino Básico do Minsitério da Educação publicou um extenso documento interno intitulado "Crianças e Jovens Sobredotados - Intervenção Educativa".
De acordo com aquele documento, destinado aos professores, os agentes educativos devem aprender a identificar os alunos sobredotados e talentosos de forma a proporcionar-lhes condições para que tenham sucesso. Eis o que, entre muitas outras sugestões, o dito documento propõe nas salas de aula:
- aceitar que as crianças e jovens são capazes de exprimir competências específicas e excepcionais (sobredotação e talento) e proporcionar um clima de sala de aula que traduza expectativas favoráveis ao sucesso;
- construir m clima de sala de aula no qual as crianças e jovens sintam que podem manifestar as suas diferentes capacidades;
- ter em atenção que os alunos sobredotados (também) apreciam o reconhecimento e o elogio como todas as crianças e jovens.
O mesmo documento dá uma série de ideias aos professores para saberem trabalhar com alunos sobredotados. Por exemplo, os professores são solicitados a prestarem atenção aos seguintes sinais de precocidade e sobredotação: os alunos mais avançados nos estudos - os melhores nas aprendizagens/os mais criativos e originais/os que melhor escrevem/os melhores no penamento científico/os mais motivados e envolvidos nas aprendizagens/os mais preferidos pelos colegas (líderes) e os que perturbam mais (às vezes estes são alunos de elevado potencial que se sentem inadaptados e expressam-se através de comportamentos desajustados). Leia o documento aqui > Min.Educação (os sobredotados na escola).
Talento
O que é o talento? O talento, diferentemente da sobredotação, encerra o conceito de engenho, habilidade para algo e ser capaz da sua realização com êxito. Para muitos autores, o talento é a manifestação de uma inteligência por meio de uma ou mais habilidades com significado social expressivo. Vejamos um exemplo.
Yves era um miúdo tímido que evitava fazer desporto e adorava teatro. Tinha talento para o desenho mas a sua arte exprimia-se melhor na construção de bonecos e no desenho de roupa. O pai queria que ele estudasse Direito mas aos 17 anos de idade inscreveu-se na Chambre Syndicale de la Haute Couture, em Paris. Em pouco tempo ganharia o seu primeiro prémio e seria contratado pelo famoso Christian Dior.
Passou por várias crises no início da vida adulta. Sofreu depressões e abusou de álcool e drogas. Mais tarde criaria a sua própria marca de roupa. A primeira colecção foi exibida em 1962 com total êxito. Chamava-se Yves Sant-Laurent e foi considerado um "génio" da moda. Links interessantes: Pierre Bergé Yves Saint Laurent Foundation e Yves Saint Laurent.
Confunde-se por vezes ousadia com talento. Os aventureiros, que gostam de correr risco de vida, são, por vezes, admirados pela sua audácia e classificados como talentosos na sua "arte". Ora, na verdade, vivem mais entregues ao seu temperamento do que à inteligência. Não é a reflexão mas o impulso que cria os destinos dos aventureiros. Parecendo o cúmulo da liberdade, não é mais do que o cúmulo do determinismo!
(texto adptado do pedagogo e filósofo espanhol José António Marina)
Quando os testes de Q.I. assustam
"Quando eu era aluno da escola primária fracassei miseravelmente nos testes de Q.I. a que me submeteram. Os testes angustiavam-me terrivelmente. O simples facto de ver que um psicólogo da escola entrava na sala de aula para fazer um teste originava em mim um ataque de pânico. Para mim, o jogo de testes estava terminado antes de começar. E sempre com o mesmo resultado: a minha derrota. Na prática, fracassas no teste e perdes o jogo se, em consequência do exercício, passas a ser conhecido como "parvo". Não é preciso ser um génio para imaginar o que acontece a seguir.
Ninguém espera demasiado de um imbecil. Não há dúvida de que os meus professores dos primeiros anos da escola primária não esperavam muito de mim. E eu, como muitos dos alunos, desejava fazer-lhes a vontade. De modo que lhes dava o que estavam à espera".
Confissão de Robert J. Sternberg, nascido em 1949, nos Estados Unidos. Viria a tornar-se num dos mais conhecidos e reputados especialistas em Psicologia da Inteligência! Foi presidente da American Psychological Association. É membro dos quadros editoriais de numerosas publicações científicas. Possui um doutoramento da Stanford University e nove títulos de doutor honoris causa.
É autor da conhecida Teoria Triárquica da Inteligência. Apesar de ser um académico, não tem receio de afirmar coisas como "as universidades tradicionais não deveriam treinar os alunos para ser enciclopédias ambulantes".
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Inteligência bem sucedida (ou inteligência triunfante)
Na verdade, os testes de inteligência têm, sem dúvida, uma grande utilidade para descobrir atrasos muito sérios, ou algumas deficiências pontuais, mas são menos úteis para avaliar as capacidades da inteligência da vida real.
Segundo o famoso pedagogo espanhol J. A. Marina, devemos distinguir dois modos diferentes de inteligência: uma, a inteligência estrutural, estrictamente cognitiva e relacionada com o pensamento, a aprendizagem e a elaboração mental e, outra, a inteligência prática.
Assim, J. A. Marina entende que, do ponto de vista educativo, prático, ético e político, parece-lhe mais importante falar de "personalidade inteligente", isto é, das que se comportam inteligentemente.
O exemplo de Robert Sternberg aponta-nos no sentido de uma inteligência bem-sucedida: ela junta a capacidade de racionar, aprender e tomar decisões. É uma personalidade inteligente!
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É muito importante respeitar o ritmo biológico das crianças para poderem ter tempo para brincar sozinhas ou brincar em grupo, estarem activas ou desejarem descansar. Uma pedagogia baseada na auto-aprendizagem faz com que as crianças ganhem mais autoconfiança e consigam ultrapassar-se a si próprias.
Conselhos de Daniel Dubois, investigador em Ciências Aplicadas, autor do livro O Labirinto da Inteligência.
Computadores e cérebro humano: quem vencerá?
"In order to move to a hyper-human future, we need to mobilize hyper-human skills right now such us clear, sensible thinking as well as caring, responsible goal setting, planning and determination" - escreve Richard W Samson, director of the Era Nova Institute (consultar o site: http://www.eranova.com/).

Num mundo cada vez mais dominado pela tecnologia e a computação torna-se evidente que muitas profissões ligadas à Era Industrial vão desaparecer. Muitas outras irão sofrer metamorfoses. E outras serão criadas. Estas pertencerão ao domínio das chamadas actividades "meta-mentais" (ou hiper-humanas) e estão a salvo da omnipresença dos computadores. São actividades que necessitam de um organismo vivo de inteligência superior. Porque é nesse território que os computadores perdem.
De que capacidade e competências estamos a falar? De várias, a saber:
percepção consciente e controlo motor; capacidade de iniciativa e intencionalidade; valores éticos; sentimentos; criatividade e imaginação; reflexão; tomadas de decisão subjectivas; formulação de hipóteses; habilidades sociais.
Sobre este e outros temas leia a página da nossa Academia do Futuro. Clique aqui >Mentes para o Futuro!
Leia também a nossa página >Sociedade do Conhecimento!
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Existem dois tipos de inteligência mal-sucedida: a inteligência danificada devido a danos estruturais biológicos e a inteligência fracassada devido a erros de educação e problemas sociais!
Lunáticos ou psicológicos?
Lunáticos e psicológicos! É assim mesmo que Robert B Reich, economista norte-americano que foi Secretário de Estado do Trabalho da governação Clinton, divide as pessoas tendo em consideração a personalidade e a sua relação com o mundo.Vamos lá perceber isto.
Integram o grupo dos lunáticos todos aqueles que tenham uma inteligência criativa, sejam ousados, inventivos, e apaixonados pela novidade e pela descoberta. Eles são capazes de ver novas possibilidades num determinado ambiente deleitando-se em explorá-las e desenvolvê-las. Têm ideias excelentes e podem ser capazes de análises brilhantes. Geralmente são menos bons nas relações interpessoais (H.Gardner diria que são menos hábeis na inteligência social).
E os do tipo psicológico? Cabem neste grupo aqueles que percebem facilmente e até intuitivamente o ambiente e as necessidades das pessoas sendo capazes de criar respostas para elas. "São os mais lúcidos quando se trata da substância das coisas" - escreveu Reich. E, por isso, gostam de falar com pessoas, ouvi-las, orientá-las, descobrir o que lhes vai na alma. Comparativamente com os lunáticos são menos imaginativos (Sternberg diria que são menos hábeis na inteligência criativa).
A sociedade actual necessita muito destes dois tipos de pessoas. Mas onde a procura é maior do que a oferta é no grupo dos lunáticos, nesses tipos criativos capazes de romper com o que já está estabelecido, surpreendendo-nos com as suas ideias e inovações.
E quando o tipo lunático e o tipo psicológico se juntam numa só pessoa? Bem, então temos tipos excepcionais como Bill Gates, Steven Spielberg, Gianni Versage, Stephen King e muitos outros "que - como diz Reich - possuem uma capacidade fantástica de inventar coisas que as pessoas desejam". Incluindo música, claro, de que são bons exemplos nomes como os do compositor Leonard Bernstein e da pianista Martha Argerich.
Jovens criam e gerem Escolas de Liderança!


LEADERS TODAY é uma reputada organização mundial envolvida em projectos de liderança para jovens, alcançando cerca de 350 mil participantes anualmente. Ela actua em centros próprios, em escolas e comunidades em diferentes países, dando especial atenção às regiões do chamado Terceiro Mundo. Fundada em 1999 pelos irmãos Craig (então com 17 anos de idade) e Marc Kielburger (da o.n.g. Free The Children), a LEADERS TODAY é a mais importante organização do seu género em todo o mundo actuando no desenvolvimento pessoal de jovens através de actividades de educação para a liderança.
Visite o site da LEADERS TODAY. Clique > aqui!
Ser inteligente não significa ser um intelectual. A inteligência não consiste em acumular informações e conhecimentos. Ser inteligente é, na verdade, ser criativo. Mais ainda, significa viver de forma criativa.
Osho
Muitos autores tomam como padrão da inteligência a inteligência humana. Eu refuto totalmente este ponto de vista (...). O cérebro humano não é o único suporte de inteligência. A evolução das espécies até ao aparecimento do homem com o seu cérebro consciente deve ser considerada como um processo altamente inteligente.
Daniel Dubois (doutorado em Ciências Aplicadas)
O sobredotado líder
e o despertar do homo sapiens holisticus

Os homens do futuro já estão instalados nos nossos filhos. Milhões de crianças brincam com computadores, navegam na internet e estabelecem laços com um mundo novo que forma uma autêntica tecnosfera em torno do planeta. Comparativamente aos pais, as crianças da Sociedade da Informação vivem de forma mais acelerada, têm acesso mais rápido ao mundo que os rodeia, vêem as coisas com um outro olhar. Elas não passaram pelas mesmas etapas dos adultos. Estes viveram as transformações do mundo de uma forma gradual. Os filhos, não.
"Tempos diferentes produzem mentes diferentes" - clamam os psicólogos sociais Don Edward Beck e Christopher Cowan. O nosso ADN psicocultural está em acelerada mutação embora desde há milhares de anos estejamos a "peregrinar de um despertar para outro, tornando-nos seres ligeiramente diferentes em cada um" - acrescentam.
Segundo outro psicólogo, Mihaly Csikszentmihaly, assistimos hoje à expansão do espaço psicológico em direcção a personalidades multifacetadas e a um planeta muito mais complicado. Enquanto a maioria das pessoas vive ainda segundo padrões de pensamento muito marcados pelos valores, ideologias, crenças e modelos de vida ligados às últimas décadas do século XX, talvez uns 0,1% dos humanos vivem já segundo um novo padrão de actividade cognitiva. São os primeiros humanos de uma nova fase de evolução: a do homo sapiens holisticus.

A superioridades dessas crianças revela-se a pouco e pouco por todo o mundo. Um dos melhores exemplos é Craig Kielburger. Em 1995, quando ainda tinha 12 anos, fundou uma organização não-governamental denominada Free The Children, destinada a lutar pelos direitos das crianças. Os seus membros, distribuidos por muitos países (45), têm entre 8 e 16 anos de idade.
Num livro publicado em 2000 pela UNESCO ("As Chaves do Futuro"), Craig escreveu que um dos objectivos da organização foi a criação de uma rede mundial de crianças e o estabelecimento de um programa internacional de ajuda à infância (até ao presente, a organização já construiu mais de 400 escolas em todo o mundo). Leia aqui a biografia de Craig.

O cientistas sociais apontam este jovem como um bom exemplo do novo homo sapiens holisticus. O espiritualista Emmanuel Saskiá diria que este novo homo sapiens é intuitivo-sintético, situando-se no terceiro nível de evolução. É muito inteligente, tanto racional como social, é sobredotado líder e luta para transformar a sociedade de consumo, neurótica e escravizante. Dedica-se ao próximo e a causas humanitárias sem qualquer interesse, sendo movido pela autêntica solidariedade. Considera-se cidadão transnacional, ultrapassou os muros dos nacionalismos e trabalha sem distinções de pessoas ou grupos em planos de longo prazo.
A urgência com que todos os povos aguardam um mundo diferente conduzido por líderes inteligentes e visionários, centrados em novos valores, capazes de nos devolverem a paz e a harmonia universais, faz-nos olhar para estas crianças e acreditar que ela talvez sejam capazes de governar as nações, as empresas e as demais instituições que sustentam a nossa sociedade de uma forma mais justa, harmoniosa e igualitária.
Veja o site da organização > Free The Children. Vídeos > Click here to view additional videos.
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O espírito humano hoje está atrasado em relação à globalização que não domina. O espírito está atrasado quanto aos problemas globais que acometem o planeta.
O ser humano do futuro deve inverter esta pretensa normalidade do atraso do espírito. Pois já não podemos permitir-nos estar atrasados. O ser humano do futuro deve, de agora em diante, estar adiantado.
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A globalização do mercado e das tecnologias, a planetarização das questões ambientais deveriam, no bom sentido, estar acompanhadas por uma consciência moral e política à altura do que está em jogo.
Philippe Quéau (UNESCO)
Sobredotados ou Génios?
Todos os autores modernos envolvidos no estudo da sobredotação não consideram apropriado atribuir-se a palavra génio a crianças, por muito excepcionais que sejam.
A classificação de génio deve apenas ser aplicada a indivíduos cuja obra ou actividade tenha contribuído de forma original e valiosa para o avanço de uma área específica do progresso humano. Por isso mesmo, são considerados génios nomes como Voltaire, Goethe, Freud, Stravinsky, Ghandy e Picasso, entre outros. Infelizmente, a comunicação social insiste, por vezes, em chamar de génios às crianças sobredotadas.
Santo Agostinho relacionara a palavra génio ao talento inventivo nas suas manifestações superiores. O filósofo idealista alemão Kant (1724-1804) escreveu que a palavra génio - que deriva de genius - "significa o próprio espírito do homem, o que lhe foi dado ao nascer, que o protege e o dirige, de cujas sugestões provêm as ideias originais". Mas a palavra ficava reservada aos grandes artistas. Assim, escreveu Kant, "o talento do descobridor chama-se génio. Mas esse nome só se dá ao artista, àquele que sabe fazer alguma coisa, não àquele que conhece e sabe muito; e não de se dá ao artista que imita apenas mas àquele que é capaz de produzir a sua obra com originalidade". Mais abrangente foi Hegel (1770-1831) que entendia que a palavra génio deveria ser empregue "não apenas para designar os artistas mas também os grandes líderes e os heróis da Ciência".
Todavia, durante muito tempo, a genialidade foi considerada uma dádiva do destino. O filósofo idealista Johann G. Fichte (1762-1814) disse mesmo que o génio "era um favor especial da Natureza".
A psicologia popular, embore associe a palavra à inteligência superior, não esconde os seus receios: o génio andará próximo da loucura, do exótico, do extravagante, da anormalidade. O génio tem ideias bizarras, "pensa demais", pertence a outro mundo. Não obstante, os jornais desportivos e muitos adeptos do futebol consideram Cristiano Ronaldo um génio. É um talentoso excepcional para o futebol mas a palavra génio não será excessiva neste caso?
Há quem defenda, porém, e em definitivo, que o génio é aquele que descobre, inventa ou produz algo de novo e de grande significado e impacto para a Humanidade podendo então dizer-se que Leonardo da Vinci, Mozart ou Edison entram na galeria dos génios. Ou seja, depois de obra feita, considerada genial e de valor indiscutível para o destino do mundo.
"Os homens realmente superiores são aqueles em quem o conhecimento dos princípios da Sabedoria é inato. Em segundo lugar, vêm aqueles que adquiriram esse conhecimento pelo estudo. E em terceiro lugar aqueles que, a despeito da sua pouca capacidade, se esforçaram por conquistá-lo. Os que não têm capacidade nem vontade de aprender constituem a última classe de homens".
Confúcio (filósofo e estadista chinês, fundou o "Salão do Pensamento Claro" e viveu entre 551 e 479 a.C.).
A propósito do ensino: "A diferença mais autêntica é esta: a escola para consumidores (massificada) está morta e fingir que está viva não impede a putrefacção a que está sujeita e diante de todos; uma escola viva e nova só pode ser uma escola para criadores. E nela, por conseguinte, não se pode estar como "estudantes" ou como "professores" mas antes como homens inteiros!"
Filippo Nibbi, in Exercícios de Fantasia
Os sobredotados e o pensamento crítico

Entre os vários tipos de pensamento muito frequentes nas crianças sobredotadas destaca-se o chamado "pensamento crítico". Não se trata da disposição para criticar por criticar mas é algo mais complexo e que, quando bem construído, destaca as crianças sobredotadas das crianças comuns, menos habilidosas nestes domínios da arte de raciocinar.
O pensamento crítico reflecte o modo como as pessoas percepcionam o mundo e envolve, entre outras aptidões, a capacidade de fazer "juizos" de tal modo que criticar é exercitar o julgamento sobre algo. Tem igualmente a ver com "analisar", "classificar", "conceptualizar", "deduzir", "diferenciar", "interpretar", "investigar", "ponderar", "questionar", "ser céptico", "tirar conclusões", etc.
Na verdade, o pensamento crítico, muito pouco promovido nas nossas escolas, não é um processo mecânico mas uma parte inseparável do pensamento que pode ser melhorado. A avaliação crítica daquilo que se aprende nas aulas raramente é admitida no ensino formal onde se espera que os estudantes aceitem como verdadeiro o que lhes é dito e muito raramente são encorajados a questionar os ensinamentos recebidos.
Os sobredotados com melhor disposição para o pensamento crítico podem ser demolidores e desconfortáveis para os professores que nem sempre aceitam ser questionados e muito menos admitem a "arte da dúvida". Muitas crianças apresentam uma capacidade crítica muito desenvolvida, levantam questões novas e embaraçam os professores. É um dos motivos por que muitos professores, menos preparados ou menos pacientes, não apreciam a ideia de poderem ter na sala de aula algum sobredotado, especialmente aqueles mais "académicos" ou "científicos", em geral mais "ferozes" no uso da crítica.
Isto não faz dos sobredotados pessoas populares mas é preferível a terem de se sujeitar ao conformismo passivo.
Segundo uma pesquisa realizada a 400 adultos proeminentes do século XX mais de metade declarou que, em jovens, foram alunos infelizes ou sem grande sucesso na escola.
DE ONDE VEM A SOBREDOTAÇÃO?
Uma visão (quase) provocatória!


O seguinte artigo traz para primeiro plano algumas questões que muitas pessoas consideram ainda sem resposta convincente, nomeadamente a génese da sobredotação. Afinal, o que é que faz com que 3% da população seja sobredotada e alguns excepcionalmente sobredotados? Os defensores da Conscienciologia dizem que a sobredotação não reside apenas numa excepcional estrutura do cérebro. Neste artigo (adaptado) do jornalista Daniel Muniz fala-se de algo mais.

"O indivíduo sobredotado é alguém com inteligência além da média em uma ou algumas áreas (altas habilidades). Nos estudos da sobredotação, os especialistas da ciência convencional, restricta à materialidade, "acreditam" que a genética contribua com 50% das capacidades, inteligências, sobredotações e até genialidades de qualquer indivíduo.
Supõe-se que existam diversos genes envolvidos na formação das capacidades, talentos, habilidades e potencialidades. A palavra suposição cabe aqui justamente pelo facto de não se conhecer esses genes até o momento. Apesar desta suposição, a genética deveria demonstrar altas capacidades vindas de outros indivíduos da família, próximos ou distantes, do indivíduo genial, mas não é esta a realidade. Portanto, ao que tudo indica, comprar genes de gênios não garante crianças igualmente geniais.
Ainda quanto às pesquisas da ciência convencional, os outros 50% responsáveis pela formação tanto do génio quanto do indivíduo medíocre estariam ligados, ou seriam dados, pela relação do indivíduo, homem ou mulher, com o meio. Nos estudos da mesologia são inúmeras as possibilidades de contactos a serem realizados e os aprendizagens advindos deles. Porém, uma criança precoce, sobredotada, não teve tantos contactos assim, na vida actual, para formar suas altas habilidades, sua sobredotação ou sua genialidade.
O cérebro humano possui cerca de 100 mil milhões de neurónios. O diferencial, no caso das sobredotações está na quantidade de conexões entre os neurônios. Este diferencial vem da quantidade de conexões estabelecidas entre as células nervosas do cérebro (neurónios). Quanto maior a quantidade de conexões, em diferentes áreas de especialização, maiores as possibilidades de associações originais de idéias.
Isso quer dizer, obviamente, que a pessoa que quiser pode, ao longo do tempo, "exercitar" o cérebro de diversos modos. Uma ou mais inteligências superdesenvolvidas, ao que tudo indica, surgem do esforço e do suor da consciência que buscou aprender e experimentar, auto-formando-se, ao longo de múltiplas vidas. Este é o esforço contínuo e, para quem não se considera sobredotado ou superinteligente, deve começar o quanto antes.
O ideal, neste caso, será superar inclusive a monodotação: a inteligência muito desenvolvida em apenas uma área, buscando, ao máximo que seja possível, desenvolver todas as potencialidades pessoais visando a polivalência e a polimatia.
Algumas condições que contribuem para ganhos nesta área novos hábitos de pensar, exercício da memória, desenvolvimento da atenção, busca da clareza na interpretação de informações e do estabelecimento de raciocínio interpretativo e crítico (discernimento).
Informações para isto não faltam. Aliás, é preciso filtrar o que é prioritário para evitar a dispersão e a perda de tempo com informações inúteis, fúteis ou apenas mercantilistas. Sempre conta mais o desenvolvimento da maturidade.
Mas, por que uma criança estabelece mais conexões do que outras em 3 ou 4 anos, contando os meses da gestação, em um cérebro novo?
O conceito conscienciológico de paragenética ajuda a pensar e buscar uma compreensão mais ampla neste tipo de caso. Em Conscienciologia, a paragenética é a especialidade que estuda a genética composta e integral, adstricta a todas as heranças da consciência, através das experiências adquiridas em vidas intrafísica anteriores e em períodos extrafísicos entre estas vidas.

A paragenética compõe-se destas informações, armazenadas:
1. No psicossoma (corpo emocional, extrafísico);
2. No mentalsoma (corpo mental, sede extrafísica da consciência).

O psicossoma e o mentalsoma são os corpos que registram as experiências e fixam as características que influenciarão a nova genética desde o momento da formação do novo corpo.
Pela Hipótese da Serialidade Existencial (múltiplas vidas), o psicossoma e o mentalsoma são os mesmos ao longo das múltiplas vidas, carregando em si as capacidades, potencialidades e aprendizados adquiridos.
Entre outros atributos, atribui-se à paragenética: elegância pessoal, refinamento nas atitudes, bom gosto, vocação profissional, carisma, estilo de manifestação, nível de cosmoética, índole ou carácter.
Estatísticas indicam que, em qualquer país, independente da condição económica, nascem, em média, 3 sobredotados a cada 100 pessoas. Vejamos então 10 características da personalidade sobredotada:

- Humor aguçado;
- Pensamento abstracto precoce;
- Curiosidade intensa;
- Rapidez para aprender;
- Independência de idéias e atitudes;
- Gosto por desafios;
- Poder agudo de observação;
- Vocabulário inusitado para a série escolar ou idade;
- Persistência nos objectivos;
- Constância destas características ao longo da existência.

Sobredotação, no entanto, não é um indicador e alta maturidade e sim de alta habilidade em certo contexto. Verifica-se, por exemplo, que é preciso dar atenção especial ao sobredotado, ou à sobredotada, pois pode ocorrer de esta personalidade, às vezes brilhante em alguma área e actuação intelectual, viver com carências afectivas e dificuldades no convívio social. Na história da humanidade encontram-se casos de personalidade com altos potenciais e genialidade em certa área e grandes "brechas na maturidade" em outros contextos, como por exemplo estes 4:
Albert Einstein é conhecido pela desorganização pessoal (por exemplo a financeira); tabagista, afirma-se que chegava a pegar pontas de cigarro na rua para cultivar o vício.
Charles Darwin, o pai da Teoria da Evolução das Espécies, era considerado tímido (acanhamento), talvez pelo receio quanto à exposição de suas idéias, evitando-se assim indispor-se junto à Igreja.
Isaac Newton, criado sem pai e longe da mãe, era considerado de personalidade fechada e agressiva.
Sigmund Freud, em função do seu vício (tabagismo), desactivou o corpo físico devido a um câncer na boca (efeito) com o qual conseguiu conviver por algum tempo graças ao uso da cocaína como analgésico.
Também é comum encontrar sobredotados que creditam seus potenciais a um "dom" oferecido por uma entidade fora e si mesmo.
Uma outra possibilidade, a nosso ver mais interessante, é buscar o estudo a respeito da quantidade de vidas dispensadas ao desenvolvimento daquela habilidade específica. E mais, verificar se a facilidade em determinada área não está causando acomodação evolutiva.
Afinal, a evolução pessoal consiste, ente outros aspectos, em aprender e melhorar-se naquilo que não se sabe bem ainda, e não apenas em repetir o que já se sabe".


Texto de Daniel Muniz
Jornalista e professor

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ALBUQUERQUE, Christiana; Esperança na cabeça: Encontro de especialistas vai debater a contribuição de superdotados para o mundo; Revista Época; Semanário; Secção: Educação; Editora Globo; São Paulo - SP, 24.08.1998, p.76-77.
CAVALCANTE, Rodrigo; Pimpolhos sabidos; Revista Superinteressante; Mensário; Secção: Curiosidade; Editora Abril; Ano 15; N. 03; Ed. 162; 04 ilus.; Março/2001; São Paulo - SP; p. 70-75.
FERRARO, Tânia; Superdotação e aplicabilidade de talentos pessoais; Anais da II Jornada de Educação Conscienciológica; Editora IIPC; Rio de Janeiro - RJ; 2003, p. 107-117.
HORTA, Luiz Paulo; De genes e de gênios; O Globo; Diário; Seção: Opinião; Editora Globo; Rio de Janeiro - RJ; 2a ed.; 14.02.2001; p. 07.
MELLO, Mariana; Gente como a gente; Revista Superinteressante; Mensário; Secção: Curiosidade; Editora Abril; Ano 15; N. 03; Ed. 162; 04 ilus.; Março/2001; São Paulo - SP; p. 64-67.
VIEIRA, Waldo; 200 Teáticas da Conscienciologia; Editora IIPC, Rio de Janeiro - RJ; 1997; p. 153.
INFOGRAFIA:
CARELLI, Gabriela; O gênio da vez: O superdotado americano de 13 anos já terminou a faculdade, criou uma fundação internacional e foi indicado para o Nobel da Paz; Revista Veja; Semanário; Editora Abril; São Paulo - SP; Ed. 1.800; 30.04.2003.
DICA > Para que o seu filho floresça num mundo competitivo e exigente escolha, se possível, escolas e universidades onde ele seja livre de pensar, duvidar e perguntar.
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"As salas de aulas, mesmo nos países que mais honram a democracia política, nem sempre são albergues da democracia das ideias, mas do autoritarismo das ideias. Por isso, as escolas formam homens que retransmitem o Conhecimento, mas que não são Pensadores Humanistas".

"Fico imaginando quantos ilustres pensadores, que de alguma forma também foram críticos do sistema académico, que não tiveram a sua produção de conhecimento abortada pela postura autoritária das universidades de se colocarem como o centro da produção e da validação do conhecimento e como o centro exclusivo da produção de intelectuais, de cientistas, de pensadores, de teóricos. Parece paradoxal, mas o sistema académico não apenas forma intelectuais, mas também sufoca pensadores, mesmo dentro dos seus muros".

"A cultura e a escolaridade têm sido ineficientes para formar pensadores nos seus amplos aspectos psicossociais, inclusive pensadores que tenham uma macrovisão da espécie humana, que tenham uma paixão humanística e poética por ela".

> By Augusto Cury, psiquiatra e escritor, membro honorário da Academia de Sobredotados e autor de Inteligência Multifocal (1998).

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Novos saberes!

O mundo moderno, globalizado, multicultural, onde se vive sob uma constante sensação de urgência, exige que demos aos nossos filhos uma preparação muito diferente daquela que nos formou a nós, adultos.
São muitas as advertências e conselhos que surgem um pouco de todo o lado, de tal forma que os educadores não sabem, por vezes, que fórmulas seguir.
Selecionámos 6 chaves para o sucesso da autoria do conhecido e afamado consultor Stephen Rhinesmith. Vejamos quais são.
Competência para Gerir a Competitividade. Exige uma disposição mental que é de "procurar-se uma perspectiva maior e mais ampla" do mundo. Apoia-se no Conhecimento.
Aprender a Gerir a Complexidade. Exige competências de raciocínio analítico e intuitivas. O quadro mental a desenvolver é o "equilíbrio de contradições".
Gerir a Adaptação às Organizações. Vivemos integrados em organizações diversas: famílias, escolas, empresas, nações, etc. Esta competência exige Flexibilidade Mental e Auto-confiança.
Saber Trabalhar num Clima de Incerteza. Saber estudar e trabalhar num mundo em constante mudança e que todos os dias nos surpreende com novidades (boas e más). Exige Capacidade de Avaliação e Julgamento. Pede aptidão para Fluir, "surfar sobre as ondas". A rigidez de comportamento e de mentalidade pode conduzir ao desastre.
Gerir a Aprendizagem Pessoal e o Aperfeiçoamento Constante. Exige capacidade reflexão e uma Mente Aberta.
Capacidade de Liderança e Gestão de Equipas. Aprender a trabalhar inseridos em grupos. Exige-se que saibam lidar com uma grande diversidade de pessoas, estilos de pensamento, ideias e valores. A característica mais importante a desenvolver: a Sensibilidade.
As crianças sobredotadas e o futuro
Uma das grandes preocupações dos pais das crianças sobredotadas centra-se no que respeita ao futuro que as espera. Isto é particularmente sentido na adolescência quando se aproxima a hora dos filhos optarem por um curso superior. Nesta etapa da vida surgem, por vezes, muitas interrogações.
Julgamos ser normal acreditar-se que os jovens sobredotados serão adultos bem sucedidos e proeminentes. Afinal, são pessoas com um conjunto de potencialidades que fazem inveja a muita gente: inteligência, criatividade, elevada capacidade de aprendizagem, etc.
Pois não é bem assim. Um número muito significativo de sobredotados trilhará caminhos vulgares e andarão longe das luzes da ribalta.
Segundo a investigadora Hellen Winner, o mito de que os sobredotados terão futuros brilhantes é fortalecido pelo facto de que muitas pessoas eminentes e criativas, ao longo da história humana, terem mostrado habilidades excepcionais na infância. Ora, segundo a mesma estudiosa, "a maioria dos sobredotados jamais se desenvolve plenamente; muitas crianças sobredotadas malogram".
Muitos pais, deparando-se com esta constatação, talvez se inquietem: de que serve então ser sobredotado se, no final de contas, isso não garante o sucesso na vida?
Comecemos pelo princípio. A sobredotação significa que se é dotado de capacidades superiores à média em alguma área específica (inteligência, criatividade, inventividade, talento artístico, etc.). Temos, por conseguinte, crianças que à partida se apresentam com um nível superior de desempenho em algum domínio específico. Será isto garante sucesso na vida? Não.
O êxito académico e/ou profissional depende de muitos factores, vários dos quais não têm nada a ver com a sobredotação ou o talento que se revele em criança. Quais são esses factores? Vejamos alguns seguramente decisivos:
- o empenho e a energia com que se entreguem no trabalho;
- a capacidade de concentração e a preserverança;
- o interesse e a motivação;
- a auto-confiança e a segurança naquilo que fazem;
- a autonomia;
- o inconformismo;
- a capacidade para assumir riscos e enfrentar os fracassos.

No seu todo e para além da inteligência, da criatividade ou do talento há também factores de personalidade que ajudarão ou não a criança a atingir o sucesso. Alguns desses factores podem ser trabalhados:
- presença agradável;
- optimismo e entusiasmo;
- autodeterminação;
- convicções fortes;
- sentido de visão (ter uma ideia do futuro desejado);
- capacidades de comunicção com os outros;
- capacidade de concretização (inteligência executiva);
- charme e simpatia;
- qualidades de liderança.
Alguns cursos da nossa Academia visam precisamente despertar nas crianças sobredotadas a consciência para estes aspectos que não são trabalhados na escola e geralmente ficam dependentes da influência de terceiros e de alguma aprendizagem pessoal nem sempre bem estruturada.
Foto: Amelie Lied Haga, norueguesa, nasceu em 1990. Começou a estudar música aos 7 anos. Aos 12 anos de idade recebeu o seu primeiro prémio num concurso nacional de jovens músicos da Noruega, seguindo-se outros também a nível internacional.

Treinar a mente para o futuro!

Howard Gardner é mundialmente reconhecido pela sua teoria das Inteligências Múltiplas. É professor de Cognição na Universidade de Harvard, autor de 20 livros e detentor de 21 títulos honoris causa.
Sintonizando-se com os novos tempos, Gardner acaba de definir as 5 capacidades cognitivas que acredita serem preciosas (imprescindíveis mesmo) para todos quantos queiram ter sucesso na era da globalização. Vejamos, resumidamente.

1º A mente disciplinada:
Deve ser racional, lógica, organizada, metódica, consistente, orientada para a apreensão de novos saberes. Aplica-se na escola, nas aprendizagens, na educação formal, no trabalho. Exige método, disciplina, interesse em saber mais, autodomínio e objectivos precisos.

2º A mente sintetizadora:
É integradora, interdisciplinar, contextualizadora, multiperspectivista. Ajuda a que sejamos capazes de juntar os diversos conhecimentos, tirar conclusões e retirar delas novos entendimentos, uma melhor compreensão das coisas e dar consistência ao que retemos na memória semântica (a que regista os conhecimentos aprendidos de forma estruturada).

3º A mente criadora:
É divergente, inventiva, imaginativa, aberta, inovadora. Já hoje tornou-se num tipo de mente decisiva para os governos, as empresas e os diversos profissionais. A criatividade e a inventividade permitem a inovação - determinante para o futuro da sociedade humnana.

4º A mente respeitadora:
É compreensiva, tolerante, aglutinadora, convergente. Exige inteligência social para que possamos ter o "outro" como pessoa interlocutora e que merece o nosso respeito. É a base das relações humanas equilibradas, sadias e construtivas.

5º A mente ética:
É valorativa, socialmente responsável, madura, altruísta. Visa a boa cidadania, a cultura de valores sociais e altruistas, pressupõe força de carácter e consciência social

Todo este conjunto de estruturas representam tipos de mentes que serão precisas se se quiser - se quisermos prosperar nas eras vindouras e que exigirão competências que até agora eram meras opções, diz Howard Gardner.
Gardner defende que a nossa preparação e a dos nossos filhos para os novos tempos exige o aprofundamento daqueles tipos de mentes se quisermos ter os líderes, gestores, técnicos e cidadãos de que precisamos para povoar o nosso planeta.

Assim,
- os indivíduos que não tenham uma ou mais conhecimentos (geridas pela mente racional) não conseguirão ter sucesso em qualquer local de trabalho exigente e estarão restringidos a tarefas menores;
- os indivíduos sem capacidades sintetizadoras serão subjugados pela informação e serão incapazes de tomar decisões sensatas acerca de assuntos pessoais e profissionais;
- os indivíduos sem capacidades criadoras serão substituídos por computadores e afastarão aqueles que têm chama criativa;
- os indivíduos que não sentem respeito não serão merecedores do respeito dos outros e poluirão o local de trabalho e o espaço público;
- os indivíduos sem ética produzirão um mundo desprovido de trabalhadores sérios e cidadãos responsáveis: nenhum de nós quererá viver nesse planeta desolador.
Ler: Gardner, Howard, Cinco Tipos de Mentes, Actual Editora, 2008.
Vivemos, na actualidade, uma verdadeira crise de formação de pensadores. Somos gigantes na Ciência e meninos na maturidade da Inteligência.
Estamos entulhados de informações, mas não somos engenheiros de ideias que sabem pensar e utilizar construtivamente essas informações; por isso, padecemos de tantas chagas psicossociais.
Augusto Cury
Primeira escola para crianças sobredotadas em Portugal!
Para 2008 pretende a Universidade da Criança, sediada em Portimão, abraçar um novo projecto: a primeira escola a nível nacional para crianças sobredotadas, em parceria com o Instituto da Inteligência.
A Universidade da Criança, hoje tutelada pela Associação Nacional de Pedagogia da Universidade da Criança, tem vindo, em parceria com o Instituto da Inteligência, a dotar a região algarvia de uma nova plataforma de intervenção educativa.
Informações: algarve@institutodainteligencia.net
Cursos de Verão para Crianças e Adolescentes Sobredotados.
Lisboa, Porto e Algarve.

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Um concurso de poesia para alunos superdotados (Brasil)
Informa Bip Brasília News
Por meio da I BIP, a Biblioteca Nacional de Brasília e o Núcleo de Actividades de Altas Habilidades/Superdotação do DF (NAAH/S-DF), com apoio da Embaixada da Espanha e do SESC/DF, promovem o I Prêmio Talento Literário/Poesia em Superdotação para estudantes da rede pública de ensino, em nível nacional, independente de idade ou série.
O concurso está com inscrições abertas até 13 de junho próximo, visando a estimular e divulgar o potencial literário dos alunos superdotados atendidos nas Unidades da Federação em que o NAAH/S está implantado. Cada Núcleo estadual deverá organizar e coordenar a inscrição dos participantes, como também estabelecer o processo de escolha e classificação do melhor texto, que deverá ser enviado à Biblioteca Nacional de Brasília. Ao receber os 27 melhores poemas de cada Estado, um Comitê Nacional declarará o vencedor nacional do concurso.
O prêmio será entregue durante a realização da I BIP, quando também será lançado um livro com os 27 textos selecionados. Editado em português/espanhol, o livro de Poesia em Superdotação será prefaciado por um crítico de renome nacional.
Segundo os organizadores do I Prêmio Talento Literário/Poesia em Superdotação, professores Olzeni Ribeiro e Josué Mendes, da Secretaria de Estado de Educação do DF, o concurso pretende estimular também uma importante discussão em torno da questão das altas habilidades: quantos futuros gênios ainda hoje passam despercebidos, porque famílias e escolas nem sempre sabem identificar em seu meio um indivíduo superdotado?

Concurso I Prêmio Talento Literário/Poesia em Superdotação – Contatos para entrevista: Josué Mendes - 8174.0094 josue@emeeditora.com.br e Olzeni Ribeiro - 9113.8858.
As crianças devem aprender a arte da pergunta, a arte da dúvida e a arte da autocrítica. Com a primeira alargam os seus horizontes; com a segunda protegem-se contra a rigidez intelectual; com a terceira vacinam-se contra a paranóia das grandezas.
Energia para os sobredotados!
Uma vez por outra ouve-se dizer que os sobredotados têm uma energia mental superior ao dos outros indivíduos....Daí a sua superioridade intelectual, por exemplo. E, por conseguinte, não estarão tão necessitados de qualquer reforço energético. Já têm que chegue. Será assim?
Os sobredotados, como quaisquer outras pessoas, carecem de vários tipos de energia para sobreviverem, terem saúde, sentirem-se bem e darem o seu melhor.
Por exemplo, uma alimentação saudável significa obter, em quantidade suficiente, energia física através das vitaminas, minerais, proteínas, ácidos gordos essenciais e outros nutrientes para satisfazerem as necessidades orgânicas. Frequentemente, um indivíduo sobredotado trabalha mais do que a média, o seu intelecto exige mais do cérebro (concentração, resistência ao stress, aprendizagem, reflexão, etc.) e necessita ter capacidade de resistência para outras solicitações.
Devido ao excesso de trabalho ou por pressão das actividades académicas ou profissionais, a falta de sono, dietas pobres e outras situações do quotidiano os níveis de energia descem, por vezes perigosamente.
Não é apenas a energia física que se queima mas também a energia psíquica (mental) e a energia espiritual (mais relacionada com as emoções e os sentimentos).

Como aumentar a energia mental
Sendo a energia mental resultante dos processos metabólicos é necessário, em primeiro lugar, cuidar do estado de saúde, não apenas do cérebro mas de todo o organismo. Uma alimentação completa, equilibrada e cuidada, sem carências nem excessos, melhoram a função cognitiva, incluindo a memória, a aprendizagem, a concentração, etc. Exemplos de alimentos amigos do cérebro são os suplementos vitamínicos e minerais, a fruta, o peixe, etc.
Outras ajudas por vezes espectaculares podem vir de práticas como a Meditação (relaxa e aumenta a energia mental), a Vizualização (permite centrar o pensamento em imagens positivas e estimulantes), o Pensamento Positivo (uma postura optimista sobre os problemas), Técnicas de Respiração (o oxigénio é vital para a produção de energia) e a Massagem (promove o relaxamento e melhora o sono).

Como aumentar a energia espiritual
A energia espiritual, considerada pela medicina holística como a mais importante de todas as que nutrem o ser humano, depende de um número impressionante de factores: não apenas os de origem orgânica (alimentos) como também dos nossos sistemas de crenças, forma física, relações sociais, acontecimentos da vida, etc.
Melhorar o estado de espírito passa pelo trabalho relacional, o exercício da solidariedade para com os outros, a prática de comportamentos que reforcem a auto-estima, etc. Pode também usar-se técnicas de suporte espiritual como a arte, a música e as terapias de movimento (ioga, t´ai chi e qigong).
Outros aspectos a levar em consideração na estratégia energética é aprender a fazer uma boa gestão do tempo (dá mais controlo sobre a vida, liberta tempo para o lazer e o descanso), o controlo do caos (muitas vezes os sobredotados são indivíduos desorganizados pois metem-se em muitas tarefas ao mesmo tempo) e aprender técnicas motivacionais (optimizam todo potencial da pessoa, aumentam a auto-estima e permitem assumir um melhor controlo sobrfe a via pessoal).
Um cérebro grande não traz grandes vantagens sobre um seu congénere mais compacto, estando a magia toda na funcionalidade.
Sobredotados preferem música "heavy metal"?
Segundo a agência de notícias EFE, a música "heavy metal" é a preferida pelas crianças sobredotadas do Reino Unido, que encontram neste som visceral uma forma de catarse, segundo uma pesquisa feita entre estudantes da Academia Nacional para Jovens de Talento. Grupos de rock pesado como Slayer e Slipknot estão entre os favoritos entre os maiores intelectos do país, que parecem gostar também das letras com mensagens políticas e de forte carga emocional.
Uma pesquisa feita entre estudantes da academia, à qual têm acesso apenas 5% dos jovens com mentes mais brilhantes do país, revela a predileção destes pela "brutalidade visceral" do "heavy metal". Mais de um terço dos entrevistados incluiu o "heavy metal" entre seus estilos favoritos. Os responsáveis pela pesquisa reconheceram a sua surpresa ao ver que os estilos menos populares entre os sobredotados eram os que tradicionalmente são associados às mentes mais privilegiadas, como jazz e música clássica.
O responsável pela pesquisa, Stuart Cadwallader, da universidade de Warwick, disse que os resultados obtidos mostram que estes jovens encontram no "heavy metal" uma espécie de "catarse", de forma particular os que, apesar da inteligência superior, têm baixa auto-estima. Esse tipo de música "agressiva" serve também para que canalizem suas frustrações e insatisfação, disse Cadwallader, em conferência realizada na British Psychological Society, na cidade inglesa de York.
De acordo com Cadwallader, "as pressões associadas à condição de sobredotado talvez possam ser esquecidas, temporariamente, com a ajuda desta música".
Quem é sobredotado?
É difícil determinar a precocidade do desenvolvimento mental de uma criança e é particularmente difícil avaliar em crianças muito pequenas. Os educadores reconhecem dois tipos de dotes, o intelectual e o criativo, e os programas para crianças sobredotadas hoje são rotulados "para sobredotados e talentosos".
Os indivíduos sobredotados intelectualmente são pensadores lógicos, capazes de muita concentração interior e têm QI de 130 ou mais. A maioria das pessoas sobredotadas criativamente são imaginativas, adaptáveis e é provável que se envolvam em trabalhos artísticos; elas têm QI de pelo menos 120.
Crianças brilhantes e saudáveis, provenientes de ambientes estimulantes, frequentemente podem-se enquadrar nessas classificações. Normalmente, elas são muito questionadoras sobre o mundo ao seu redor, são criativas com as palavras quando estão aprendendo a falar e, enquanto estão brincando, são criativas com os brinquedos. Alguns adoram livros e aprendem a ler bem antes da idade escolar. Eles são ávidos para aprender e alguns mostram, logo cedo, indícios de um interesse e de um talento especiais para música, arte, teatro ou dança.
O mundo da fantasia é um chamado forte para alguns, que usam a imaginação de modo criativo.
Avaliando crianças sobredotadas
Se você é mãe ou pai de uma criança que pode ser sobredotada, provavelmente você está feliz com isso. Mas, ao mesmo tempo, pode estar preocupado. Você pode estar dividido entre pressionar demais e estimular o suficiente para desafiar o seu filho brilhante.
Uma avaliação formal é a maneira mais confiável para determinar se o desenvolvimento de uma criança a situa na classificação oficial dos superdotados e talentosos. Uma criança que sabe ler aos 3 ou 4 anos é considerada pronta para os testes, mas os pais devem ter consciência de que uma avaliação feita tão cedo talvez não seja tão correta quanto uma feita mais tarde.
A avaliação de uma criança sobredotada deve ser realizada por uma pessoa ou por um serviço que tenha experiência com crianças pequenas e também com os testes e métodos de interpretação apropriados. Isto envolve o uso de certos testes padronizados que medem o desenvolvimento dos níveis de habilidade e de talento, mas a avaliação quase nunca envolve o uso de testes de inteligência, em razão da instabilidade do QI em idades precoces.
Os resultados de uma avaliação indicam quais as áreas de aprendizagem que uma criança pode começar a dominar em idade precoce e o nível de leitura apropriado para a criança. Uma vez conhecidos os resultados, você pode considerar opções como entrar mais cedo para a escola e o envolvimento em programas especiais.
Características das crianças sobredotadas
Muitas crianças sobredotadas e talentosas não lêem antes de ir para a escola; a leitura precoce não é o único critério de uma habilidade mental ou criativa excepcional. Se você tem interesse que uma avaliação seja feita com o seu filho e ele não sabe ler, é uma boa idéia acumular provas de informação. Mantenha um registo escrito de suas observações sobre o comportamento avançado do seu filho. Use exemplos e anote características como estas:
- fala precoce, com vocabulário semelhante ao de um adulto e questões ou observações excepcionalmente perspicazes ou astutas;
- memória excelente;
- habilidade especial para desenho ou outro trabalho artístico;
- habilidade de se concentrar numa actividade por longos períodos de tempo.
Os educadores também sugerem que você continue a encorajar a curiosidade natural do seu filho, sem pressionar ou forçar. Proporcione quaisquer experiências enriquecedoras que puder, principalmente as que o seu filho gosta. Aproveite oportunidades em livrarias, museus infantis e afins. Tente encontrar outros pais dispostos a se juntar a vocês e dividam o seu conhecimento e entusiasmo enquanto levam as crianças a passeios educativos adequados.
Procure oportunidades na sua vizinhança: uma construção, onde o seu filho pode ver camiões, máquinas e materiais de construção; o quartel de bombeiros local; uma viagem de autocarro pela cidade, que pode ser uma experiência emocionante para uma criança que em geral só anda de carro.
Há experiências de aprendizagem disponíveis em quase toda a parte por onde você anda com o seu filho. Lembre-se de que a mais sobredotada das crianças é criança em primeiro lugar, sobredotada depois.
É fácil tratar uma criança sobredotada como se ela fosse mais velha; no entanto, elas são imaturas para algumas coisas. Ao mesmo tempo em que a criança brilhante de 3 anos pode ter a capacidade cognitiva de uma de 5, ela pode ter a coordenação corporal ou o desenvolvimento social e emocional de uma de apenas dois anos e meio.
Todas as crianças, quaisquer que sejam os seus potenciais e capacidades, precisam do amor, da atenção e dos conselhos de pais que não tentem transformá-los em miniaturas de adultos.
Se você tem um filho sobredotado ou talentoso, explore a idéia de iniciar um programa de aprendizagem precoce.
Fonte: Consumer Guide, a Publications International Ltd.
A sociedade humana avançou porque, ao longo da sua história, apareceram uns tipos que conseguiam ver além do óbvio e daquilo que lhes aparecia à frente do nariz. Esse fulanos pensavam pró-activamente! Eram inventivos! A invenção da roda é um bom exemplo disso!
O que significa ser inteligente?

Costuma-se dar ao conceito de inteligência uma interpretação nem sempre lisonjeira. Arrogância, insensibilidade, racionalismo exacerbado, estranheza, estes são alguns adjectivos pouco elogiosos que podem ser associados ao exercício de conhecimento e aprendizagem intensos, frequentemente ligados à inteligência. A pessoa inteligente pode ser considerada excêntrica, algo deslocada do meio usual – é admirada ao mesmo tempo que é temida. Pode se transformar em alguém preso a complexas formas de expressão, a estudos complicados e excessivamente especializados, longe da realidade comum e quotidiana – seriam homens e mulheres que passam suas vidas tentando compreender a migração dos ursos pardos da Sibéria, ou as interações bio-moleculares dos sistemas genéticos humanos, ou ainda os efeitos das energias gravitacionais nos campos estelares binários. Para a maioria das pessoas, o uso da inteligência pode representar uma espécie de barreira à normalidade social (como podemos conversar com um intelectual sem cair naqueles assuntos rebuscados – e algo entediantes – que eles tanto gostam?), ou pelo menos uma estranha forma de viver. Na escola ou universidade, costumamos desprezar nossos colegas muito inteligentes, considerando-os desajeitados socialmente, feios, separados da realidade "legal" das festas e da superficialidade divertida. Pois, sob muitos aspectos, o conhecimento pode se tornar opressivo, sério, confrontador. A grande maioria dos seres humanos pouco conhece, ou elabora, aqueles assuntos considerados complexos demais, alienígenas demais. Ao mesmo tempo, a idéia de que possamos falar idiotices diante de pessoas brilhantes nos aflige, nos deixa na defensiva, temendo a humilhação inevitável que o confronto intelectual pode conduzir a todo indivíduo que ousa enfrentar as tortuosas vias do conhecimento.
De certo modo, existe realmente um aspecto pedante na inteligência. É possível encontrar homens ou mulheres de grande conhecimento, e que no entanto sofrem com excesso de orgulho ou vaidade intelectual. Eu até mesmo considero esta uma das mais graves moléstias passíveis de ocorrer na mente humana, quando ela sucumbe aos excessos opinativos, à inúteis elucubrações, ao exercício do conhecimento puramente acumulado e sem nenhuma sabedoria. Mas não devemos imaginar que este processo existe devido à inteligência em si; ele ocorre única e exclusivamente em função dos limites egoístas que podem acometer a uma pessoa, e o egoísmo vem a ser uma moléstia que provoca o desequilíbrio perceptivo sob muitos prismas, de muitas formas.
Mas, afinal, uma pessoa de conhecimentos é uma pessoa inteligente? Qual seria o critério que determina o sentido último da capacidade intelectual humana? Na verdade, a inteligência (como fenómeno perceptivo) possui uma natureza insuspeita, muito além do simples acúmulo de idéias, técnicas ou "expertise". Sim, eu sei que novas propostas sobre a natureza da inteligência surgiram nas últimas décadas, mas não é minha intenção apresentar uma abordagem pioneira sobre o assunto; meu interesse é simplesmente refletir sobre o papel na inteligência no exercício da compaixão. Para isso, devo apresentar minha visão do fenómeno intelectual sob um aspecto que irei denominar como inteligência integral. É um conceito já previamente delineado por pensadores antigos e modernos influenciados pelas escolas fundamentadas no humanismo universalista da philosophia perennis, além das escolas orientais de consciência, conhecidos por sua abordagem integrativa da percepção. Aqui eu gostaria de argumentar um pouco mais sobre o termo, dando-lhe algumas facetas que, penso, ainda não foram plenamente exploradas – pelo menos não sob o prisma da psicologia buddhista.

Como todo aspecto da vasta potencialidade mental humana, a inteligência possui gradações. Pessoas cruéis e insensíveis podem ser muito inteligentes, pessoas competitivas ou agressivamente combativas também. Há pouco tempo li um comentário de alguém que, após um período em que se afirmava afastado de toda polêmica, sentia-se "diminuído" – sentia que não havia crescido como pessoa. O conceito de aprendizagem e amadurecimento passa por muitas interpretações, e essa diversidade é que torna a inteligência humana talvez o mais difícil fenómeno mental a ser estudado e corretamente compreendido.
O facto é que não posso afirmar a existência de uma inteligência "melhor", mas posso sustentar que é possível atingir um nível de inteligência mais integral, convergente, construtivo. O problema é que tal forma de experiência mental não passa pelo aprimoramento de discussões, ou pela complexidade de conceitos filosóficos, pela sustentação de polêmicas ou elaborações analíticas. O caráter integrativo da inteligência passa pelo desenvolvimento (quero dizer, exercício) do mais importante trinómio na psicologia buddhista: discernimento saudável, discriminação correcta e atenção plena. Desta forma, o conceito de inteligência sob o prisma contemplativo buddhista aponta para um processo cuidadoso, gradual e constante de libertação perceptiva baseado na profunda auto-observação e auto-regulação. Ora, nossa mais comum interpretação sobre como se dá o aprimoramento da inteligência se baseia em um processo completamente diverso – e tipicamente egóico – de acumulação, diferenciação e, claro, disputa. Por outras palavras, valorizamo-nos como inteligentes se formos capazes de demonstrar acúmulo de conhecimentos, se somos capazes em demonstrar as diferenças entre conceitos, afirmações ou opiniões ou se formos eficientes em impor nossas concepções em disputas intelectuais, religiosas, analíticas e quaisquer outras. A inteligência se caracteriza portanto, no contexto simples das posturas quotidianas, como um processo restrito ao concretismo analítico da vida ou, no outro extremo, ao exercício de convicções ideológicas várias.
Mas tal forma de inteligência não comporta as nuances da compreensão consciente das coisas – a inteligência diferenciadora não permite que a percepção integrada ocorra em nossas mentes, e é justamente uma das barreiras ignorantes que têm levado a grande massa da humanidade ao seu mais insalubre caos emocional, social, político e econômico. Para que a consciência fluida e livre aconteça (no âmbito da inteligência integral), o exercício de compreensão precisa atingir outros níveis de aprimoramento, muito além de nossas idiossincrasias racionais. Este tipo de compreensão, no contexto da meditação, não se define apenas como a capacidade de entender diferenças, ou conceitos intelectualmente elaborados; a compreensão meditativa consciente tem a ver com a quintessência da compaixão sob a óptica buddhista, ou seja, tem a ver com a nossa capacidade de perceber o mundo de uma forma mais amigável, atenta e reflexiva – sem disputas, sem conflitos – e entendê-lo de uma forma profundamente aberta e simples.
A compaixão é comumente vista como uma virtude caridosa, uma empatia com o sofrimento alheio. E realmente ela irá actuar neste campo, sempre associada ao que há de mais belo na natureza humana. Mas no sentido buddhista a mente compassiva (Bodhicitta) deve ser entendida como uma mente onde a inteligência actua sob a égide do discernimento, da correta discriminação, e do mais profundo exercício de plena atenção (concentração sutil). Justamente quando a mente consegue acessar o potencial maravilhoso da inteligência sob a luz de uma percepção integrativa daquilo que é interpretado e cognitivamente analisado, teremos o fenômeno da compaixão ocorrendo de uma forma plena em nosso ser, curando a dolorosa ferida do egoísmo e da falta de respeito à existência.

A compaixão é um fenômeno da percepção, e não apenas um belo ímpeto idealista. Ela precisa ser vivenciada a partir da mais libertária forma de compreensão das coisas, e de uma mente realmente purificada dos graves equívocos conceituais, muito comuns em nossas mentes ainda anuviadas por vícios de hábito egoístas. Porque, na verdade, a compaixão direcciona-se para todo e qualquer ser vivo ou até mesmo objetos inanimados, sob qualquer condição; ela não tem a ver apenas com os seres que sofrem dores, privações ou violência. Ela tem muito a ver também com aqueles aparentemente belos e famosos, ricos e privilegiados ou então com os mais cruéis exemplos de ignorância humana. A mente bodhicitta compreende (e apreende) a todos, sem exceção. E o faz não por bondade ou condescendência, mas por profunda clareza de compreensão e discernimento sobre aquilo que realmente representa o sofrimento humano: a ignorância de si mesmo. E a ignorância é um mal que acomete a todos, e pode ser mais terrível justamente com aqueles aparentemente privilegiados por status social, beleza física dinheiro ou poder.
Da mesma forma que outras características de nossa mente, a inteligência também precisa fazer parte do processo de cura e transformação que fundamenta o exercício de crescimento interior, buscado e praticado por todos que realmente desejam experimentar uma mudança para melhor em si mesmos (e por si mesmos). A inteligência e a compaixão, quando vivenciadas em uma mente integrativa e perspicaz, caminham sempre juntas. Desta forma, posso afirmar que os homens e mulheres mais inteligentes são justamente aqueles que sabem compreender o mundo, que aprenderam a compor entre si, e que superaram a necessidade de polêmicas e conflitos. E os homens e mulheres mais compassivos são aqueles que superaram a diferenciação, e compreendem o caráter realmente universalista das ações que podemos ter diante da inevitável impermanência da vida – diante das perdas, misérias ou futilidades. São pessoas dinâmicas e com um discurso claro, capazes de parar e ouvir, superar erros e admitir seus limites. Não serão necessariamente intelectuais tarimbados, cheios de títulos ou conhecimentos complexos. Mas também não serão tolos, simplórios. A inteligência integral apresenta-se muito além dos rígidos conceitos acadêmicos tanto quanto das ingênuas fantasias esotéricas. Ela ocorre quando aprendemos a viver sem medo, enxergando o mundo com olhos simples, mas ainda assim muito, muito atentos à diversidade da existência.
Ao final, em si mesmo o dom da inteligência não é estranho, arrogante ou excêntrico – não nos conduz gratuitamente a um afastamento da alegria e do bem estar comum, não condena ninguém a um isolamento social – se somos assim, o seremos devido aos nossos próprios limites de consciência. A inteligência é um bem útil ao processo de iluminação humana, e fundamental para todo praticante do Caminho. Mas não, a inteligência não é em si mesma garantia de perspicácia, fluidez e coerência; será o indivíduo que determinará qual tipo de inteligência ele mesmo irá adquirir ao longo de sua vida: se aquela tolamente presa ao usufruto egoísta da razão, ou se aquela fundamentada em sabedoria reflexiva e correta compaixão diante da vida.
A sua vida depende muito do quanto (e como) você valoriza seu dom de aprender e perceber. Não se imagine suficiente; aqui e agora, busque mais de si mesmo. Se você lograr caminhar confiando em sua capacidade de transformação, certamente experimentará os méritos das descobertas saudáveis do ser, e fundamentará em si a mais integral forma de inteligência e esclarecimento. E essa sua conquista pessoal será também uma grande conquista para o bem maior da humanidade.


Contributo: Tam Huyen Van (2007)
Qual o papel dos genes e do ambiente na sobredotação?
Este é um tema que não tem merecido grande controvérsia na comunidade científica mas não deixa de ser objecto de pesquisa e de curiosidade.
Não suscita dúvidas o facto de, dada a heterogeneidade da Natureza, não existirem dois seres vivos iguais. Isto aplica-se também à inteligência e às capacidades cognitivas, psicomotoras, etc. Ou seja, partindo do princípio que não há dois indivíduos iguais fácil é de concluir que um será melhor do que o outro no que respeita a certos predicados. E assim temos que, dos dois indivíduos, um revelará mais potencialidades do que outro.
Só se admite que haverá sobredotação num deles desde que revele aptidões que ultrapassem os valores que sejam considerados médios para a totalidade da população, a sociedade e a época.
Mas voltando ao início: qual é o papel do meio envolvente? Será que os genes têm um papel determinante e decisivo? Poderá acontecer que alguém nasça "sobredotado" e posteriormente, devido a um ambiente empobrecido, possa tornar-se "normal"? Estas são algumas das perguntas que os estudantes, os professores e os pais fazem com alguma frequência.

O desenvolvimento cerebral
Sabe-se, actualmente, que o meio e as experiências de vida moldam a estrutura cerebral. Ou seja, o desenvolvimento do cérebro é um processo "dependente da experiência". Daniel Siegel, psiquiatra e professor na Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, é perentório: "(...) a experiência activa certos percursos no cérebro, fortalecendo ligações existentes e criando outras novas". Isto é particularmente impressionante nos primeiros anos de vida. Inclui a estimulação a que a criança seja sujeita e a natureza dos relacionamentos interpessoais.
Como diz Daniel Siegel, "os genes contêm as informações para a organização geral da estrutura do cérebro mas a experiência determina quais os genes que se expressam, como e quando". Ora, o que acontece à criança no começo da sua vida tem um impacto tremendamente importante na sua mente.
Esse impacto resulta de alterações no cérebro, em particular: o crescimento dos neurónios, mais exactamente dos axónios (filamentos que ligam os neurónios uns aos outros); o estabelecimento de novas ligações entre os neurónios; o crescimento da mielina ao longo dos axónios (melhorando o funcionamento dos neurónios); etc.
Sendo o cérebro um sistema muito complexo constituído por biliões de neurónios e outras células (neuroglias, etc.) ligados uns aos outros, o seu desenvolvimento vai depender não apenas do que está determinado geneticamente mas sobretudo pelas actividades e experiências a que for sujeito. Um cérebro passivo, pouco estimulado, conduz à perda de capacidades. Um cérebro estimulado, que vivencie diferentes actividades, torna-se mais rápido, flexível e mais inteligente.

Qual é o papel dos genes?
No cérebro, os genes codificam a informação em relação a como os neurónios devem crescer e realizar as ligações uns com os outros. São processos que estão pré-programados mas dependentes da experiência. A experiência aqui trata-se de estimulação.
Os genes possuem duas grandes funções: contêm "informação" que passará para a geração seguinte e retiram informações codificadas no ADN (determimando quais a proteínas a ser sintetizadas). O processo de retirar informações do ADN chama-se "transcrição" e é directamente influenciado pela experiência/estimulação.
Assim, os genes não actuam sozinhos. Eles interagem com o ambiente. Então, o que se conclui é que a hereditariedade e a experiência/estimulação interagem no desenvolvimento da pessoa. Isto é tão importante que, diz o dr. Siegel, "o próprio comportamento altera a expressão genética, que depois cria o comportamento". Citando outro autor, M. Rutter, "a experiência, a expressão dos genes, a actividade mental e as interacções continuadas com o meio (experiência) estão intimamente ligadas num conjunto transaccional de processos".
A mente inteligente resulta pois não apenas dos genes, da hereditariedade. Há mais factores presentes, de natureza dinâmica, que devem ser considerados. Não apenas nos primeiros anos de vida mas ao longo de toda a vida. Isso faz apelo à optimização cerebral a qual inclui também a afectividade, a alimentação, a higiene, o estilo de vida, os cuidados parentais, a educação, etc. Falaremos disto posteriormente.
Academia lança manual para pais e educadores!
Já está em preparação um manual sobre a educação de crianças e jovens sobredotados que o Instituto da Inteligência em colaboração com a Universidade da Criança esparam lançar ainda antes do Verão.
Conheça os principais temas:
1. Da necessidade de investir na educação de crianças e jovens com altas habilidades (sobredotados).
2. Alta habilidade – o que é?

Primeiro, um pouco de teoria – Alta habilidade intelectual geral ou inteligência – Alta habilidade artística – Alta habilidade psicomotora – Alta habilidade social – Distribuição da inteligência na população – Há mais do que a inteligência geral – Altas habilidades = desempenhos extraordinários? – O desempenho escolar de alunos com altas habilidades intelectuais é fraco ou insuficiente?
3. Como reconhecer um aluno com altas habilidades (sobredotado)?
O meu filho é sobredotado? – O meu aluno tem uma alta habilidade especial? – Dois erros na avaliação de crianças com altas habilidades (sobredotação) – O diagnóstico das altas habilidades (sobredotação) – Observação comportamental – Notas – Concursos – Testes de inteligência – Testes – a partir de que idade e quantas vezes? – Limites dos testes de inteligência.
4. O que os pais podem fazer pelos seus filhos com altas habilidades (sobredotados).
O estímulo começa na família – Reconhecer altas habilidades, incentivar interesses – Estimular as altas habilidades e não inibi-las – Os pais são modelos – Especialmente habilitado, especialmente sensível – Irmãos – Quem aconselha e ajuda os pais? – Ajuda profissional – Auto-ajuda – Guias – Os pais como parceiros do jardim de infância até à escola.
5. O que a escola pode fazer pelos alunos com altas habilidades (sobredotados).
Estímulo da alta habilidade – Uma tarefa importante da escola – Como pode a escola cumprir a sua missão e dar resposta a crianças com altas habilidades? – Modelo de estímulo – Aceleração – Enriquecimento – Diferenciação interna – Diferenciação externa – Variantes mistas de aceleração e enriquecimento: Classes e escolas especiais – Motivação para aprender na aula – Como se pode libertar a motivação – Aconselhamento psicológico escolar: pressuposto para um estímulo na aula? – Criatividade na escola – Computador na escola – O que fazer? – Recomendações para melhorar o estímulo de alunos com altas habilidades na escola.
6. Altas habilidades e sociedade.
Estimular crianças com altas habilidades não é uma moda passageira – A abertura das escolas secundárias – O dilema “vastidão de desempenhos” ao nível escolar – Aumentam internacionalmente as ofertas de estímulo escolar para os alunos com altas habilidades – A Academia de Sobredotados – Ainda há muito para fazer – Igualdade e diferenciação – Raparigas com altasc habilidades – O que podem os pais fazer pelas filhas com altas habilidades? – O que podem os professores fazer pelas alunas com altas habilidades? – Altas habilidades e profissão – Teses sobre o estímulo de alunos com altas habilidades.
7. Apêndice.
Informações, aconselhamento e ajuda
Endereço do Ministérios de Educação e Cultura e Direcções Regionais
Vista geral sobre concursos para alunos e jovens na Europa
Concursos em ciências da natureza e informática na Europa
Concursos em matemática na Europa
Concursos em ciências sociais e humanas na Europa
Concursos na área artístico-cultural na Europa
A Academia de Sobredotados (IdI)
Associações, Escolas e Núcleos de Apoio a alunos com altas habilidades em Portugal
Associações, Escolas e Núcleos de Apoio a alunos com altas habilidades na Europa
Estímulos e bolsas para estudantes com altas habilidades na Europa
Estímulo de alunos com altas habilidades na formação profissional na Europa
Bibliografia.

Coordenação do Dr. Ricardo Monteiro.

SOBREDOTAÇÃO!


Texto de Tomás Goucha (*)

Adolescente sobredotado.

Membro da Academia de Sobredotados.


Em Portugal as notícias sempre surgiram como se fossem doenças. Há sempre um ruído de fundo, endémico, que não é suficiente para despertar a consciência duma pobre mosca. Mas, de vez em quando e da forma mais imprevisível possível, aparece um foco epidémico e é raro o meio de comunicação que não aborde o assunto até à exaustão (às vezes atingem-se verdadeiros níveis pandémicos, de fazer inveja a qualquer H5N1 de meia tigela). Depois de morto e enterrado, o assunto volta ao tal nível endémico e poucas são as vezes em que há efeitos secundários a registar.

Há uns anos, a ribalta das páginas de imprensa e dos ecrãs (dói-me escrever isto sem n) televisivos voltou-se para um assunto que ainda agora faz estremecer alguns: a Sobredotação. Mas será que depois de tanta tinta derramada, houve alguma coisa que tenha mudado? E, afinal, o que é mesmo um sobredotado? Vejamos então o que nos responde o Senhor Dicionário da Academia de Ciências de Lisboa. De acordo com essa bíblia, sobredotado é um substantivo masculino (que sexismo!), sendo aplicável àquele que revela capacidades intelectuais ou físicas acima daquilo que é considerado normal.

Não se pode dizer que os senhores linguistas se tenham afastado muito do que anos e anos de sangue, suor e lágrimas de hordas de psicólogos, psiquiatras e afins alcançaram. No entanto, uma magnífica definição condensada deixa, à partida, duas valentes brechas. Primeiro, o que é normal? Nesse ponto é inútil pegar, como convirão. Passemos, portanto, ao seguinte. O que é inteligência?


O Evangelho segundo a psicologia

Os primeiros conceitos de inteligência cingiam-se àquilo a que actualmente designamos por inteligência lógico-matemática, a capacidade de produzir raciocínios abstractos e dedutivos. Segundo os darwinistas mais ferozes, a inteligência era o expoente máximo da evolução. Deste modo, qualquer psicólogo behaviorista terá ficado felicíssimo ao compreender que poderia avaliá-la numericamente de um modo muito simples: construía-se uma bateria de testes das capacidades cognitivas, atribuindo-se uma idade mental ao examinando. O quociente entre esta e a idade cronológica multiplicado por 100 seria então o célebre Q.I.

Howard Gardner (1983), inconformado com uma perspectiva tão redutora, optou antes pela teoria das inteligências múltiplas (vistas hoje em dia como talentos, dado que não faz sentido referirmo-nos a diversas inteligências num indivíduo, como se tratassem de compartimentos estanques. Há, aliás, quem a associe à ultrapassada frenologia de Gall). Havia 7 inteligências centrais e independentes, sendo então ilógico o conceito global de inteligência. A inteligência linguística é a sensibilidade para a língua falada e escrita, materna ou estrangeira, para fins comunicativos; a inteligência lógico-matemática é já nossa conhecida, com uma vertente de raciocínio matemático e simbólico; a inteligência espacial prende-se com a percepção e compreensão dos espaços (todas estas três se enquadram minimamente nos conceitos mais "primitivos" de inteligência). Seguem-se as inteligências de cariz emocional (avaliadas pelo tão afamado Q.E. - quociente emocional - que pretendeu suplantar o obsoleto Q.I., falhando na essência de continuar a resumir uma pessoa a um número!): a inteligência intrapessoal, que reside na capacidade de lidar com as suas próprias emoções e sentimentos, e a inteligência interpessoal, associada às aptidões sociais, de colaboração e interacção. Finalmente temos a inteligência musical e a inteligência corporal-cinestésica, responsável pela coordenação dos movimentos, nomeadamente na prática desportiva.

Insatisfeitos com tão poucas inteligências (só 7... sinceramente...), vieram mais 4 a reboque. Encontramos assim: a inteligência naturalista, que conjuga a vertente racional e o senso comum com a envolvência ecológica; a inteligência espiritual; a inteligência moral e a inteligência existencial, a capacidade de um indivíduo se situar no mundo e questionar a sua essência, indissociável, da filosofia clássica.


O Evangelho segundo a Fisiologia

Há que mencionar que muitos credulamente acharam que o tamanho era importante. E, mais uma vez, se iludiram... Um cérebro grande não traz grandes vantagens sobre um seu congénere mais compacto, estando a magia toda na funcionalidade. Quaisquer estudos de correlação entre a massa ou proporção corporal do encéfalo e a inteligência foram tão conclusivos como os relatórios sobre as armas de destruição massiva no Iraque. Surgiram, portanto, alternativas… As células nervosas estabelecem sinapses (contactos de natureza eléctrica ou química, para um leigo) que fazem fluir a informação através de impulsos, sendo a abundância desses contactos sinápticos um sinal de inteligência, bem como uma arquitectura neuronal mais intrincada. Ora, há quem pense que por trás dum grande homem, está sempre uma grande mulher. Os neurónios habitam num meio povoado por outras células, da glia neural, fundamentais para a nutrição e suporte das estruturas nervosas, podendo ser a chave para a origem da inteligência.

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A sobredotação vista pela Psicologia

Mas então o que é um sobredotado? Um behaviorista teria todo o prazer em replicar "um indivíduo cujo Q.I. seja superior a 130", o que seria extremamente prático e acabaria duma assentada com este artigo. Olhando para a teoria das inteligências múltiplas, esta abordagem afigura-se impraticável. A tentação de manter quantificações mantém-se, embora de forma mais razoável: numa escala de 1 a 6, temos as pessoas de inteligência considerada média, que seria previsível para o seu contexto sócio-cultural e etário, no nível 3. No nível 4 encontramos os "muito inteligentes", constituindo os 5% intelectualmente superiores. No nível 5 situam-se os sobredotados, cuja definição global mais aceite é aquele que tem alguma destas capacidades muito desenvolvidas: habilidade intelectual geral, talento académico, habilidades de pensamento criativo e produtivo, liderança, artes visuais e cénicas, bem como psicomotoras, em suma, que se destaque num (ou mais) dos talentos de Gardner. Finalmente, no nível 6, encontram-se indivíduos profundamente sobredotados ou génios. Este nível é altamente controverso uma vez que a genialidade de um indivíduo será dificilmente avaliada através dum teste, mas sim por provas dadas. Citando Immanuel Kant, "esse nome […] não [se dá] àquele que conhece e sabe muito; e não se dá ao artista que imita apenas, mas àquele que é capaz de produzir a sua obra com originalidade". Assim, a memória assume um papel secundário no panorama das aptidões intelectuais. Caso contrário, um processador com uma base de dados extensa acerca de todas as áreas do conhecimento seria imensamente inteligente.

Sai de cena o conhecimento enciclopédico para o mofo das bibliotecas. E entra o protagonista, em estilo, ainda a cheirar aos choques eléctricos das sinapses: os estilos de pensamento. Parte do brilhantismo de um sobredotado prende-se com o facto de ele conseguir pegar num problema e vê-lo duma perspectiva completamente diferente. Como fazer 4 triângulos equiláteros com 6 fósforos iguais? (Não vale partir fósforos, claro!) O pensamento convergente fará com que se passem horas sobre uma superfície plana a tentar conjugar os fósforos, sobrepondo-os, virando-os, tentando chegar a uma solução que o pensamento divergente terá escondida na cartola. (Warning! Do not proceed if you want to keep trying!) Basta pensar em 3 dimensões e surge um tetraedro como solução natural. Por trás das grandes descobertas científicas, das grandes obras-primas, dos grandes revolucionários, teremos um intelecto capaz de pensar fora dos horizontes onde geralmente está confinado. Grandes respostas criativas (até milagrosas) ficaram gravadas na história. "São rosas, Senhor, são rosas!" Mas nem tudo são rosas...

Facilmente a sobredotação pode converter-se num fardo e um sobredotado será sem dúvida um indivíduo que necessita de apoio. Para esse fim, criaram-se instituições como o Instituto da Inteligência, sediado na cidade do Porto e dirigido pelo neuropsicólogo Nelson Silva Lima, doutorado em Investigação Psicológica. O I.I. "é uma instituição privada, com uma orgânica intencionalmente simples e desburocratizada, orientada para o estudo e a promoção das performances mentais de pessoas e grupos". Entre as suas actividades principais, encontram-se "exames de neuropsicologia, orientação académica e vocacional, formação de professores e outros especialistas", investindo também em áreas tão avant-garde como o neuromarketing. Em particular, uma sub-estrutura do I.I., a Academia de Sobredotados, lida directamente com crianças e jovens sobredotados "com provas dadas de altas capacidades e/ou talentos específicos seja através de testes validados cientificamente, seja através da avaliação da carreira profissional, académica ou desportiva." Na experiência pessoal do Dr. Nelson Lima encontramos inúmeros casos de sobredotados ou "portadores de altas capacidades" (designação muito em voga chez nos amis, les français), sendo impossível estereotipá-los.


Entrevista com Nelson S Lima.

Após tantos anos a lidar com portadores de altas capacidades, que pontos salientaria?

Saliento em particular o facto de muitas crianças sobredotadas "ficarem pelo caminho", desinteressando-se daquilo que antes constituía o seu factor de diferenciação perante os outros. Foram centenas as que conheci com inteligências brilhantes e que lentamente "se apagaram" tornando-se indivíduos vulgares. Por que isso aconteceu? O sistema (a família, a sociedade, a cultura, etc.) rejeitou-os ou ignorou-os, em especial o sistema educativo que, não sendo capaz de criar condições para os mais capazes, vai a pouco e pouco desmotivando-os das suas próprias potencialidades.
A nível de encaminhamento de um sobredotado ao longo da sua vida, o que julga ser primordial? Em que medida se torna útil o diagnóstico?

Considero-o determinante para o sucesso de qualquer pessoa e dos sobredotados, em particular, o desenvolvimento de uma personalidade sadia e equilibrada, em que todos os potenciais possam ser aproveitados. Valores como a honestidade (incluindo a honestidade intelectual) e outros, a adopção de modelos de vida conciliáveis com a inteligência criativa, a defesa de uma autonomia pessoal responsável, o espírito empreendedor, a paixão pelo conhecimento, a defesa de ideais solidários com a Humanidade e o carisma pessoal são, entre outros, factores que determinarão um futuro mais aberto e vivido mais intensamente do que a aposta isolada no potencial da inteligência disponível. Costumo dizer que ser muito inteligente não basta para se ter sucesso na vida; é necessário um comportamento inteligente. Os testes, na verdade ajudam a medir o nível de desempenho em várias áreas como a memória, a capacidade de atenção, certas dimensões da inteligência dita teórica, a capacidade criativa e também o estilo de personalidade. São úteis embora contenham limitações. Por isso, quando se estuda um indivíduo (um sobredotado, por exemplo) é necessário também averiguar muitos outros aspectos da sua vida para compreendermos melhor as várias dimensões da sua individualidade.

Como já foi referido, um mau encaminhamento poderá frequentemente conduzir a um isolamento e exclusão social destes indivíduos. Como pensa que esta vertente seria evitável?

Um mau encaminhamento tanto a nível familiar e social como académico pode resultar em prejuízos para o indivíduo dotado de altas capacidades pois nem sempre o que se oferece não é suficiente para despertar nele todo a riqueza intelectual disponível muitas vezes em estado letárgico. Saliento que há, por vezes, indivíduos aparentando uma pseudodebilidade mental quando, na verdade, são exactamente o oposto: pessoas excepcionalmente desenvolvidas mas que, por diferentes razões, inibiram as suas potencialidades. Recordo um caso dramático de uma jovem que aos 18 anos de idade ainda só tinha dois anos concluídos do primeiro ciclo e que não falava há dez anos; vivia fechada em casa por sua livre iniciativa porque tinha um medo tenebroso de comunicar com as pessoas. Ora bem, até aos 6 anos de idade tinha sido uma menina alegre, extrovertida e sociável. Aconteceu que na escola foi vítima de maus-tratos psicológicos por parte de uma "professora" que fez abortar nela tudo aquilo que o ensino deveria ter proporcionado. Também os sobredotados criativos são dos que mais sofrem inibições e "proibições" na escola por não serem alunos dóceis e passivos.
O que acha que faz com que se conheçam tão poucos sobredotados em Portugal? O que pensa que deve mudar no nosso país para acolher estes rapazes e raparigas portadores de altas capacidades?

Estima-se que existam entre 35 mil e 50 mil crianças e jovens sobredotados em Portugal. Poucos são detectados porque não existe por parte do sistema escolar um processo que os identifique e os proteja ao contrário do que se passa com os alunos com incapacidades. Há falta de legislação e também de sensibilização por parte dos agentes de ensino.

Para concluir, tratando-se dum assunto tão controverso como a sobredotação, que vertente salientaria: igualdade ou diferença?

Obviamente, diferença!

A sobredotação, quando diagnosticada, incorre no risco de se transformar num rótulo. A individualidade de cada um é demasiado forte para que possamos subjugar uma pessoa a uma imagem pré-concebida e, na generalidade desajustada. Com o seu aguçadíssimo sentido crítico, a maior parte dos jovens nesta condição têm dificuldades em enfrentar aquilo que, à partida, seria como uma "dádiva divina". Ser sobredotado é mais do que ser um Pentium IV numa loja cheia de 486.

Um sobredotado rapidamente se aperceberá que há um claro desfasamento entre si e o seu grupo de pares. Verá que, por muito que queira, determinadas conversas não podem ser mantidas com aqueles que supostamente lhe deveriam ser mais próximos. A opção tomada mais frequentemente é o isolamento. Vivem num mundo seu, tão rico e com uma trama tão complexa que poderiam permanecer por lá indefinidamente. Muitos procuram integrar-se socialmente e alguns logram-no. Outros acabam por virar costas a uma sociedade injusta e hostil. A revista i decidiu dar a conhecer as duas faces da mesma moeda.

João Ferreira, segundo a sua mãe, "aos 3 anos sabia o Sistema Solar, aos 8 falava de Buracos Negros no jornalinho [pequenas publicações em que manifestava a sua precocidade e sentido criativo], hoje quer ser Astrofísico". Para esta "mãe fascinada", nas palavras do Dr. Nelson Lima, a ajuda do Instituto foi determinante e o equilíbrio emocional do João acabou por se sobrepor a quaisquer preocupações com a componente cognitiva. A comunicação constante com ele é indispensável e não deve deixar de ser "muito exigente na educação e respeito pelos outros", uma vez que a humildade é essencial para a sua aceitação.

À partida, como defines sobredotação e como te vês no lugar de sobredotado?

Do meu ponto de vista a sobredotação é um maior rendimento do esforço para aprender numa ou mais actividades, como a adaptação a novas situações ou como um grau de consciência superior dos problemas e do mundo ou de si próprio e dos outros.

Até ser identificado pelo Dr. Nelson Lima, não tinha consciência de que era sobredotado. Actualmente, é algo que eu constato ter uma pequena repercussão a nível prático, a nível da consciência do que faço ou do que penso.

Fala um pouco do teu percurso de vida e, em particular, do percurso escolar, nomeadamente na relação com os outros.

No infantário era um líder, dava-me bem com toda a gente; na escola primária integrava-me nos grupos; no 3º ciclo tomei consciência de necessidade de ter amigos e no secundário perdi-os progressivamente até agora, permanecendo alguns estáveis até agora.

Só no 7º ano tive problemas porque os amigos que vinham desde a primária se afastaram ao saberem que eu era sobredotado através da televisão. Por isso, no 8º ano, mudei para outra escola, onde comecei a dar-me com muitos outros tipos diferentes de pessoas e estilos de vida, pelo que admiti a extensão do leque de pessoas com quem andava, o que foi muito benéfico. Quanto aos conhecimentos extra-escola, dou-me especialmente bem com os membros do clube de astronomia (todos eles adultos e com muita cultura geral, não só na área da astronomia), o que tem sido especialmente libertador.

Olhando para trás, o que é que gostarias de ver mudado no teu caminho, tanto por ti como pelos que te rodearam?

Primeiramente, gostava de ter nascido noutro país, de ter tido um ensino escolar que me motivasse para além do programa, especialmente a oportunidade de avançar ao ritmo desejado.

Concluindo, acho que a escola não só devia transmitir conhecimentos, como também ensinar a pensar, mas não só de uma maneira a seguir por todos. No trato com os sobredotados, há que impor desafios, mas tratá-los normalmente. É claro que tal depende da personalidade...

Por outro lado, A. Jorge Oliveira seguiu por uma via menos ortodoxa. Num país em que um canudo é visto como imprescindível para que nos consideremos alguém, o Jorge decidiu enveredar pela escrita, deixando de lado a Faculdade de Letras e a sua magnífica propina. O seu percurso é testemunha de como a sobredotação estará longe de ser uma atenuante para os problemas da vida de qualquer jovem. Por vezes as margens entre a sobredotação e a loucura esbatem-se… e, como prova disso, temos o estereótipo do génio maluco.

À partida, como defines sobredotação e como te vês no lugar de sobredotado?
Segundo o meu ponto de vista, defino a sobredotação como algo perfeitamente natural, que as pessoas teimam em ver como anómalo. É quase uma regra geral, a maioria das pessoas quando se depara com algo que não compreende, ou estereotipa ou define como “bizarro”. Acho a sobredotação uma característica com várias ramificações, como tal posso interpretar apenas aquilo que considero a minha experiência da mesma. Interpreto sobredotação como a capacidade de absorver informação de forma mais rápida que o comum, e usar esse mesmo conhecimento de forma diferente dos outros. Muitas vezes os interesses desenvolvidos não fazem parte dos programas lectivos, o que por vezes e entre tantas outras razões, leva a um gradual desinteresse pelas actividades escolares. Semelhante fundamento, aliado à falta de aceitação por parte de colegas e imbecilidade de alguns professores, torna insuportável para o indivíduo prolongar de forma bem sucedida a sua presença nos estabelecimentos de ensino.

Fala um pouco do teu percurso de vida e, em particular, do percurso escolar, nomeadamente na relação com os outros.

O meu percurso de vida foi e permanece atribulado. Na escola sempre tive graves problemas com professores que me recriminavam por não estudar, por me mostrar desinteressado ou por não permanecer em silêncio quando, do alto da sua verborreia, vociferavam afirmações com as quais eu não concordava. Ao descrever esta situação recordo pelo menos quatro dos supostos tutores, que na altura fizeram questão de “tomar de ponta” uma criança de quinze anos. Essa criança era eu. Por duas vezes fui suspenso por faltas disciplinares. Essas faltas deviam-se ao facto de protestar por não me ser permitido participar oralmente da aula. Punham-me a um canto da sala, separado de todos os outros colegas, enquanto estes se riam do miúdo que vivia num bairro social e “tinha a mania que sabia”. Na escola preparatória recordo o caso de uma professora de Português que me marginalizava por vir de uma família desfavorecida. Não é tão pouco usual como parece. Certo dia não aguentei mais e saí da sala sem pedir autorização, apanhando o primeiro autocarro para casa. A forma que a professora usou de se livrar de mim foi apresentando uma queixa em tribunal contra mim, alegando que lhe havia riscado o carro. Foi o princípio do fim. É horrível para um jovem e quinze anos ser acusado de algo que nunca fez. Na altura todos os docentes da minha turma haviam já tomado conhecimento da minha condição. Mesmo assim, qualquer forma de compreensão me foi negada. A vida foi o mais duro professor que tive, a perda da ingenuidade ao longo dos anos marcou-me, endureceu-me, talvez até me tenha tornado menos tolerante, mas facultou-me o arcaboiço necessário para lidar com estas situações.

Olhando para trás, o que é que gostarias de ver mudado no teu caminho, tanto por ti como pelos que te rodearam?

Olhando para trás? Bom, ao pensar mudar o que ficou para trás estaria a interferir com a formação da minha personalidade, provavelmente tornar-me-ia numa pessoa completamente distinta da que sou hoje. Isso não me agrada. Tem sido um duro caminho onde, a partir de certa altura, pude apenas contar comigo mesmo. Mas existem objectivos interessantes a seguir no futuro. Um deles seria, por exemplo, um maior apoio do estado a associações que primam pelo apoio a crianças e jovens diferentes. Falo em maiores condições monetárias a essas instituições, de maneira a que as mensalidades diminuíssem ou até mesmo fossem extintas. Tudo tem um preço, mas nem todos os sobredotados são filhos do presidente da câmara ou herdeiros de uma vinicultura. Perguntares-me se considero útil ser sobredotado é o mesmo que perguntares se preciso de um automóvel, não é imprescindível mas é uma grande ajuda. Nasci com a estrutura básica para me movimentar, as pernas. Porém com o automóvel chego um pouco antes dos pedestres ao destino que escolher, na estrada que escolher. Também requer manutenção regular, combustível para circular e acima de tudo muita responsabilidade. Troca a manutenção por acompanhamento, o combustível por motivação, mantém a responsabilidade e aí tens aquilo que do meu ponto de vista é imperativo para o sucesso pessoal e escolar de um sobredotado. Nem igualdade nem diferença devem predominar. O principal valor a seguir deve ser o do respeito e a aniquilação de toda e qualquer ideia preconcebida.

Foram entrevistados 4 professores do Ensino Secundário a respeito deste assunto: Profa. Augusta Damásio, Profa. Emília Santos, Profa. Henriqueta Carolo e Profa. Isilda Jorge. Quanto à preparação da classe docente para lidar com sobredotados, a resposta foi um unânime “Não”, sendo necessária uma maior orientação do sistema de ensino para estes alunos mais exigentes. Quanto ao facto do ensino destes dever ser feito num contexto diferente do ensino oficial corrente, as opiniões divergiram.

O conceito de sobredotado mantém-se vago e difuso, muitas vezes tendo como base mitos criados pela indústria cinematográfica ou pela ignorância popular.

No geral, aqueles que contactaram directamente com um e souberam ultrapassar as eventuais barreiras que se imponham tanto dum lado como doutro salientam um enriquecimento mútuo, quer se trate de pais, colegas, ou professores.

Susana Fátima, que trabalha no Instituto da Inteligência e acompanhou inúmeras crianças e jovens sobredotados, destaca da sua experiência: “Existem laços que duram há muitos anos e já fazem parte da minha vida. Houve casos em que "passei" por ignorante em matérias muito específicas. A lembrança de todos estes anos fazem-me sorrir, pois são tantas as histórias e lembranças que trago comigo que davam um livro.”

Paulo M. Jorge, também pai de um sobredotado, salienta que, a nível da educação em Portugal, “há que criar uma nova mentalidade aberta ao desafio, à inovação e com capacidade de resposta para estes jovens, integrando-os e dando-lhes tarefas diferenciadas em função das suas competências e apetências”. Em jeito de conclusão lança a questão angustiada: “Quantos jovens não foram atirados para a indiferença por não ter havido capacidade da parte do ensino oficial e seus actores em os estimular e saber captar? Só porque tiveram a pouca felicidade de não terem ninguém em casa capaz de os entender em tempo útil? Afinal, o sol quando nasce não me parece que seja para todos.”

(*) Um trabalho de Tomás Goucha, estudante de Medicina na Universidade do Porto publicado na revista da Faculdade. Tomás Goucha é um jovem a quem o Instituto da Inteligência detectou um elevado nível de sobredotação em 1999 e com quem convivemos durante anos. Entre as suas realizações destaca-se a participação, com excelentes resultados, nas olimpíadas mundiais de Matemática.

CARACTERÍSTICAS DE CRIANÇAS ALTAMENTE SOBREDOTADAS

O Dr. Karen Rogers, um investigador do renome internacional, da Universidade de St.Tomas, no Estado de Minnesota (EUA), analisou, em meados da década de 90, 241 crianças entre os anos 2½ e 12½ de idade, com um Q.I que variava de 160 a 237+ na escala da inteligência de Stanford-Binet-Binet (crianças excepcionalmente inteligentes).


Principais conclusões

- Não havia nenhuma diferença no Q.I. médio para meninos e meninas;
- as mães tendiam a ser mais velhas do que a média. A idade média das mães daquelas crianças era de 30,6 anos;
- 50% dos pais relataram que a sua criança necessitou menos sono do que o vulgar;
- 94% eram crianças muito activas e dinâmicas;
- 91% revelaram um desenvolvimento adiantado da língua falada;
- 60% revelaram desenvolvimento adiantado nas habilidades de motoras (capacidades corporal-cinestésicas);
- 48,9% foram ambidestros em algum período do seu desenvolvimento;
- a idade média em que estas crianças falaram a sua primeira palavra era de 9 meses;
- a idade média em que começaram a ler era antes de 4 anos;
- 85% das crianças tinham tido infecções no ouvido;
- 52% mostravam a tolerância elevada da dor;
- 44% sofriam de alguma alergia e 9,6% tinham asma;
- 99,4% aprendiam muito rapidamente;
- 99,4% tinham vocabulário extenso;
- 99,3% tinham uma memória excelente;
- 97,9% eram considerados muito curiosos;
- 96,1% mostravam-se maduros para sua idade;
- 95,9% tinham um sentido de humor excelente;
- 93,8% tinham um notável poder de observação;
- 93,5% tinham já elevado sentido de compaixão;
- 93,4% mostravam uma imaginação muito viva;
- 93,4% tinham grande capacidade de concentração;
- 92,9% tinham grande habilidade com números;
- 90,3% revelavam grande sentido de justiça;
- 89,4% tinham grande facilidade para resolução de enigmas e legos;
- 88,4% tinham um nível de energia elevada;
- 88,3% eram perfeccionistas;
- 85,9% mostravam-se muito perseverantes nas suas áreas de interesse;
- 80,3% eram leitores ávidos;
- 90% foram descritos por seus pais como "sensíveis";
- 83% concentravam-se em uma actividade de cada vez;

Nos testes do "auto-conceito" (como se viam a si mesmas), estas crianças mostraram-se significativamente mais confiantes nas suas habilidades académicas do que na sua aceitação social.

Necessidades educacionais
A necessidade educacional mais requerida era a de um ensino desafiador das suas capacidades.
Quando olhamos para o futuro, vemos numerosas incertezas sobre o que será o mundo dos nossos filhos, dos nossos netos e dos filhos dos nossos netos. Mas, pelo menos de uma coisa podemos estar seguros: se quisermos que a Terra possa satisfazer as necessidades dos seres humanos que a habitam, então a sociedade humana deverá transformar-se. Assim, o mundo de amanhã deverá ser fundamentalmente diferente do que hoje conhecemos (...). Devemos, por conseguinte, trabalhar para construir um "futuro viável". A educação - no seu sentido mais amplo - desempenha um papel preponderante. Ela é a "força do futuro" porque constitui um dos instrumentos mais poderosos para realização a transformação!
Federico Mayor (antigo director-geral da UNESCO)
Mais do que nunca, o status (o estatuto social), tem um peso considerável na forma como os outros nos olham e respeitam. Admiramos pessoas que se transformam em exemplos para seguirmos e aspirarmos!
A mente dos sobredotados
O funcionamento intelectual da criança sobredotada passa por uma primeira etapa de precocidade. A criança começa a revelar um ritmo de desenvovimento mais acelerado, a demonstrar um maior número de recursos do que as outras crianças e também habilidades e capacidades próprias de pessoas de mais idade.
O sistema de processamento da informação do sobredotado caracteriza-se por uma interacção entre todos os recursos intelectuais de que está dotado e uma organização bastante rica e complexa das capacidades cognitivas. Isto permite-lhe atingir uma maior qualidade nas representações mentais o que o leva a uma resolução mais eficaz dos problemas. Com efeito, o sobredotado possui uma base de dados mais rica em conhecimentos gerais e estratégias metacognitivas mais maduras do que as observadas nos outros sujeitos da mesma idade.
Isto leva-nos a considerar a configuração intelectual do sobredotado como muito interessante e diferente do resto das crianças pois possibilita-lhe uma produção eficaz em qualquer âmbito ou actividade assim como dispor de múltiplos recursos que lhe permitem uma acção combinada daquelas, ou seja, estratégias complexas para solucionar problemas complexos.
Em concreto existem cinco componentes fundamentais no sistema de processamento da informação no sobredotado:
- processos cognitivos elementares: os sobredotados estão dotados com uma memória de trabalho mais eficaz do que os restantes indivíduos, o que lhes permite resolver problemas complexos que requerem atenção simultânea para integrar informações diferentes de maneira mais eficaz;
- conhecimentos: as acções levadas a cabo por estas crianças provêm do facto de possuirem um mais amplo conjunto de conhecimentos e uma melhor organização mental destes;
- processos de automatização: estes processos estão formados por sistemas de descodificação/interpretação que funcionam de maneira quase automática e, por conseguinte, permitem libertar trabalho da atenção consciente que assim pode fixar-se melhor noutros aspectos dos problemas que analisam e integrar mais informações;
- processos metacognitivos: entende-se por metacognição a capacidade que temos de auto-regular a própria apendizagem, isto é, decidir que estratégias devemos utilizar para cada situação, aplicá-las, controlar o processo, avaliá-lo para detectar possíveis falhas e em consequência transferir tudo aquilo para uma nova actuação. A metacognição permite-nos conhecer o nosso próprio trabalho mental. Pois bem, o sobredotado caracteriza-se por possuir funções metacognitivas superiores, o que provoca, por um lado, que empregue mais tempo a planificar e a sistematizar um problema e, por outro, seja capaz de o resolver de forma mais eficaz que as restantes pessoas;
- ritmo de aprendizagem: nos sujeitos sobredotados este é superior à média, devido ao elevado nível de gestão dos recursos cognitivos vinculados através da adquisição de informação, pois a sua elevada capacidade verbal unida a uma memória também bastante notável faz com que, mediante a organização lógica destes elementos, o ritmo de aprendizagem seja francamente mais rápida. Estes recursos também se dão, sobretudo, nos chamados talentos académicos, que é um tipo de talento complexo, pois nele se destacam a atitude verbal, o raciocínio lógico e a gestão da memória.

Livros de interesse sobre o temas de sobredotação (espanhol e inglês)

Alonso, J.A., Renzulli, J.S., y Benito, Y (eds.). Manual internacional de superdotados. Madrid: Eos, 2003.
Benito Mate, Y. Intervención e investigación psicoeducativas en alumnos superdotados. Salamanca: Amaru, 1994.
Pérez Sánchez, L. Diez palabras clave en superdotados. Madrid: Verbo Divino, 1993.
Silverman, L.K. Counseling the gifted and talented. Denver, Colorado: Love Publishing Company, 1993.
Wallace, B. La educación de los niños más capaces. Madrid: Visor distribuciones, 1988.
Renzulli, J.S. Desarrollo del talento en las escuelas, programa práctico para el total enriquecimiento escolar, mediante el modelo de enriquecimiento escolar. En: Benito Y. (ed.). Investigación e intervención educativa en alumnos superdotados. Salamanca: Amaru, 1994.
Ser sobredotado é executar o trabalho mental como um empreendedor criativo, dinâmico e flexível. Aprende a ser líder de si mesmo para depois saber liderar os outros.
A pessoa dotada aprende a pensar sobre o que pensa. Respeita a sua própria inteligência e a inteligência dos outros.
A conversação é formada pela linguagem. Alguns estudiosos da linguística crêem que a linguagem molda o pensamento, em vez do contrário.

CASOS EXCEPCIONAIS DE TALENTO

No dia 24 de Outubro de 2003, foi divulgada pela agência noticiosa Xinhua, a informação de que um estudante tibetano, de 13 anos, era capaz de recitar de memória o maior poema épico do mundo, de 10 milhões de palavras. O menino, de nome Sitar Doje, disse que memorizou o poema enquanto dormia(!). O poema conta a história do Rei Gesser e está dividido em 200 capítulos. É uma história que foi transmitida oralmente de geração em geração até que foi publicada em tibetano, em 2001. O poema já foi, entretanto, traduzido para o chinês, o inglês, o francês e o japonês e só pode ser totalmente recitado por 140 especialistas.

Histórias como essa sempre aconteceram, quem é que não conhece a história do menino Mozart, de apenas 6 anos, que sob o olhar de espanto da imperatriz Maria Tereza já fazia brotar os acordes inspirados de suas sonatas?

Mas não é apenas no Tibet ou na Áustria que acontecem fenômenos como esses, mas sim, em todo mundo.

A brasileira Cynthia Laus era uma dessas crianças que surpreendem o mundo com o seu excepcional talento. Com apenas 4 anos de idade começou a pintar e aos 8 anos expôs 29 obras numa conceituada galeria de arte de São Paulo.

O mais jovem advogado do Mundo

O brasileiro Ricardo Tadeu Cabral de Soares começou a ler aos 3 anos de idade, escreveu um livro aos 9 e aos 11 desenvolveu um programa de computador complexo. Com 12 anos de idade, foi o primeiro colocado no curso de Direito numa faculdade particular do Rio de Janeiro. Depois de uma batalha judicial o pai de Ricardo, o advogado e arquiteto José Paulo Soares, para conseguir uma autorização que permitisse ao menino freqüentar a universidade à noite e a escola de manhã, teve de convencer o juiz de que o filho era sobredotado.

E, assim, em 1988, Ricardo tornou-se no mais jovem universitário brasileiro. Quatro anos depois, entrou para o Livro Guiness dos Recordes como o mais jovem advogado do mundo. Aos 18, concluiu o mestrado em Direito na renomadíssima universidade norte-americana de Harvard. E tornou-se no mais jovem mestrando em Ciências Jurídicas em 362 anos de história daquela famosa universidade.
Aspectos menos conhecidos das crianças sobredotadas
Pois é. Nem tudo é brilho numa criança sobredotada. Ela também pode ser cansativa ou menos interessante. Eis uma lista de algumas características que podem estar presentes no seu dia-a-dia:
- motivação e interesse irregulares na escola;
- aborrecimento de tédio nas aulas;
- desafiar o conhecimento dos professores;
- resistire à imposição de tarefas;
- detestar a rotina;
- não gostar de trabalhar em grupo;
- não gostar de partilhar os seus conhecimentos;
- distração frequente nas aulas;
- mostrar inconformismo;
- atitude dominadora para com os colegas,
etc.
Os 3 níveis da sobredotação

Ao longo dos 10 anos de existência do nosso instituto, acompanhámos mais de um milhar de crianças sobredotadas, muitas das quais são hoje estudantes universitários bem sucedidos.
Para além do atendimento clínico e de várias actividades para crianças sobredotadas (cursos, concursos, etc.), o Instituto da Inteligência tem-se dedicado a investigação nesta área. Deste trabalho resultou, por exemplo, a divisão da sobredotação em 3 níveis de desenvolvimento de acordo com as capacidades detectadas. Assim, na nossa escala temos o nível 4 que está presente na criança com sobredotação moderada; o nível 5 correspondendo a sobredotação elevada e o nível 6, a sobredotação excepcional e/ou talento excepcional numa área específica (artes, etc).
Os níveis 1, 2 e 3 desta escala de desenvolvimento cognitivo correspondem a níveis mais baixos do que aqueles (nível 1=debil; nível 2=moderado; nível 3=ajustado).
Quer saber mais sobre crianças com talento académico? Sugerimos que clique em
http://www.acerta.etc.br/talentos.pdf

O cérebro de crianças sobredotadas amadurece mais tarde

Recentemente uma equipa de neurologistas liderada por Philip Shaw, do Instituto Nacional de Saúde Mental, em Bethesda (em Maryland, Estados Unidos), concluíram que a inteligência pode estar mais relacionada com o desenvolvimento do cérebro na adolescência do que propriamente ao seu tamanho.
Numa experiência conduzida por Shaw compararam exames de ressonância magnética por imagens para demonstrar que o cérebro das crianças com QI elevado tem um padrão de desenvolvimento diferenciado. Foram acompanhadas 307 crianças e jovens entre 5 e 19 anos.
No início da investigação eles foram divididos em três grupos, segundo o desempenho que alcançaram no teste de QI: jovens com QI elevado (ou sobredotados), jovens com QI mediano e, por fim, os menos dotados.
Para acompanhar a evolução do estudo, a cada dois anos foi realizada uma nova ressonância magnética. Resultados: nas crianças com QI elevado, o córtex cerebral, a princípio, se mostrou mais fino e, depois, engrossou rapidamente. Seu auge ocorreu entre os 11 e 12 anos, antes que voltasse a se contrair de forma repentina na adolescência. Esse padrão de desenvolvimento não condiz com o que em geral acontece. Em média, o córtex cerebral atinge sua espessura máxima quando a criança chega aos 8 anos. O córtex, a camada mais externa do cérebro, é o centro de várias funções nervosas elaboradas como os movimentos voluntários.
Segundo os investigadores, as mudanças são subtis e ainda reservam alguns mistérios, pois nada explica o que leva uma criança a ter um córtex mais grosso ou mais fino. A experiência é mais uma a confirmar que, tratando-se de cérebro, tamanho não é o mais importante. Um órgão maior não significa necessariamente mais inteligência. O que importa mesmo é a sua organização interna e como ocorrem as conexões entre as áreas cerebrais.
(in revista Viver Mente & Cérebro)

ESCLARECENDO DÚVIDAS...

1- Existem vários tipos de sobredotados (cognitivo, criativo, ao nível da destreza física, etc), mas é possível uma criança deter capacidades extraordinárias tanto no campo cognitivo, como no criativo como no da destreza física?
- Sim, é possível, embora sejam casos mais raros. Geralmente, as altas capacidades são globais mas os sobredotados atingem o seu melhor em áreas específicas. É o caso daquelas que têm talento para a escrita criativa e que podem tornar-se excelentes jornalistas e escritores ao mesmo tempo que apresentam uma elevada inteligência, digamos, global.

2- Um sobredotado (fundamentalmente o criativo) detém uma sensibilidade fora do vulgar que lhe pode colocar problemas futuros profundos no concernente ao relacionamento social, conduzindo a situações patológicas, como a da fobia social?

- Certos sobredotados, com interesses muito centrados numa área, tendem a isolar--se no seu mundo porque não têm companheiros que partilhem a mesma paixão. Gostam de conversar temas "sérios" que frequentemente são desdenhados pelos colegas que não são atraídos pela profundidade dos seus pensamentos. Acontece ainda que a personalidade tem um papel importante nesta matéria: as crianças extrovertidas, mais sociáveis e abertas nas relações interpessoais, são menos susceptíveis de sofrerem de rejeição e isolamento.

3- Quais as consequências futuras da superprotecção paternal no caso dos sobredotados?
- Como em qualquer outra criança, a superprotecção pode gerar o aparecimento de esquemas cognitivos desadaptativos, isto é, ideias fixas de grandeza e sobrevalorização das suas capacidades, o que dará origem a problemas relacionais com os outros.

4-Quais as consequências futuras no desenvolvimento psicológico de uma criança sobredotada que não seja alvo de apoio algum por parte do ambiente escolar e/ou familiar, que fique entregue a si própria, se canalizar as suas capacidades para a contemplação passiva e para rituais de apaziguamento e não, por exemplo, para a leitura?
- As crianças sobredotadas devem ter uma educação que favoreça o desenvolvimento de valores, ideais, normas, princípios e regras que ajudem ao desenvolvimento da sua maturidade intelectual, emocional e social.

5- Se uma criança com essas características for detectada no meio escolar português, que mecanismos de apoio é que existem no nosso sistema de ensino que permitam uma orientação pedagógica adequada? Que mecanismos e orientações pedagógicas inovadoras, na sua opinião, deveriam ser implementados?
- Na legislação portuguesa existem princípios orientadores que estão definidos mas que, devido às dificuldades de meios e de condições existente no sistema educativo, são de difícil implementação. O ideal seria a existência de um sistema educacional que privilegie a inteligência e o pensamento criativo dos alunos criando oportunidade para todos, incluindo os mais dotados.


Respostas fornecidas pelo neuropsicólogo Dr Nelson S. Lima, do Instituto da Inteligência.

JOVENS SOBREDOTADOS

A sobredotação nem sempre é entendida como uma necessidade especial mas na realidade, é nas escolas que as crianças sobredotadas encontram as maiores dificuldades de adaptação.

O Tiago Campos tem 10 anos e é uma criança muito activa com uma curiosidade quase insaciável. O seu quarto está forrado a livros porque é um leitor compulsivo. Desde que entrou para a escola primária que se interessa por quase todos os temas mas geografia e historia são as disciplinas de eleição. No futuro quer ser astronauta. O seu nível de inteligência cedo despertou os pais para a possibilidade de estarem perante uma criança diferente. Depois de alguns testes para medir o quociente de inteligência, concluíram que o Tiago é um menino sobredotado.

A sobredotação é um fenómeno raro e de difícil explicação. Normalmente considera-se sobredotada uma criança cujo quociente de inteligência seja superior a 130. No entanto este valor não é a prova evidente de uma capacidade acima da média. O Instituto da Inteligência no Porto avalia crianças potencialmente sobredotadas através de testes de aptidão cognitiva, sonora e criativa. Este trabalho permite ir além do valor descrito no Qi. Nelson Lima é neuropsicólogo e refere que hoje em dia o termo "sobredotado" também se aplica a crianças com grandes capacidades criativas ou com talento para uma actividade desportiva.

A nível cerebral a sobredotação continua a ser um grande mistério. Aparentemente a estrutura neurológica destas crianças não apresenta diferenças em relação à dos indivíduos com uma inteligência mediana. As técnicas de imagiologia são pouco esclarecedoras e não evidenciam nenhuma área específica do cérebro que possa ser responsável pela sobredotação. O João Pedro tem quinze anos e já é um astrónomo amador. Na escola interessa-se por todas as ciências e tem boas notas a quase tudo, menos em educação física. Aprendeu a ler e a escrever sozinho quando tinha ainda quatro anos de idade. Ao contrário de Tiago, João é uma criança muito reservada. É o membro mais novo de um clube de astronomia onde faz aquilo de que realmente gosta: olhar e fotografar o céu. O resto do tempo passa-o em casa no meio das centenas de livros que costuma comprar.

Nem sempre é fácil para uma criança sobredotada lidar com o mundo. Em muitos casos aquilo que os rodeia não faz parte da realidade que lhes interessa, por isso têm tendência para o isolamento. A comunicação é uma área que fica muitas vezes desvalorizada quando as crianças ocupam demasiado o cérebro com outras actividades cognitivas. As consequências são as dificuldades de integração e relacionamento.
Para o neurologista pediátrico Pedro Cabral, é importante que estas crianças exercitem as suas capacidades mas com alguns limites para não prejudicar por exemplo a comunicação e os aspectos sociais.

Estima-se que em Portugal existam cerca de 30 mil a 50 mil sobredotados. A maior parte tem acompanhamento psicológico e já aprendeu a lidar com a diferença. Mesmo assim é no meio escolar que estas crianças sobredotadas ainda encontram as principais dificuldades de integração.
Extraído do site "2010".
CRIANÇAS SOBREDOTADAS

Em entrevista à jornalista Patrícia Serrano da revista CRESCER, Nelson S. Lima respondeu a algumas questões sobre a sobredotação que serão publicadas oportunamente naquele órgão de comunicação social.
Dado o interesse que o assunto tem para muitos dos leitores desta página aqui apresentamos o essencial dessa entrevista.

Patricia Serrano - Quais são as aptidões e características que definem um sobredotado? E são estas aptidões limitadas às competências intelectuais e académicas, ou são mais latas e abrangentes?
Nelson Lima - As pessoas com altas capacidades ou com talentos excepcionais diferem dos outros indivíduos pelas potencialidades que apresentam e pelo elevado nível de execução e concretização de que são capazes nas suas áreas de interesse. Pode ser uma forma de inteligência que se apresenta bastante desenvolvida e estruturada (por exemplo: a lógica-matemática), uma alta habilidade (por exemplo: para a liderança) ou um talento artístico (por exemplo: a criação musical). Tradicionalmente chamam-se sobredotadas a estas pessoas mas o termo tende a ser substituído por "Indivíduo Portador de Alta Capacidade".
P.S. - A sobredotação é inata ou é uma questão de treino e estimulação?
N.L. - É inata e também é enriquecida pelo ambiente em que a pessoa esteja envolvida. Ambientes estimulantes, que desafiem as potencialidades do indivíduo, auxiliam ao desenvolvimento das suas capacidades e habilidades.
P.S. - As crianças sobredotadas possuem recursos intelectuais para se desenvolverem sozinhas?
N.L. - Geralmente sim mas pode acontecer que, devido a certas características de personalidade, uma determinada criança necessite de maior apoio e acompanhamento para dar o seu melhor. Um exemplo frequente é o das crianças sobredotadas que são muito introvertidas e tímidas e que tendem a inibir-se perante os outros e fecharem-se no seu mundo.
P.S. - Tem fundamento a ideia de que a grande maioria dos sobredotados provêm de uma classe social alta?
N.L. - É verdade pela simples razão que as classes sociais mais ricas oferecem melhores condições de vida a seus filhos, oportunidades, educação, cuidados de saúde e alimentação que têm uma importância determinante no desenvolvimento intelectual das crianças. Não quer isto dizer que nas camadas mais frágeis da população não existam crianças sobredotadas.
P.S. - As capacidades dos sobredotados estendem-se a todas as áreas académicas?
N.L. - Não. Há sobredotados com insucesso escolar. Mas a sobredotação chamada "cognitiva" - que confere ao indivíduo excelentes capacidades de aprendizagem - torna o aluno apto a atingir muito bons resultados na escola dependendo apenas da sua motivação e envolvimento. Já o sobredotado "académico" tem preferência específica por certas áreas do conhecimento (por exemplo, a Matemática) e pode descurar outras disciplinas que exijam outro tipo de habilidades (por exemplo; o Português). Arrisco a dizer que 60% dos sobredotados têm um sucesso acima da média na escola. Os restantes 40% não e podem até odiar a escola pois os seus interesses e habilidades divergem daquilo que a escola lhes oferece..
P.S. - Como é o desempenho escolar de um sobredotado sujeito à escolaridade normal? Supera constantemente os colegas ou rapidamente se desinteressa?
N.L. - Como disse, isso varia muito de caso para caso.
P.S. - Existem escolas e programas escolares apropriados para sobredotados? Se sim, poderão estes impedir um desenvolvimento "mais normal da criança"?
N.L. - Em Portugal não existem. Tudo depende dos professores, das escolas e das circunstâncias. Embora o Ministério da Educação reconheça a existência de sobredotação não instalou os meios necessários para fornecer-lhes os apoios de que possam necessitar.
P.S. - São bem aceites pelos outros colegas e pelos professores na escola?
N.L. - Às vezes, não. Quando um aluno se destaca pela sua sobredotação pode receber por parte dos professores e dos colegas inesperadas reacções, a mais terrível das quais é a rejeição. Por exemplo, a maioria dos professores tem muita dificuldade em lidar com os sobredotados "criativos" devido ao facto de frequentemente darem respostas que fogem ao "academicamente correcto".
P.S. - A sociedade e o sistema educativo de hoje estão preparados para lidar e oferecer programas adequados a estas crianças? O que é necessário fazer e oferecer ainda?
N.L. - O sistema educativo não está actualmente preparado para ninguém porque desactualizou-se nos últimos 20 anos. A escola não serve nem para os sobredotados nem para os incapacitados visto que está sobredimensionada (o ensino é massificado e denso) , os programas estão desfasados da sociedade que estamos a desenvolver há um sem número de problemas que infelizmente o Minsitério está a tentar resolver com remendos atrás de remendos.
P.S. - Qual deve ser o papel dos pais dos sobredotados?
N.L. - Aceitarem naturalmente a sobredotação. Há pais que ficam com medo que isso traga problemas e vivem intranquilos. E há pais que se tornam muito exigentes, pressionando os filhos para serem cada vez melhores na escola, no desporto, etc. O papel dos pais deve ser equilibrado proporcionando um estilo de vida saudável, tranquilo e aberto ao conhecimento.
P.S. - E como devem proceder os pais que desconfiam ter filhos sobredotados?
N.L. - Aconselharem-se junto de especialistas para tirarem dúvidas e receberem dicas para uma educação promissora.
P.S. - É correcta a ideia de que as crianças sobredotadas serão figuras de destaque e influência no futuro?
N.L. - É incorrecta pois a sobredotação não é uma apólice de seguro. Aquilo que essas crianças serão no futuro depende de muitos factores. Há muitos casos em que os sobredotados levam vidas adultas totalmente obscuras e problemáticas.
P.S. - É errado pensar que toda a gente é sobredotada em alguma aspecto?
N.L .- Todas as pessoas têm algo em que se podem destacar desde que tenham consciência das potencialidades que possuem e consigam as condições e as oportunidades necessárias para o seu desenvolvimento e projecção Todavia, os níveis de inteligência, motivação, sobredotação e talento variam de pessoa para pessoa pelo que os resultados diferem de caso para caso.
P.S. - Qual a função e o apoio prestado pelo Instituto da Inteligência e pela Academia dos Sobredotados que representa?
N.L. - O Instituto da Inteligência desde há dez anos que trabalha também com crianças sobredotadas. Fazemos o diagnóstico e o estudo de cada caso que nos seja apresentado, informamos os pais sobre os aspectos que devem ser tidos em conta na educação da criança e realizamos actividades para os pais e para as crianças (cursos, workshops, encontros, etc). Temos na internet vários sites que informam os pais sobre essas iniciativas. Permita-me aproveitar a oportunidade para informar que não trabalhamos apenas com crianças ou com sobredotados pois o âmbito das nossas actividades é muito mais vasto.

Jovens sobredotados:
ATENÇÃO AOS NOVOS MERCADOS DE TRABALHO

Por imaturidade, desconhecimento, inexperiência e falta de apoio, os jovens têm sérias dificuldades na escolha da sua carreira. A influência da família e de amigos, aliada a falta de informações são os factores que mais pesam na tomada de decisão por parte dos jovens. Na dúvida, cheio de insegurança, mais de 70% dos jovens optam pelas carreiras tradicionais, já totalmente saturadas no mercado, como medicina, direito, engenharia, odontologia e outras mais. Caberia à escola o papel orientador, mas essa prefere presenciar inerte seus alunos lutando desesperadamente pela aprovação em um curso "tradicional", para amanhã estarem desempregados ou subempregados.

Cursos Tradicionais
Seja por questões culturais, por falta de conhecimento, por tradicionalismo ou por status, os cursos mais concorridos nas universidades não são os de melhores perspectivas profissionais, mas sim os mais tradicionais. Segundo o vice-reitor da Unesp, Profº Dr. Paulo Cezar Razuk, os "cursos mais concorridos são aqueles ligados as profissões mais tradicionais que, por sinal, algumas delas, a médio prazo, estarão fadadas ao desaparecimento".

Diminuição da Importância do Diploma Universitário
Dois factores serão os principais responsáveis pela perda de valor do diploma universitário enquanto instrumento de ascensão social e profissional: a conscienlização da necessidade de educação permanente e as novas exigências do mercado de trabalho, como por exemplo: capacidade de aprendizado, assertividade, criatividade, adaptabilidade, flexibilidade e autodidatismo, que são habilidades de difícil mensuração, que não podem ser atestadas através de um diploma.

Sectores de maior probabilidade de crescimento para as próximas décadas
- Informática
- Saúde
- Meio Ambiente
- Biotecnologia
- Administração
- Tecnologias da Informação
- Sector terciário
- Educação
- Turismo
- Hotelaria
- Comunicação Social
- Moda
- Gestão
- Gastronomia
- Logística
- Marketing
- Telecomunicações
- Comércio Exterior e Relações Internacionais

Profissões do Futuro
- Administradores de Comunidades Virtuais
- Engenheiros de Rede
- Gestor de Segurança na Internet
- Coordenadores de Projetos
- Consultor de Carreiras
- Coordenadores de Atividades de Lazer e Entretenimento
- Designer e Programador de Jogos
- Gestor de Patrocínios
- Gestor de Empresas do Sector Terciário
- Especialista na preservação do Meio Ambiente
- Engenharia Genética
- Gerentes de Terceirização (comércio e serviços)
- Gestor de Relações com o Cliente
- Especialista em Ensino a Distância (EAD)
- Tecnólogo em Criogenia (congelamento de órgãos)
- Especialista em Neurofitness e Neuróbica.

Novas profissões 1
A revista francesa Techniques Magazine, publicou uma lista de 28 carreiras poucos comuns que, segundo ela, serão destaque nos últimos 10 a 25 anos. Entre elas se destacam:
- Arqueólogo Submarino
- Consultor de Lazer
- Gerente de Centro de Informações
- Tecnólogo em Bateria de Células Combustíveis Automotivas
- Tecnólogo em Correio Electrónico
- Tecnólogo em Medicina Biônica
- Terapeuta de Horticultura.

Novas profissões 2
A revista americana Time publicou recentemente um caderno em que apresenta as suas previsões para as profissões do século XXI. Entre as previsões da Time estão:
- Engenheiro de Tecidos Celulares - que actuarão no fabrico de órgãos humanos artificiais.
- Programador de Genes - que trabalharão com o mapeamento e alterações no código genético dos seres vivos para evitar e combater doenças e desenvolver medicamentos.
- Farmoagricultor - juntando as habilidades agrícolas com as farmacêuticas, esse profissional vai produzir grãos geneticamente modificados com a ajuda da engenharia genética.
- Organizadores de dados - profissional com a habilidade de organizar o turbilhão de informações que todos os dias é produzido por institutos de pesquisas, ONGs, governos, imprensa, universidades, e seleccionar as informações necessárias, sintetizá-las e contextualizá-las.
- Actores e escritores virtuais - para actuarem em filmes e fotonovelas veiculados apenas na Internet.
- Engenheiros do conhecimento - profissionais capazes de criar inteligência artificial ou traduzir o expertise de especialistas e reproduzi-lo em softwares.

Diminuição da Duração dos Cursos no Ensino Superior
Acredita-se que em futuro próximo os cursos de graduação terão de um a três anos, no máximo, de forma que o indivíduo inicie seu processo profissional o quanto antes, mantendo a vida estudantil concomitantemente a vida profissional. Actualmente, mais da metade das pessoas que se formam no Ensino Superior dos EUA fizeram cursos de duração inferior a três anos.

Mercado de Trabalho
O encolhimento e o desaparecimento de diversos mercados de trabalho é um movimento que já vem sendo acompanhado há mais de duas décadas. Só agora, no entanto, ele se configura como irreversível. Não há governo ou sindicato que possa alterar esse quadro. Absolutamente nada poderá deter a marcha da imprevisibilidade. Profissões desaparecerão, mas novas oportunidades surgirão. O que as pessoas precisam entender é que as coisas não serão mais como eram antes. Uma carreira não tem como ser planeada para toda a vida. Já está longe o tempo em que passar no concurso de um banco era garantia de segurança "eterna".

Para o Doutor em economia e articulista do jornal A Folha de São Paulo - Gilson Schwartz, o mercado de trabalho, no sentido convencional da expressão, desapareceu. Para ele, esse "desaparecimento" do mercado pode ter sete diferentes significados:
- Encolhimento do mercado, existindo menor oferta de empregos devido a retração da economia.
- Desaparecimento do mercado através da substituição de certas profissões por máquinas e computadores, ou ainda, pela eliminação do processo de intermediação. Por exemplo, já é previsto o fim dos agentes de viagens devido a gradativa eliminação da intermediação na compra de passagens.
- Flexibilização do mercado com as mudanças das leis trabalhistas e o aumento do trabalho realizado de forma "alternativa" ao convencional (CLT).
- Virtualização do mercado com a transferência de diversos serviços para dentro da Internet, como por exemplo, os serviços bancários, os serviços de representação comercial etc.
- Degradação do mercado pela perda do status de determinada profissão ou pela deteriorização progressiva de uma carreira.
- Barreiras etárias à entrada no mercado em função da dificuldade que trabalhadores acima de 45 anos encontram para conseguirem uma colocação profissional.
- Irrelevância do mercado, já que muitas pessoas estão encontrando outras formas de sobreviverem, livres e distantes do mercado formal de trabalho.

As novas exigências
Não é mais o mercado que vai se adaptar ao perfil das pessoas. Elas precisam estar em constante mudança para adaptarem-se ao perfil do mercado. O trabalhador precisa acompanhar as tendências e conjunturas e estar preparado para ir se adaptando a elas o tempo todo. Neofilia, o gosto pelo novo, pela mudança, é a palavra de ordem na selecção profissional.

Competências, Habilidades e Atitudes do Profissional do Século XXI
- Capacidade de trabalhar em equipe
- Domínio de idiomas
- Domínio de informática
- Autodidatismo (aprender sozinho)
- Reciclagens periódicas
- Actualização permanente
- Neofilia (a procura de novidades e alternativas)
- Cidadania e responsabilidade social
- Habilidade na tomada de decisões
- Capacidade de aprender a aprender
- Capacidade de associação de idéias
- Liderança
- Visão de Conjunto.

Profissionais Multímodas
Além da competência e habilidades necessárias ao profissional do futuro, há um item de fundamental importância: o nível de abrangência das capacidades desse profissional. Os termos para designá-lo são muitos: profissional híbrido, multifuncional, polivalente, multímoda, interdisciplinar, entre outros. O que importa é que ele tenha a capacidade de expressar e aplicar o seu conhecimento, competências e habilidades de muitas maneiras. Podemos apresentar como por exemplo de profissional multímoda, um nutricionista que está apto a dar consultoria pela Internet, realizar palestras sobre o tema que domina, fazer auditoria nas empresas em que actua e seleccionar profissionais do ramo para actuar nos locais em que dá consultoria.

Fonte: @aprender. Adaptado.

NOVA REFLEXÃO SOBRE
A INTELIGÊNCIA HUMANA

Para que haja um determinado tipo de inteligência é preciso que a Natureza tenha assim determinado e criado as condições físico-orgânicas para isso. Ao se estudar o cérebro sadio, com o propósito de entender o seu funcionamento e a sua capacidade de operar, compreender e criar coisas, só encontramos condições para dois grandes tipos de inteligência:

a) a grande inteligência, a inteligência de ser, analógica e instintiva, e
b) a inteligência racional, também chamada de noética, tornada possível pelo intelecto e suas funções e identificada com a lógica aristotélica.

As estruturas que tornam possível a grande inteligência são as que compõem o chamado sistema límbico, e as estruturas que tornam possível a inteligência racional é a organização neuronal do córtex cerebral, não havendo, além dessas, estruturas cerebrais que nos permitam falar em outros tipos de inteligência.

Howard Gardner, ao lançar sua teoria das múltiplas inteligências, no seu dizer: inteligência linguística, inteligência lógico-matemática, inteligência visuo-espacial, inteligência musical, inteligência corpo-cinestésica, inteligência socio-interpessoal, inteligência intrapessoal, inteligência naturalista, - tendo considerado, mais tarde, a possibilidade de uma inteligência espiritual -, parece ter confundido habilidade com inteligência.

Na verdade, o que Gardner chamou de "inteligências" são habilidades que estão englobadas nos dois grandes tipos de inteligência, mas não constituem, por si mesmas, tipos de inteligência.

Se fôssemos aceitar múltiplas inteligências, estaríamos regredindo às idéias do médico alemão Franz Joseph Gall (1758-1828), que criou a frenologia, segundo a qual o formato do crânio indicaria, logo abaixo, certas circunvoluções cerebrais (bossas) que dariam condições especiais de inclinações para determinados assuntos: linguísticos (bossa para línguas), para matemática (bossa para matemática), para música (bossa musical) e assim por diante. A teoria de Gall foi bem aceita e, à época, eram poucos os médicos que não tinham em seus consultórios uma cabeça frenológica de porcelana. Essa teoria é mencionada hoje apenas para relato histórico, sem nenhuma validade científica.

Voltando aos dois tipos de inteligência: quando desenvolvemos bastante cada um deles, chegamos ao conceito de superinteligência, como é lógico.

Como a grande inteligência é tornada possível basicamente pelas estruturas do sistema límbico, situadas bem no interior do cérebro e mais responsável pelas emoções, há quem a chame de inteligência emocional , o que o autor deste artigo, no início, evitou fazer, uma vez que a palavra emocional é polissêmica e seus vários sentidos tornam confuso seu entendimento. Por isso, este autor usou a expressão grande inteligência em sua conferência, em Estocolmo, Suécia (em 1984), quando apresentou o conceito do que o americano Goleman chamou, em 1995, de "inteligência emocional".

Outra razão que nos leva a considerar duas formas de inteligência é o facto que temos dois hemisférios cerebrais, cada qual com suas funções específicas: enquanto o esquerdo é o da inteligência lógico-racional, o direito é o da grande inteligência. As habilidades linguísticas são possíveis graças a estruturas no hemisfério esquerdo (área de Broca e área de Wernicke), da mesma forma que as habilidades lógico-matemáticas. A habilidade musical, a corpo-cinestésica, a sócio interpessoal, a intrapessoal, a naturalista do hemisfério direito.

Ainda mais: sempre se considerou duas maneiras de pensar, a indução (da grande inteligência) e a dedução (a inteligência noética). O pensamento por analogia, isto é, pelas semelhanças nas relações, é uma indução começada.

Como se vê, pelas razões expostas acima, não há que se falar em múltiplas inteligências e, sim, habilidades dos dois grandes tipos de inteligência.

Texto do Professor Luiz Machado, Ph.D., Cientista Fundador e Mentor da Emotologia.


CRIANÇAS SOBREDOTADAS:
ESSAS DESCONHECIDAS!

Advertência:
O presente artigo remete-nos para um terreno que a maioria dos estudiosos do fenómenos da sobredotação recusa aceitar. Trata-se de uma abordagem não científica do problema. Ela resulta de uma visão espiritualista da sua autora que, sendo embora formada em psicologia, defende uma origem sobrenatural da sobredotação. Porque aceitamos que outros pontos de vista devem ser livremente expressos decidimos aqui colocar um artigo da Dra. Cristina Silva para que, todos nós, interessados no estudo da sobredotação, possamos ampliar o nosso olhar sobre as crianças com altas capacidades.
Instituto da Inteligência

"Em todas as sociedades, em todos os tempos, destacaram-se crianças que pelas suas capacidades extraordinárias em várias áreas foram consideradas génios ou crianças-prodígio. Actualmente, estas crianças encontram-se agrupadas dentro do grande conjunto que forma as «crianças excepcionais».

Entende-se por criança excepcional aquela que se diferencia da criança «normal», a ponto de requerer mudanças na prática escolar para desenvolver todo o seu potencial segundo a moderna Psicologia Educacional. Ao contrário dos demais grupos, as crianças sobredotadas (designação utilizada pelos profissionais) apresentam um excedente de capacidades em uma ou mais áreas do desenvolvimento.

Estas crianças têm sido objecto de interesse de numerosos pesquisadores. No entanto, ressaltamos o estudo de um ilustre professor de Psicologia da Stanford University, Lewis M. Terman, cuja pesquisa revelou várias características comuns a estas crianças:

- superiores quanto às características físicas e de saúde;
- adiantadas nas disciplinas escolares, dois a quatro anos além da média;
- capazes de manter a sua maturidade intelectual até à vida adulta;
- superiores em saúde mental;
- menos propensas a desajustes sérios e à delinquência;
- oito vezes mais propensas a exercerem profissões liberais.

Hoje em dia, perante este grupo de crianças, colocam-se vários obstáculos que passam pela própria identificação e consequente ajustamento curricular e muito especificamente pela sua inserção social. Este último ponto é vivido tanto pela família como pela criança de uma forma muito ansiosa e angustiante, como podemos observar pelo relato de uma mãe publicado pelo «Daily Express»:

«Só quando chegou aos dois anos é que os problemas começaram. Era como se eu discutisse com um adulto. Respondia, dando razões lógicas sobre aquilo que devia, ou não, fazer». «Era muito debilitador para mim, porque sentia que não tinha capacidade para ser uma boa mãe, respondendo às suas necessidades». (...) «No seu quinto aniversário, quando chegou à idade regulamentar de ir para a escola, tive de novo problemas porque ela compreendia que as outras crianças daquela escola pública não estavam no seu nível quanto à leitura e escrita. Começou a conformar-se aos seus níveis porque queria ser como eles para poder ser aceite. Mas esse esforço originou grandes dificuldades emocionais e de comportamento, tais como pesadelos, desagrado pela escola e até recusa em ir às aulas».

Outro casal, que tem problemas semelhantes com a sua filha, afirma no mesmo artigo: «As pessoas pensam que as crianças sobredotadas têm pais exigentes, mas não é o caso. São crianças naturalmente curiosas que dormem muito pouco e que ficam furiosas quando cometem um erro - sentem que têm de ser perfeccionistas». (...) «Nunca impus limites à minha filha. Contudo, é uma criança perfeitamente normal que gosta de brincar com bonecas, contrariamente às crianças da sua turma». «Não sei de onde vem a sua inteligência sobredotada, mas quero que seja uma pessoa normal, que faz coisas normais».

De onde vem...
Muitos dos investigadores avançam a hipótese de que a sobredotação é uma capacidade inata combinada com a oportunidade. Isto é, ela é o resultado de uma mistura de influências genéticas (o que apoia o surgimento das crianças-prodígio de 3, 4 e 5 anos) e influências ambientais (maior valorização do desenvolvimento de algumas áreas em deterimento de outras).

Esta explicação, contudo, parece insuficiente para justificar muitos casos como o de um linguista fenomenal, o sr. Trombetti, italiano, que nasceu de uma família de bolonheses pobres e completamente ignorantes, que aprendeu sozinho francês e alemão na escola primária, árabe, com a simples leitura da vida de Dbd-el-Kader, escrita na mesma língua; aprendeu, com um persa, que estava de passagem por Bolonha, em algumas semanas a sua língua; aos 12 anos aprendeu por si só e ao mesmo tempo latim, grego e hebraico, tendo estudado quase todas as línguas vivas e mortas. Conhecendo, segundo os seus amigos, mais de 300 dialectos orientais.

Casos como este ficariam superficialmente explicados se não se procurar a causa no espírito imortal.

Aprender é recordar-se
A Psicologia, como nos diz Emmanuel, não atingirá as soluções enquanto movimentar somente os materiais da ciência humana, conservando-se no terreno das definições e dos estudos muito distantes da causa. Porém, conforme adianta, os conhecimentos do mundo caminham para a evolução dessa ciência à luz do espiritismo, o qual esclarecerá o homem quanto ao seu verdadeiro património, do qual os fenómenos da sobredotação são o maior testemunho.

Conforme afirmam os espíritos superiores, na questão 219 de «O Livro dos Espíritos», acerca da origem das faculdades extraordinárias de alguns indivíduos, há que entender que estas não são mais do que lembranças do passado, não são mais do que o reflexo do progresso anterior da alma, de que o espírito não tem consciência enquanto encarnado. Pois só os corpos mudam, o espírito é sempre o mesmo.

Só através do processo reencarnatório, como expressa Léon Denis, podemos compreender como certos espíritos, ao encarnarem, mostram desde tenra idade a faculdade de trabalho e de assimilação que tanto caracteriza as crianças sobredotadas. Cada um traz ao nascer os frutos da sua evolução, a intuição do que aprendeu, as aptidões adquiridas nos diversos domínios do pensamento, a habilidade para esta ou aquela actividade, enfim o resultado de um labor secular que deixou impresso no seu invólucro perispiritual marcas profundas, gerando uma espécie de automatismo psicológico. Por isso dizia Platão: «Aprender é recordar-se!».
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Bibliografia: Denis, Léon (1991) - O Problema do Ser, do Destino e da Dor, FEB; Gallagher, Kirk (1991) - Educação da Criança Excepcional, Martins Fontes; Kardec, Allan (1992) - O Livro dos Espíritos, CEPC; Xavier, Francisco Cândido, Emmanuel (1980) - O Consolador, FEB.
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Texto de Cristina C. Silva, Psicóloga e directora do Departamento de Infância e Juventude da Federação Espírita Portuguesa. Fonte: Revista de Espiritismo, nº 25.


MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS,
MÚLTIPLOS TALENTOS

A partir das pesquisas do neuropsicólogo americano Howard Gardner, sabe-se que a inteligência representa a capacidade do humano de criar a partir do que aprendeu culturalmente e do que desenvolveu em seu cérebro. Então, o que significa o potencial múltiplo da inteligência humana?

Essa capacidade de criar é múltipla porque pode revelar diferentes habilidades intelectuais ou competências cognitivas. A inteligência é um potencial múltiplo porque representa a potência biológica e cultural que pode se multiplicar, dando vez ao surgimento de outras habilidades e competências. Isso é comum a qualquer indivíduo. Como esse potencial pode desenvolver diferentes inteligências?

O segredo está nos processos educativos que os seres humanos vivenciam, na formação moral e na orientação para a vida. Então, a inteligência é um potencial múltiplo porque pode se fazer e refazer culturalmente, e revelar-se de multiplas formas. Vejamos:

A inteligência linguística
É um potencial que revela a capacidade do indivíduo de aprender noções dos códigos linguísticos, guardá-los na memória e aplicá-los criativamente. Traduz o valor da competência de escrever, interpretar e aplicar palavras e frases em situações de comunicação. Essa inteligência está relacionada com as oportunidades que o indivíduo tem de vivenciar aprendizagens sobre a linguagem.
A inteligência linguística revela-se no domínio da palavra, tanto representada por códigos escritos marcados em papéis e pedras, quanto na expressão oral da fala. É um tipo de inteligência que se desenvolve nas interacções iniciais da vida do indivíduo, com a aprendizagem da linguagem.

A inteligência matemática
É um tipo de inteligência que se revela na capacidade mental do humano de guardar, na sua memória, informações de representações de quantidade e de aplicar essas informações no quotidiano, resolvendo problemas. A inteligência matemática é um potencial que revela a capacidade do indivíduo de criar soluções factíveis, com base em representações numéricas. Essas soluções são rapidamente formuladas pela mente e apresentam coerência antes mesmo de serem representadas materialmente.

A inteligência musical
Trata-se de um potencial que revela a capacidade do indivíduo de aprender sons e ritmos e de interpretá-los, concebendo novos contornos melódicos com arranjos musicais. Há evidências de que “certas áreas do hemisfério direito do cérebro são ativadas no desempenho da percepção e da produção de músicas”. A inteligência musical revela-se como o potencial do indivíduo para atribuir significados a sons, representá-los e elaborar conhecimentos a partir deles. A criação da música se mostra como uma actividade cultural denominada de composição.

A inteligência espacial
É uma inteligência que se traduz na percepção dos espaços. O indivíduo é capaz de executar modificações sobre percepções iniciais de espaço, recriando aspectos, mesmo na ausência do contacto material. Essa inteligência permite que indivíduos desenhem, mapeiem e visualizem objectos em várias dimensões e representem imagens internas.

A inteligência corporal
Essa inteligência, que se revela na capacidade do indivíduo de usar o próprio corpo com habilidades que se expressam nos movimentos. Trata-se de uma competência responsável pelo controle dos movimentos corporais, criando representações possíveis de serem executadas pelo corpo, em espaços e situações diversas (dança, desporto, teatro, etc).

A inteligência intrapessoal
É uma inteligência que revela aspectos introspectivos de reflexão e autocompreensão manifestados na interpretação de sentimentos e emoções, relacionando-se a linguagens que servem de base para entender e executar comportamentos. Um indivíduo que desenvolveu essa inteligência revela, em seus comportamentos, o interesse de conhecer a si mesmo e de aprender com seus erros a elaborar novos comportamentos úteis ao grupo social com o qual se relaciona. O autismo e a esquizofrenia exemplificam casos de indivíduos com a inteligência intrapessoal prejudicada.

A inteligência interpessoal
É um potencial que revela a capacidade humana de se comunicar, de observar e fazer distinções entre indivíduos quanto às necessidades, desejos e escolhas. Essa é uma inteligência que se manifesta com aprendizagens que envolvem sentimentos de colaboração e interacção. Um dano nessa área pode provocar mudanças na personalidade, como por exemplo, a doença de Pick, uma demência pré-senil, que tem como conseqüência, dentre outras, uma rápida perda das boas-maneiras sociais.

A inteligência naturalista
Trata-se de um potencial da inteligência que é demonstrado em comportamentos criativos, que associam saberes adquiridos no quotidiano do senso comum a conhecimentos adquiridos com métodos científicos que sejam relacionados, não só à vida social, mas também, ao ambiente natural. A inteligência naturalista aplica informações sobre as condições biológicas da natureza na compreensão da vida no mundo amplo. O potencial naturalista é valorizado culturalmente, tanto no senso comum, quanto na esfera da ciência.

A inteligência espiritual
Essa inteligência é demonstrada como a capacidade do indivíduo de compreender fenômenos que não são pura matéria ou física, mas que constituem abstrações que são valorizadas em diferentes sociedades. A inteligência espiritual revela a competência do indivíduo para lidar com informações que não são adquiridas em relações materiais, mas constituem mundos sobrenaturais e abstratos.

A inteligência existencial
Essa inteligência surge da capacidade humana de “se situar em relação aos limites extremos do mundo como o infinito e o infinitesimal”. Esse “situar” ocorre em relação à condição humana de existir e representar o mundo com significados sobre a vida, a morte, o destino do mundo, o porquê do amor e o significado da felicidade. É um tipo de inteligência que lida com informações sobre a condição humana, criando conhecimentos que implicam na orientação da vida social. Indivíduos que desenvolvem esse tipo de inteligência são actuantes em sistemas filosóficos, científicos e religiosos; lidam com a elaboração de princípios que orientam sociedades; buscam desconstruir paradigmas com a elaboração de novas noções que validem os acontecimentos sociais, como por exemplo, a instituição de direitos.

A inteligência moral
Explicitar uma inteligência moral requer um estudo aprofundado na esfera da moralidade que inclua uma investigação sobre “personalidade, individualidade, desejo e sobre a realização mais elevada da natureza humana”. Pensar numa inteligência moral torna-se aceitável quando passamos a interpretar que o sentimento de justiça direcciona decisões, aplicação de leis e reconstroem modos de convivência. É possível constatar, por exemplo, que ao longo de nossa evolução, lidamos com a moral como qualidade essencial da vida humana. Refletimos e elaboramos conhecimentos tendencialmente preocupados com o que é “próprio e impróprio, certo ou errado, justo ou injusto”.

Muitas crianças revelam altas capacidades num ou mais dominios destas inteligências. Como vimos, nem todas têm espaço de expressão e desenvolvimento na escola pelo que muitos alunos sobredotados não encontram alí lugar para tirarem partido do seu potencial. E isso pode trazer sérios prejuizos para a sua plena realização.

Fonte: Edna Brennand e Giuliana Vasconcelos, in "Ciência & Congição" (2005). Adaptado.

TALENTO MATEMÁTICO

Carlos Mateus Silva Santos, um brasileiro de 19 anos, foi o mais jovem doutor de toda a história do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia (Brasil), considerado o organismo de estudos e pesquisas em matemática melhor conceituado do hemisfério sul.

Filho de família humilde, Carlos Mateus começou a estudar no IMPA quando tinha 14 anos, três anos depois concluiu o mestrado e, em 2004, recebeu o título de doutor.

"É um aluno excepcional, com um grande talento que foi descoberto por um dos nossos pesquisadores em Aracaju. Como é muito jovem, ele não tem medo e se joga nos grandes problemas da matemática", disse o director adjunto do IMPA, Marcelo Viana, que foi o orientador de Carlos Mateus.

A tese que o jovem doutor defendeu é sobre uma área tecnicamente muito sofisticada - a teoria ergódica, um estudo probabilístico do sistema dinâmico.

Carlos Mateus já publicou estudos em diversas revistas científicas internacionais, como a "Comentarii Mathematici Helvetici", e a Nonline Arity.

Para que ele conseguisse frequentar o IMPA, seus pais tiveram que se revezar, cada um deles passava uma temporada a residir no Rio de Janeiro em casa de parentes. E foi com a ajuda de duas bolsas de estudos que Carlos Mateus concluiu brilhantemente a sua formação. Agora, ele recebe uma bolsa de pós-doutorado para continuar a sua carreira.



ENTRE O TALENTO E A LOUCURA

"Muitas pessoas já me caracterizaram como louco", escreveu certa vez Edgar Allan Poe (1809-1849). "Resta saber se a loucura não representa, talvez, a forma mais elevada de inteligência."

Nessa sua suspeita de que genialidade e loucura talvez estejam intimamente entrelaçadas, o escritor americano não estava sozinho. Muito antes, Platão mostrara acreditar numa espécie de "loucura divina" como base fundamental de toda criatividade.

Uma lista interminável de artistas célebres, parte deles portadores de graves transtornos psíquicos, parece confirmar o ponto de vista do filósofo grego. Vincent van Gogh, Paul Gauguin, Lord Byron, Liev Tolstói, Serguei Rachmaninov, Piotr Ilitch Tchaikóvski, Robert Schumann - o célebre poder criativo de todos eles caminhava lado a lado com uma instabilidade psíquica claramente dotada de traços patológicos.

Variações extremas de humor, manias, fixações, dependência de álcool ou drogas ainda hoje atormentam a vida de muitas mentes criativas

No início do século XX, a busca pelas raízes da genialidade era um dos temas mais palpitantes da investigação psicológica. Cientistas de ponta tinham poucas dúvidas de que certos males psíquicos davam asas à imaginação.

"Quando um intelecto superior se une a um temperamento psicopático, criam-se as melhores condições para o surgimento daquele tipo de genialidade efectiva que entra para os livros de história", sentenciava o filósofo e psicólogo americano William James (1842-1910).

Pessoas assim perseguiriam obsessivamente suas idéias e seus pensamentos - para seu próprio bem ou mal - e isso as distinguiria de todas as outras. Sigmund Freud também se interessou pelo assunto. Convicto de que encontraria "algumas verdades psicológicas universais", analisou vida e obra de artistas e escritores famosos, buscando pistas de transtornos mentais.

Mas foi somente a partir dos anos 70 que Nancy Andreasen, psiquiatra da Universidade de Iowa, começou a investigar de forma sistemática a suposta ligação entre genialidade e loucura. Participaram de sua experiência 30 escritores cujo talento criativo havia sido posto à prova na renomada oficina de autores da universidade.

Perturbações "criativas"?

Andreasen examinou essas personalidades à procura de distúrbios psíquicos e comparou os dados obtidos aos daqueles grupos de um grupo de controle: 80% dos escritores relataram perturbações regulares do humor, ante 30% no grupo de controle. Quarenta e três por cento dos artistas satisfaziam os critérios para o diagnóstico de uma ou outra forma de patologia maníaco-depressiva, o que, no grupo de controle, só se verificou em uma a cada dez pessoas.

Durante o estudo, dois escritores cometeram suicídio - dado que, segundo Andreasen, não seria estatisticamente significativo. A psiquiatra comprovou pela primeira vez e com métodos científicos que, por trás da suposta conexão entre criatividade elevada e psique enferma, haveria algo mais que o mero e surrado lugar-comum.

Em 1983, Kay Redfield Jamison conduziu um estudo em que obteve resultados claros e semelhantes. Psicóloga da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, ela contactou 47 pintores e poetas britânicos renomados. Seguindo os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), examinou a presença de transtornos de humor caracterizados por fases depressivas.

Segundo o Manual, esses transtornos são marcados por estados depressivos que duram de duas a quatro semanas e prejudicam sensivelmente o quotidiano dos pacientes, que não conseguem animar-se para nada, sofrem perturbações da concentração e do sono e têm pensamentos negativos beirando o desespero total.

A presença desses sintomas aponta para o chamado transtorno depressivo maior. Mas, além desse, há também os transtornos bipolares, nos quais fases depressivas são alternadas com picos de euforia - os episódios maníacos.

Nesse caso, os pacientes quase não dormem, estão sempre ocupados com alguma coisa, seus pensamentos saltam de um tema a outro e eles atribuem a suas idéias - e, em geral, também a si próprios - grandeza absoluta.

Depressão e criatividade

Tais males psíquicos, caracterizados como depressões maníacas, estão entre os transtornos de humor pelos quais Jamison procurava em seu estudo. Ela constatou que quase 40% dos artistas examinados haviam requerido ajuda médica alguma vez na vida - taxa 30 vezes mais alta que a verificada entre a média da população.

A corporação dos escritores revelou ser a que sofria dos problemas psíquicos mais severos. Um de cada dois poetas já havia recorrido a tratamento psiquiátrico em virtude de depressão ou episódios maníacos.

Na década de 80, Hagop Aksikal entrevistou outros 20 artistas europeus, tendo por base os critérios do DSM. Dois terços deles sofriam de episódios depressivos recorrentes, muitas vezes combinados com os chamados estados hipomaníacos - forma menos pronunciada da mania.

Como constatou esse psicólogo da Universidade da Califórnia, em San Diego, metade dos artistas tinha enfrentado depressão em algum momento da vida.

Tendência semelhante, aliás, Aksikal já havia observado entre músicos de blues nos Estados Unidos. Com base nessas pesquisas, Jamison concluiu que o grande número de artistas com diagnóstico de depressão ou de transtornos bipolares já não podia ser atribuído ao acaso.

A pesquisadora admitia deficiências metodológicas também no seu próprio estudo - por exemplo, o número demasiadamente reduzido da amostra -, mas a conexão entre instabilidade psíquica e potencial criativo era evidente.

Ruth L. Richards e colegas da Harvard Medical School, em Boston, tentaram abordar a questão de outro ponto de vista. Em vez de saírem em busca de males psíquicos em artistas reconhecidos, inverteram a pergunta: portadores de enfermidades psíquicas seriam particularmente criativos?

Eles examinaram a criatividade de 17 pacientes com depressão maníaca manifesta e de 16 ciclotímicos - a forma mais amena do transtorno bipolar -, com base na chamada Lifetime - Creativity Scale. Nessa escala de criatividade influenciam não apenas os testes relacionados ao pensamento inovador e original, mas também o desempenho criativo nas esferas pessoal e profissional.

Os pacientes saíram-se melhor que o grupo de pessoas utilizado para comparação, composto de indivíduos sem qualquer histórico psiquiátrico. O tipo de transtorno desempenhou aí papel bastante decisivo. Os participantes ciclotímicos revelaram-se muito mais criativos. Além disso, ficaram atrás de seus familiares sem distúrbios psíquicos evidentes, também avaliados.

Em busca de uma explicação

A hipótese aventada pelos pesquisadores foi, portanto, a de que os parentes dos pacientes talvez tendessem à instabilidade psíquica, cuja manifestação neles se daria de forma tão amena que não lhes causaria problemas. "É possível que pessoas com tendência reduzida, talvez até imperceptível, à instabilidade bipolar sejam mais criativas", concluíram os pesquisadores.

Nesse meio tempo, o pensamento aguçado, de criatividade incomum, e a produtividade elevada passaram até mesmo a serem considerados indícios no diagnóstico de fases maníacas. Mas como uma enfermidade tão perturbadora e destrutiva pode incrementar nosso poder criativo?

Afinal, normalmente reina o caos entre os maníaco-depressivos, tanto no aspecto profissional quanto no pessoal. Quando estão com episódios maníacos, endividam-se, mergulham em relacionamentos duvidosos e aventuras sexuais sem medir as conseqüências. Agressões e até mesmo alucinações integram o quadro. Então, a esse apogeu temporário segue-se sempre o mergulho em depressão profunda.

O psicólogo americano Joy Paul Guilford (1897-1987) definiu criatividade como a capacidade de, diante de um problema, "encontrar respostas incomuns, de associação longínqua". Para chegar a uma idéia original, abandonam caminhos já trilhados e pensam de modo diferente. O intelecto, então, não se aferra à busca de uma única solução correta, mas move-se em diversas direções.

Quanto mais fluentes e livres jorrarem os pensamentos, melhor. São precisamente esses talentos que os portadores de transtornos bipolares exibem em abundância na fase maníaca. Seu cérebro trabalha à toa, despejando idéias nada convencionais.

Essa imensa produção está longe de resultar apenas em coisas sensatas, mas pouco importa: a massa de idéias que brota da mente maníaca eleva a probabilidade de que haja entre elas alguns lampejos mentais "genuínos".

O psicólogo Eugen Bleuler, contemporâneo de Freud, via aí o elo procurado entre genialidade e doença mental. "Mesmo que apenas os casos amenos produzam algo de valor, o facto de neles as idéias fluírem com mais rapidez e, sobretudo, de as inibições desaparecerem estimula as capacidades artísticas."

Também para Jamison, o segredo está no pensamento rápido e flexível, bem como no dom de unir coisas que, à primeira vista, não possuem qualquer conexão entre si.

O que Bleuler, no passado, só podia supor hoje é confirmado por estudos científicos. Assim, pacientes de hipomania mostram superioridade em testes de associação de palavras: num espaço de tempo delimitado e com uma palavra dada, são capazes de associar quantidade bem maior de conceitos que pessoas em perfeitas condições psíquicas. Dão menos respostas estatisticamente "normais" que as do grupo de controle, mas encontram soluções heterodoxas em número três vezes maior. Os hipomaníacos chamam a atenção também pelo seu modo de falar. Tendem a fazer uso de rimas e empregam com freqüência associações sonoras, tais como as aliterações. Além disso, seu vocabulário compreende em média três vezes mais neologismos que o de uma pessoa saudável. E mais: nos pacientes em fase maníaca, a rapidez do processo de pensamento traduz-se numa elevação do quociente de inteligência.

Maníaco-depressivos exibem também certas qualidades não cognitivas muito úteis aos artistas. Robert DeLong, psicólogo da Harvard Medical School, pediu a um grupo de crianças, todas com sinais precoces de transtorno bipolar, que fizesse desenhos sobre um tema.Na comparação com o grupo de controle, não apenas seu nítido e transbordante poder de imaginação chamou atenção.

DeLong ficou ainda mais impressionado com a extraordinária capacidade de concentração dessas crianças, que se dedicaram durante horas à tarefa, sem se deixar distrair por coisa alguma. Como resultado, seu brilhantismo revelou-se tanto no desempenho espantoso da memória quanto nos desenhos detalhados. Energia fabulosa e concentração total caracterizam também as fases criadoras de muitos pintores, escultores, escritores e poetas. Muitos deles varam noites escrevendo ou passam horas sem fim no ateliê, sem dormir.

Limiar da loucura

Nancy Andreasen acrescenta outra explicação: "o sistema nervoso, afinadíssimo", simplesmente perceberia mais informações sensoriais, transformando-as em idéias criativas. Embora sem comprovação definitiva, a psicóloga supõe que a causa seja "um defeito nos processos cognitivos que filtram esses estímulos".

No final de 2003, Shelley Carson, da Universidade de Harvard, e Jordan Peterson, da Universidade de Toronto, descobriram que Andreasen estava certa. Eles recrutaram 25 estudantes que haviam se destacado por seu desempenho criativo extraordinário e, com auxílio de um teste, puderam determinar a chamada inibição latente em cada um deles - mecanismo cognitivo que exclui do fluxo contínuo de dados sensoriais aqueles que a experiência já demonstrou serem de pouca valia.

Nos colegas não criativos, esse processo de filtragem inconsciente se revelou nitidamente mais pronunciado. Em decorrência da menor inibição latente, pessoas criativas acolhem mais impressões de seu entorno. Mas há também o outro lado dessa moeda. "Quando uma pessoa tem 50 idéias diferentes, o provável é que só duas ou três sejam boas de facto", explica Peterson. "É necessário saber diferenciar essas idéias para não submergir no meio de tantas delas. Daí a importância da inteligência e da memória operacional para evitar que as mentes criativas se afoguem numa torrente de informações", conclui.

Será que os pacientes de transtorno bipolar ultrapassam o limiar da loucura por quase sufocar sob a massa enorme de idéias e pensamentos? Para Carson e Peterson, isso é precisamente o que sua experiência deixa claro: "Um grau reduzido de inibição latente associado a uma extraordinária flexibilidade de pensamento pode, sob certas circunstâncias, predispor o indivíduo às doenças mentais ou, sob outras circunstâncias, a façanhas criativas".

Nessa questão, Jamison - que também sofre de depressões maníacas - defende uma tese interessante. Ela acredita que o mergulho recorrente na depressão evita que portadores de transtorno bipolar se percam em pensamentos e idéias obscuras. Indivíduos depressivos - atormentados por dúvidas, insegurança e hesitação - teriam um juízo mais realista das coisas.

Seu "mecanismo interno de edição", como Jamison o denomina, operaria com a correspondente sensibilidade, ou seja, verificaria a utilidade das idéias produzidas pela mente hiperativa e excluiria as cores berrantes do excesso. Sendo assim, todas as idéias que, na fase maníaca, se revelam grandiosas, seriam submetidas ao crivo de um extremo rigor crítico.

Já o pioneiro Guilford via o segredo- do pensamento criativo na capacidade de estabelecer um vínculo entre o racional e o irracional, o conhecido e o desconhecido, o convencional e o não convencional. Se, porém, a criatividade brota dessas oposições, espíritos criativos arriscam-se continuamente a ir longe demais com suas idéias e seus pensamentos, ultrapassando as fronteiras do inteligível.

A arte como terapia?

Uma rápida visita aos livros de história nos mostra como é tênue a linha que separa a genialidade da loucura. Seja a visão heliocêntrica do mundo de Copérnico ou a teoria da evolução de Darwin, muitos lampejos geniais foram a princípio recriminados como produto de um cérebro doentio. Hoje, porém, ninguém mais duvida da saúde psíquica de tais personalidades.

Mas não são poucos os psicólogos que sustentam que portadores de doenças psíquicas com freqüência trabalham em áreas criativas apenas porque a actividade artística os ajuda a proteger a própria mente da destruição.

"A literatura me pegou pela mão e me salvou da loucura", ponderava a poeta americana Anne Sexton (1928-1974), que, em virtude de uma grave psicose, vivia sendo internada em clínicas psiquiátricas.

Criatividade como saída para a crise? Residiria aí o famigerado vínculo entre poder de criação e sofrimento psíquico? O facto de tantos pacientes psiquiátricos se beneficiarem de terapias envolvendo a pintura, a dança ou a música parece confirmar essa hipótese.

Contudo, dois fatos não devem ser esquecidos: a maioria dos doentes não demonstra possuir fantasia extraordinária nem criatividade especial; tampouco a maioria dos escritores, poetas, músicos, designers, escultores ou pintores reconhecidos revela-se portadora de algum distúrbio mental.

A imagem excessivamente utilizada e romantizada do gênio maluco desacredita em certa medida o trabalho, o caráter e o estado mental dos que lidam com arte.

E o facto de muitos artistas com enfermidades psíquicas terem recusado tratamento, no passado, talvez tenha contribuído para essa visão distorcida.

O pintor norueguês Edvard Munch (1862-1944), por exemplo, que era maníaco-depressivo, temia que uma terapia pudesse extinguir seu poder criativo. "Prefiro continuar sofrendo desses males, porque são parte de mim e de minha arte", declarou.

Sem ajuda médica, porém, corre-se o risco de que depressões e transtornos bipolares se acentuem com o tempo. Munch teve sorte: estava relativamente bem nos últimos anos de vida.

Uma declaração da escritora americana Sylvia Plath nos diz um pouco sobre o sofrimento de artistas vítimas de distúrbios psíquicos: "Quando se tem uma doença mental, ser um doente mental é tudo que se faz, o tempo todo [...] Quando eu era louca, isso era tudo que eu era". Em casa, na manhã de 11 de fevereiro de 1963, essa poeta de extremo talento, vítima de depressão grave, abriu a torneira do gás. Tinha 30 anos.

Texto de ULRICH KRAFT, médico e jornalista científico. Tradução de Sergio Tellaroli.
COREIA DO SUL:
PAIXÃO PELA EDUCAÇÃO?

Os melhores alunos do mundo! Não são sobredotados. Tiveram a sorte de estar na melhor escola do país que tem o melhor ensino básico do planeta.

Por fora, a escola não tem nada de mais: 1.300 alunos, 35 por classe. Mas, veja o que faz diferença:

A senhora Park tem mestrado em Educação, como a maioria dos professores lá. O karaoke é só um dos recursos educativos. Na sala de aula, tudo o que é preciso para educar com motivação.

São oito horas por dia na escola. Stressante? Não, é divertido, dizem eles.
Todos têm notas altas. O segredo é nunca permitir que o aluno passe um dia sem entender a lição, diz a professora.

Na Coréia, os professores precisam ter curso superior e são actualizados e avaliados a cada dois anos. Se o aluno não aprende, o professor é reprovado.

Tudo isso num país que nos anos 50 estava destruído por uma guerra civil que dividiu a Coréia ao meio, deixou um milhão de mortos e a maior parte da população na miséria. Um em cada três coreanos era analfabeto. Hoje, oito em cada dez chegam à universidade.

A mudança começou com uma lei que tornou o ensino básico prioridade. Os recursos foram concentrados nos primeiros oito anos de estudo, tornados obrigatórios e gratuitos, como são até hoje.

O ensino médio tem 50% de escolas privadas e as faculdades são todas pagas, mesmo as públicas. Bons alunos têm bolsa de estudos e o governo incentiva pesquisas estratégicas.

O facto é que logo depois da reforma da Educação, a economia da Coréia começou a crescer rápido, em média 9% ao ano durante mais de três décadas. E hoje, graças à multidão de cientistas que o país forma todos os anos, a Coréia está pronta para entrar no primeiro mundo, tendo como cartão de visitas uma incrível capacidade de inovação tecnológica. Desde a área de computação até na genética.

Nos laboratórios onde lideram pesquisas de clonagem terapêutica, nas grandes corporações que espalharam marcas coreanas no mercado mundial de electrónicos e de automóveis, aparece a revolução económica que começou em casa.

O segredo é a família, com pais comprometidos os alunos ficam motivados e os professores entusiasmados”, diz uma professora.

O governo concorda. “Os pais que não tiveram oportunidade de educação lutaram para que seus filhos tenham o melhor. É prova de amor”, diz.

Foi a paixão pela Educação que fez a Coréia crescer”, concorda o pai de quatro crianças, que como a média dos coreanos gasta 20% da renda familiar em cursos extracurriculares para reforçar o ensino.

Os filhos falam inglês com a desenvoltura que têm na música. E o casal investe bastante dinheiro em livros, comprados às dezenas. Porque testemunhou o que a educação fez pelo país.

Quando eu ia para escola, nos anos 70, muitos colegas não tinham nem o que comer”, lembra o pai.

O avô lembra que no tempo dele não tinha nem livros. Agora o que falta para a neta, de 16 anos é tempo para ficar em casa. Ela passa 15 horas por dia na escola!!

Nessa jornada, aprendem japonês, alemão. São sete idiomas à escolha. Programar computadores, estudar história. É a corrida para entrar numa das três melhores universidades do país.

Eu sinto responsabilidade para com a minha família e o meu país. Mas também porque um dia eu vou ter filhos”, diz Yong Woo, estudante.

O colega desabafa: a pressão é muito grande, principalmente para os meninos. Ela completa: “A Coréia quer homens perfeitos, esse é o problema”.

Os pais concordam. Acham que o ensino é competitivo demais, voltado para a formação de profissionais de alto nível, deixando o ser humano de lado.

No Ministério da Educação e Recursos Humanos, um responsável explica: “Os coreanos não querem ser perdedores. Por isso a educação é voltada para a economia”.

Numa sala de aula, onde as crianças de 10 anos simulam entrevistas de emprego, as paredes tem "slogans" como: “Economia forte significa um país forte” e também: “Economize um centavo, orgulhe seu país”.

As crianças acham natural. Pegam nos telemóveis “made in Coréia” para fotografar os visitantes. Riem como quem sabe que tem futuro.

Texto baseado numa notícia da Globo.com, da autoria dos jornalistas Sônia Bridi e Paulo Zero, correspondentes na Ásia.

Victor Rolfsen:
TALENTO MUSICAL APESAR DE INVISUAL

Cego desde um ano de idade devido a um cancro nos olhos, o menino brasileiro Victor Rolfsen impressiona pela sensibilidade musical e pelo puro prazer de se divertir tocando.
Com uma maneira bastante peculiar de tocar guitarra, colocando-a deitada em seu colo, Victor Rolfsen de apenas 12 anos lembra em muito o grande guitarrista canadense Jeff Healey. Ambos, cegos desde um ano de idade devido a um cancro nos olhos, impressionam pela sensibilidade musical e pelo puro prazer de se divertir tocando.
Assim como Healey, Victor começou sua trajetória musical aos três anos de idade. Segundo ele, o incentivo veio do pai que também tocava e lhe ensinou a "brincar" no teclado.
"Na verdade, acho que o Victor começou por curiosidade e vontade própria. O único incentivo que ele teve foi que ninguém atrapalhou ou duvidou", comenta Fábio Rolfsen, pai e empresário de Victor.
Tocar guitarra veio algum tempo depois, aos nove anos. O facto de colocar o instrumento deitado sobre as pernas, segundo Victor, é que essa posição é mais fácil e confortável além de ser parecida com a dos teclados.
Actualmente ele faz apresentações solo, porém tocando vários instrumentos como baixo, teclado e guitarra. Entre seus estilos favoritos estão o jazz, o blues e o rock apesar de apresentar um repertório bastante eclético que inclui diversos estilos musicais como rock, pop, jazz, blues, MPB, entre outros.
Não é difícil ouvir nas suas apresentações uma sequência de Led Zeppelin, Nando Reis, Miles Davis, George Benson, Joe Satriani, Djavan, Hermeto Paschoal, John Coltrane, Gil...
Conversando com Victor sobre seus planos para o futuro, percebemos que ele está tão envolvido com a música que parece que toca instintivamente, seja no seu quarto, seja em alguma apresentação para milhares de pessoas.
"Ele quer tocar profissionalmente cada vez mais para ganhar o seu próprio dinheiro e comprar mais e mais instrumentos, entre guitarras, teclados "top de linha" e aparelhos. Afinal, ele é extremamente exigente quanto à qualidade de som", conclui Fábio.
Victor é o mais jovem "endorser" da Giannini, uma das maiores fabricantes mundiais de guitarras e cordas. (veja a apresentação de Victor e Marcinho Eiras durante a Expomusic no link:
O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E OS SOBREDOTADOS

Muitas vezes, os pais questionam-se sobre qual a posição do Ministério da Educação relativamente aos sobredotados. Subsistem muitas dúvidas que, na verdade, são frequentemente criadas pelos próprios professores que, desconhecendo o universo da sobredotação e do talento, adoptam atitudes estranhas.

Há muitos professores, por exemplo, que resistem à sobredotação como se ela fosse uma crença e não uma realidade palpável da sociedade humana. E ao resistirem dessa forma causam problemas aos alunos com altas capacidades (intelectuais, artísticas, sociais ou desportivas) rejeitando-os, ignorando-os e não lhes dando a atenção necessária ao pleno aproveitamento das suas potencialidades.

Todavia, o Ministério da Educação tem uma postura clara sobre a matéria. E para que não fiquem dúvidas (em especial nos professores) eis o que retirámos da internet do site do ministério.

"De um modo geral, o sobredotado é visto como alguém que revela um desempenho saliente em todas as suas actividades, alguém que revela um talento especial para uma ou várias expressões artísticas (música, pintura, etc.) ou como alguém que, no domínio do seu desempenho académico, está sempre bem preparado para os exames, que é um estudante entusiasta e sem dificuldades, ou, enfim, à falta de melhor definição, alguém que possui uma inteligência superior devidamente atestada por resultados obtidos em testes de inteligência.

Visto deste modo, não haveria razão para se tomar um cuidado particular relativamente à escolarização destes alunos. Dir-se-ia que estes alunos aprendem sempre bem, sejam quais forem as circunstancias, boas ou más, que compõem o seu ambiente de estudo.

Todavia, entre os profissionais da educação, bem como na comunidade científica, sabe-se que isto não corresponde à realidade. Designadamente entre os professores, existe a convicção de que estas crianças experimentam dificuldades várias durante a sua escolaridade, pese embora a relevância das suas qualidades particulares. Por outro lado, múltiplos estudos têm demonstrado que existem crianças com potencialidades extraordinárias que passam totalmente despercebidas aos olhos dos professores e que, por vezes, são mesmo identificadas por estes como sendo alunos problemáticos, com dificuldades relacionadas com o seu comportamento nas aulas, atenção, interesse pelas tarefas escolares, desempenho social, etc.

Torna-se, portanto, necessário procurar uma definição para a sobredotação que possibilite uma intervenção educativa bem sucedida, quer no que diz respeito à criação de condições para a expressão e desenvolvimento de qualidades excepcionais, quer para a resolução de eventuais situações educativas proble-máticas relativamente a estes alunos.

(in Senos, Jorge e Diniz, Teresa (1998) CRIANÇAS E JOVENS SOBREDOTADOS - INTERVENÇÃO EDUCATIVA, Departamento de Educação Básica.)
Última actualização realizada: 20-12-2004
Para mais esclarecimentos contacte através de:
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PRODÍGIO MATEMÁTICO

Greg Smith seria um garoto como outro qualquer, não fosse autor de raras façanhas: recebeu, aos 13 anos de idade, o diploma de graduação em Matemática no Randolp-Marcon College, escola de ensino superior em Ashland, na Virginia; é presidente de uma fundação, a Youth Advocates, dedicada à defesa de jovens carentes; já esteve com Bill Clinton, Michail Gorbachev e a rainha Noor, da Jordânia, discutindo o futuro da humanidade; e foi indicado para o Nobel da Paz de 2002 – prêmio que não levou mas ao qual continua a concorrer. Greg tem agora15 anos.

Greg tem Q.I. muito acima de 200 e pertence a uma classe de sobredotados que representam apenas 0,1% da população mundial. O nível da sua inteligência equivale à de Mozart, que compunha minuetos aos 5 anos e escreveu sua primeira ópera aos 14.

Segundo a sua biografia, Greg começou a falar com apenas dois meses de idade. Quando completou 1 ano, já resolvia problemas de álgebra e memorizava o conteúdo de livros volumosos – tinha na cabeça a colecção inteira de Júlio Verne. Aos 2, decidiu, por conta própria, abandonar as comidas do McDonald´s: tornou-se vegetariano.

Aos 5, terminou a escola e era capaz de falar de tudo sobre a Terra – da sua pré-história aos dias actuais. Tornou-se numa estrela: capa do The Times Magazine, manchete do New York Times e do Washington Post. Foi lançado por David Letterman e Oprah Winfrey, anfitriões de dois dos programas de maior audiência nos Estados Unidos Oprah é visto em Portugal através da SIC).

"Nunca vi um caso como esse em 40 anos de profissão", disse recentemente à ABC News Linda Silverman, directora do Centro de Desenvolvimento de Sobredotados, de Denver, no Estado do Colorado (Estados Unidos).


O próximo alvo acadêmico de Greg é o doutoramento – em Matemática, Biomedicina, Engenharia Espacial e Ciência Política. Para o futuro, duas pretensões: primeiro, fazer carreira na diplomacia internacional e depois sentar na cadeira que hoje é de George W. Bush. "Na presidência, poderei trabalhar muito pelo meu país e pelos pobres de todo o mundo", garante.

Algum problema em ser assim? Para o próprio Greg nenhum. Muito menos ainda para os pais, o casal Robert e Janeth Smith, que passaram a dirigir a sua vida "de estrela". Eles chegam a cobrar 10 mil dólares para Greg fazer uma palestra sobre suas actividades educacionais e filantrópicas. Bem ao jeito americano.

SOBREDOTADOS E SEUS PROBLEMAS

Crianças e jovens sobredotados podem, pela natureza da sua personalidade ou das suas altas capacidades, criar alguns problemas muito concretos.

Algumas situações podem apresentar-se muito severas e precipitarem crises existenciais. Vejamos, sucintamente, alguns exemplos.

Perfeccionismo
Algumas crianças sobredotadas tendem a ser crianças-modelo, muitas vezes por culpa de uma educação severa de pais autoritários, exigentes e ambiciosos.
Durante a infância estas crianças vivem em ambientes familiares onde as vozes moralizantes predominam.
Elas tornam-se perfeccionistas para agradar aos pais e uma parte do seu "eu" é submisso. Por conseguinte, sofrem frequentemente de ansiedade e medos.
Os sobredotados perfeccionistas têm como seu principal dilema a busca constante da perfeição e da aprovação. O seu mecanismo de reacção chama-se "controle de reacção", o qual se traduz por um processo de auto-censura rigoroso.

Criatividade não compreendida
Contrariamente às perfeccionistas, as altamente criativas podem revelar-se anárquicas e desorganizadas. Tendem a abordar os problemas ao acaso, são desleixadas e o insucesso escolar é frequente entre elas.
Elas têm dificuldade em seguir as regras e as normas, revoltam-se contra a "autoridade" estabelecida e, por isso, são vítimas de "perseguição" de certas pessoas que com elas convivem, em especial alguns professores menos preparados para lidarem com este tipo de crianças.

Elas não são crianças hostis mas podem tornar-se, por vezes, irritantemente divergentes e insólitas nas suas actuações e comportamentos.
Os seus impulsos criativos podem gerar inesperadas reacções por não serem facilmente aceites em ambientes conservadores.

Impulsividade desgastante
Os sobredotados impulsivos podem ser hiperactivos e apresentarem défice de atenção. Para certas correntes psicanaliticas, a impulsividade é gerada por um desenvolvimento insuficiente do "ego" ou por carências afectivas profundas.
Seja como for, as impulsivas respondem e agem de forma inesperada e rápida mostrando-se incapazes de controlar a sua necessidade de agir imediatamente.
Quando são do tipo "empreendedor", esta impulsividade leva-as a não gostar de perder tempo. Mostram-se decididas e auto-confiantes. Quando são do tipo "aventureiro", a impulsividade está relacionada com a energia que as move. São práticas, activas e gostam de correr riscos.

Hipersensibilidade
A elevada inteligência das crianças sobredotadas fornece-lhes um apurado sentido crítico da realidade que as envolve, uma visão aguda dos problemas e uma quase clarividência sobre o desenrolar dos acontecimentos da vida.
A sua susceptibilidade perante a incompreensão e as atitudes de rejeição por parte dos outros empurra-as para problemas afectivos vários que podem ir até à depressão e ao isolamento.
Nem sempre são compreendidas, muitos colegas rejeitam-nas e insultam-nas por revelarem interesses por vezes incomuns na sua idade.

Isolamento social
Quando o Q.I. ascende a mais de 150 as crianças tendem a isolar-se e a sofrerem dificuldades de relacionamento. Não conseguem misturar-se com os colegas pois os seus interesses ultrapassam as vulgares brincadeiras e preferem ler, falar de assuntos académicos, investigar e estudar.
Tendem então a ser muito selectivas na escolha das amizades e preferem os mais velhos pois esperam encontrar neles a atenção que os mais novos não conseguem dar-lhes.
As sobredotadas para a liderança são as que menos problemas desta natureza encontram pois uma das suas maiores virtudes é precisamente o cultivo de relações sociais variadas.

CRIANÇAS QUE SÃO PRODÍGIOS

Antes de mais, o que quer dizer prodígio? Segundo a maioria dos dicionários significa pessoa extraordinária pelos seus talentos!

O conceito de prodígio, na linguagem popular, é sinónimo de maravilhoso, espantoso e até sobrenatural. Uma criança prodígio é geralmente aquela que nos maravilha com o seu talento ou a sua virtuosidade em algum campo muito restricto de actividade (música, escrita, desporto, etc).

Para a investigadora Ellen Winner, uma criança prodígio "é simplesmente uma versão mais extrema de uma criança com sobredotação, uma criança tão sobredotada que actua em algum domínio com o nível de um adulto".

Não faltam exemplos na história da Humanidade: Mozart e Rossini que já criavam composições musicais inéditas na infância; Reshevsky e Capablanca, no xadrez; Gaus que aos 10 anos elaborou a teoria dos chamados números primos e as séries algébricas, etc, etc.

Apesar da precocidade e da deslumbrante capacidade de execução das crianças-prodígio também sucede que nem sempre elas são capazes de manter o seu nivel na vida adulta remetendo-se para um vida de anonimato e vulgaridade.

Normalmente esta situação deve-se a factores tão diversos como a falta de incentivo, de apoio ou de oportunidade. Muitas vezes a família não vê qualquer interesse na capacidade da criança e é a primeira a desinteressar-se. Às vezes a família não consegue oferecer-lhe as condições de que ela necessita para exprimir a sua "arte". Outras vezes é a escola que vai a pouco e pouco retirando espaço de manobra à criança talentosa.

Quantos prodígios se têm perdido ao longo da História? Muitos, certamente.
APOIO AO SOBREDOTADO NA ESCOLA

O talento na escola exibe e explicita nos estudantes a capacidade de entender e aprender. Todos os professores agradecem a chegada de crianças talentosas pois as suas actividades intelectuais coincidem com o plano de desenvolvimento curricular previsto. Mas em algumas oportunidades existem alguns alunos cujas condições excepcionais provocam incertezas e também dificuldades na tarefa do ensino. Neste contexto, muitos dos alunos sobredotados e talentosos não identificados são “catalogados” como imaturos socialmente e emocionalmente.

Assim, tem-se constatado que uma educação que não se esforce por se adaptar a tais condições pessoais pode provocar desinteresse pelos estudos e desmotivação geral já que os procedimentos pedagógicos utilizados na aula geralmente não são os adequados à rapidez de raciocínio e capacidade de abstração destes alunos.

No entanto, ante estes questionamentos vale perguntar-se: - o que entendemos quando mencionamos os sujeitos sobredotados e talentosos?

A “sobredotação” é uma capacidade geral composta de factores intelectuais significativamente mais altos que o grupo médio e o “talento” é considerado como uma capacidade particular em um determinado aspecto cognitivo ou destreza condutual. A estas características somam-se factores não intelectuais (dedicação, força pessoal, vontade de fazer sacrifícios) e factores ambientais (ressonância positiva familiar e escolar).

As potencialidades destas crianças podem declinar se carecerem de apoio cultural e familiar já que ambos são factores decisivos para seu desenvolvimento integral.

O ambiente cultural em relação à escola deve proporcionar uma educação na qual se desenvolvam as habilidades próprias de cada criança e o ambiente familiar deve favorecer um clima de apoio social e emocional.

Conhecendo esta realidade, devemos assumir o desafio de construir uma educação diferente, encaminhada à flexibilização e intervenção escolar destas crianças e jovens através de:
- enriquecimento que pode ser curricular e/ou extracurricular, contemplando atividades elaboradas para ampliar e desenvolver o conhecimento, a compreensão, os processos, as habilidades, os interesses, etc., além do programa nuclear do sistema educativo;
- aceleração, onde o estudante possa avançar em um ou vários cursos que lhe ofereçam um contexto curricular apropriado às suas capacidades, tendo em conta a idade mental e não a cronológica;
- a integração, que pretende satisfazer as necessidades intelectuais, sociais, físicas, e emocionais em aulas regulares, com colegas de idades similares sem maiores necessidades educativas, junto com materiais de apoio apropriados, e outras formas de intervenção como a agrupação que reúne os estudantes de acordo com suas capacidades, oferecendo programas educativos adequados ao seu nível; e
- a educação no lar (homeschooling) usada directamente pelas famílias para educar seus filhos fora do ambiente escolar.

Na maioria dos países as crianças sobredotadas encontram-se dentro de um sistema educativo que não contempla a sua atenção. Por isso existe a necessidade da formação profissional especializada para os educadores a fim de poder atender as demandas relacionadas com procedimentos e instrumentos de identificação, avaliação e intervenção (procedimentos condutuais, cognitivos e psico-sociais mais eficazes neste tipo de população), assim como o assessoramento psico-pedagógico que a escola deve proporcionar à família.

Silvia V. Gallegos (adaptado)
Docente Investigador do Instituto Universitário da Ibero-América para o Desenvolvimento do Talento e da Criatividade. Universidade Técnica Particular de Loja. Coordenadora da Unidade de Desenvolvimento do Pensamento.
PROBLEMAS DOS SOBREDOTADOS NA ESCOLA

Um número considerável de crianças sobredotadas são descobertas na escola. A escola é a área da vida onde o sobredotado pode apresentar o melhor ajuste ou o pior desajuste. Tanto a sua capacidade superior pode ajudar-lhe nos estudos e contribuir para um desempenho excepcionalmente bom, como a mesma capacidade pode levar ao tédio, aborrecimento ou rebeldia capazes de provocar desempenho insatisfatório.
Além disso, as dificuldades tendem a surgir devido ao facto do sobredotado ser um indivíduo excepcionalmente inteligente mergulhado num mundo de pessoas com intelecto médio - facto este que pode gerar uma série de dificuldades de adaptação.
Por exemplo, o aproveitamento do tempo: uma criança de Q.I. 140 aproveita apenas 50% de uma aula comum, sendo o resto, para ela, desinteressante; e uma criança com um Q.I. 170 (muito sobredotada) práticamente nada aproveita das aulas normais.
Temos também a hostilidade dos colegas. Alguns autores ressaltam que uma criança sobredotada é frequentemente encarada como uma ameaça pelos companheiros, pois, ela pode fazer com que os padrões de trabalho da turma passem a ser mais rigorosos e o professor passe a esperar mais de seus alunos. Além disso, as crianças de Q.I. médio não se sentem confortáveis quando junto a uma criança muito "inteligente", porque parecem "estúpidas" quando comparadas com essa última.
O comportamento entre os alunos pode também ser fonte de conflitos. Para o nosso estudo, pode-se dividir os estudantes em três categorias: os líderes sociais, os conformistas estudiosos e os intelectuais criativos.
Os alunos criativos não apresentam preocupação com suas notas. Enquanto os outros estudantes se preparam para as provas, os intelectuais criativos podem estar a ler um texto científico universitário, um livro de filosofia ou mesmo revistas de ficção científica, ou então envolvem-se em actividades que não têm qualquer influência no seu rendimento escolar. Como resultado, eles obtêm as piores notas, mas, graças à sua leitura ampla, variada e automotivada, o seu desempenho em testes de conhecimento académico é melhor do que o dos estudiosos e os líderes sociais.

UM GRANDE DESAFIO PARA OS PROFESSORES

O professor, em geral, aprecia na criança três características: habilidade académica, alta motivação e conformismo social. De uma forma ou outra, essa criança agrada a pais e professores, seu trabalho será apreciado por todos e na escola terá maior capacidade de tolerância que as demais. Assim, é de se supor que as crianças que fogem a tais moldes (como é o caso da esmagadora maioria dos sobredotados) tornem-se insatisfeitas e frustradas e desapontem pais e professores.
Parece ser mais ou menos disseminada a idéia segundo a qual, por uma espécie de milagre, o sobredotado em alguma aptidão ou talento encontrará meios de desenvolver ao máximo suas potencialidades mesmo submetido aos mesmos procedimentos, esquemas, rítmos de aprendizagem e ensino e a seus companheiros menos dotados. Não é raro que a criança sobredotada seja até hostilizada, directa ou indirectamente, por professores que constatam que ela já sabe tudo quanto lhe pretendem ensinar ou que domina, em poucos dias, o que os companheiros de classe levam semanas ou meses. Noutras ocasiões, supõe-se que "ela sabe mais, aprende demais, então pode-se deixá-la entregue à sua própria sorte".
Como consequência, o sobredotado muitas vezes acomoda-se, já que os desafios propostos pela escola estão muito abaixo da sua capacidade, produzindo muito menos do que é capaz simplesmente por estar desestimulado. Por outras palavras, o seu desenvolvimento é bloqueado e, caso não conte com pais que o estimulem e pessoas que o persuadam a, por si só, empenhar-se mais a fundo, fora da escola, no mundo dos conhecimentos e das práticas correspondentes à sua dotação, o sobredotado procurará realizar rápidamente os deveres escolares e desperdiçar a quase totalidade do seu tempo em simples recreação inconsequente.
É comum haver falta de motivação para a aprendizagem escolar devido à existência de muitos outros interesses e a atitudes de professores que podem prejudicar ao desenvolvimento do sobredotado.
Comentários como "tal aluno deve tirar boas notas porque é inteligente" e outros do gênero fazem com que o sobredotado abdique e desista de seus talentos e aptidões, uma vez que, por tê-los, tem mais preocupações e obrigações do que os outros colegas.
Os professores, por constatarem que tal aluno é mais inteligente ou talentoso do que os seus colegas de classe, frequentemente, passam a exibí-lo ou a protegê-lo, distinguindo-o dos demais e prejudicando suas relações com os colegas, os quais passam a rejeitá-lo.
Por vezes, o professor se identifica com o sobredotado e projecta nele suas aspirações e desejos, sendo a imagem daquele que gostaria de ter sido, do filho idealizado ou do indivíduo superior.
Entretanto, pode também não aceitá-lo, desenvolvendo atitudes de antagonismo e oposição permanentes.Professores que tiveram alunos brilhantes geralmente têm prazer em contar, mais tarde, sua experiência; embora no ensino tenham tido dúvidas se tais crianças eram realmente sobredotadas, ou problemáticas, diferentes, estranhas.
Muito raramente o professor é tão talentoso como seu aluno em sua área específica, e não tem tanta imaginação nem criatividade quanto ele.
O aluno sobredotado é curioso, inquisidor, instável e, por vezes, irritado e agressivo, exigindo muito da pessoa do professor. Nem sempre ele (o professor) está psicológicamente preparado para enfrentá-lo e, portanto, sente-se inseguro, inferiorizado e perseguido, porquanto aquele é o aluno que sabe mais, que faz perguntas difíceis e que abala seu status de saber e de autoridade.
Muitos professores competem com seus alunos sobredotados e não admitem que estes últimos saibam mais do que eles ou que possam ter idéias mais criativas ou originais.
Na verdade, os alunos sobredotados são diferentes dos demais em diversos aspectos. Eles aprendem com maior facilidade e rapidez, sentem uma necessidade quase compulsiva de fazer as coisas à sua própria maneira, são extremamente exigentes com os seus educadores, tem várias áreas de interesse intelectual, muitas vezes são academicamente superiores a colegas e professores, e são vistos como diferentes pelos demais alunos.
Sendo as suas necessidades e características psicológicas relevantemente diferentes das dos alunos em geral, estes alunos precisam de um atendimento educacional também diferenciado, ou seja, preparado para dar-lhes o tratamento adequado.

Fontes: SAPIENS (adaptado) e Instituto da Inteligência
AUTISTAS COM TALENTOS INVULGARES

O autismo pode manifestar-se antes dos 3 anos de idade e caracteriza-se por um atraso ou um funcionamento anormal na interacção social, na linguagem ou no jogo simbólico ou imaginativo. Cerca de uma em cada mil crianças sofre desta doença do neurodesenvolvimento.
As crianças autistas podem apresentar uma ampla gama de sintomas comportamentais que incluem hiperactividade, redução do campo da atenção, impulsividade, agressividade e comportamentos auto-agressivos e birras, principalmente nas crianças mais jovens.
Na maioria dos casos (75%), as crianças autistas revelam um défice de inteligência. Curiosamente, cerca de 10% dos autistas manifestam o chamado síndrome savant.
Os savants têm um talento específico mesmo quando tudo o resto se mantem prejudicado. Geralmente, esse talento manifesta-se no desenho e na pintura realista, na música (em geral, o piano), no cálculo mental (extraordinariamente rápido) e no chamado "cálculo do calendário". Mais raramente, surgem, casos de savants com grande facilidade de aprendizagem de línguas estrangeiras e outros com espantosa habilidade mecânica.
Uma das características mais interessantes dos savants é a sua espantosa memória. São conhecidos casos de indivíduos que, embora com uma débil inteligência, são capazes de fixar milhares de informações, especialmente nomes e números.
Alguns savants (cerca de uma centena em todo o mundo), são considerados prodígios numa área muito restricta. É muito conhecido o caso do francês Giles Trehin, já adulto, que gere na internet um site onde somos convidados a uma viagem guiada a Urville - uma cidade puramente imaginária que ele criou há alguns anos e que tem vindo a desenvolver constantemente.
Em criança foi-lhe detectado um autismo muito severo mas com grande talento para o desenho. Esteve em Lisboa, num congresso médico, em Novembro de 2003, onde confessou que teve paixões muito rápidas e intensas por aviões e por arranha-céus quando ainda era criança.
Um dia inventou uma cidade do século XII. A partir do primeiro desenho continuou a acrescentar casas e ruas à medida que a história da cidade ia evoluindo. Assim, existe uma zona antiga e zonas modernas já do século XX como se aquela cidade tivesse uma história de crescimento real. Além disso, Giles inventou todo a história social, económica e cultural da cidade.
Actualmente, Giles viaja pelo mundo a mostrar os desenhos da sua cidade, a qual pode também ser vista na internet em www.urville.com (não deixe de visitar este site).
Há muitos outros prodígios . Cita-se frequentemente o nome de Leslie Lemke que se tornou num músico virtuoso embora seja cego e sofra de parilisia cerebral. Aos 14 anos de idade, e logo à primeira tentativa, memorizou o Concerto nr.1 para piano de Tchaikovsky ouvindo-o pela televisão. Desde esse momento, foi capaz de o tocar na maior perfeição repetidas vezes em espectáculos públicos.
Richard Wawro´s, outro autista famoso, tornou-se artista plástico, com obras vendidas ao Vaticano e ao Governo inglês. Foi considerado pela crítica como um fenómeno incrível que reúne a precisão mecânica à visão poética.
Kim Peek é outro exemplo invulgar. O seu talento reside na espantosa capacidade de memória. Até recentemente fixou integralmente 7.600 livros e é capaz de dizer os nomes de todas as auto-estradas americanas, códigos postais e canais de televisão dos Estados Unidos. Foi este homem que inspirou a personagem de Raymond Babbit, interpretada por Dustin Hoffman (ver foto acima) no filme Rain Man ("Encontro de Irmãos").
Finalmente, recordemos "Blind Tom", um autista que viveu entre 1849 e 1908 e que foi considerado a "oitava maravilha do mundo". Ficou na história por ser capaz de tocar mais de 7 mil peças de piano embora não fosse capaz de falar mais de 100 palavras.

SAIBA COMO SE AVALIA UM SOBREDOTADO

Uma criança sobredotada destaca-se por um conjunto de características. Ela revela-se nas suas capacidades, habilidades e talentos.

Frequentemente são os pais que se apercebem cedo dessas potencialidades. Algumas vezes, são os professores e pessoas da família. O elevado aproveitamento escolar também pode ser um bom indício mas não é tudo.

Há também crianças que em tudo parecem ser "normais" mas que se destacam num particular talento: na pintura, na música, no desporto ou nas artes de representação.

No Instituto da Inteligência estão estabelecidos certos procedimentos para uma avaliação rigorosa do potencial desta crianças. O trabalho inclui um estudo de cada caso que pode incluir a solicitação de documentos de escolas (por exemplo, escola de música, do clube desportivo onde ande, etc), a observação e análise de provas (desenhos, trabalhos manuais, textos escritos pela criança, etc), etc.

A criança é depois avaliada nas suas capacidades cognitivas e comportamentais: os testes incluem provas de percepção, atenção, memória, destreza mental, identificação do estilo cognitivo, nível das habilidades criativa, analítica e execução, aptidões sociais e controlo emocional. Pode incluir também a elaboração do perfil da sua personalidade.

Observados os resultados, é feito um relatório em que, através de gráficos, se descreve o perfil cognitivo e psicológico da criança com o máximo de detalhes possíveis.

Aos pais são fornecidos conselhos e pistas que ajudem na educação da criança podendo essas sugestões estender-se aos professores se os pais o solicitarem.

OS 10 ERROS DA ESCOLA ACTUAL


Aumentam as horas de presença dos alunos nas escolas, aumenta o número de matérias, aumentam, na verdade, os problemas. Ou seja, mais escola, o que não significa melhor escola.

Desde 2001 que cerca de 11 mil professores já assistiram às minhas acções de formação e palestras em todo o País. E, pelo menos estes milhares, sabem o que eu penso sobre este assunto.

Urge uma escola diferente não apenas do actual modelo mas também diferente da maioria dos modelos alternativos que têm sido ensaiados um pouco por todo o Mundo e que não preveram a sociedade que iriamos construir no século XXI.

Vivemos numa época completamente diferente daquela em que a escola actual foi criada. Por causa disso, o ensino massificou-se em demasia, adensou-se, está obsoleto e não tem em conta as necessidades efectivas da sociedade contemporânea.

Não basta encher as escolas de computadores para desde logo se acreditar que a escola modernizou-se. Pode modernizar-se nos equipamentos mas continua desfasada da sociedade em que agora vivemos: uma sociedade muito complexa, ambígua, de acontecimentos efémeros, devoradora de convicções e um pouco louca.

Necessitamos de uma completa transformação dos conteúdos, das matérias, das cargas horárias e dos métodos de ensino.

A inteligência das nossas crianças está a ser castrada e é por isso que aumenta o insucesso escolar. Há uma subtil manipulação das mentes dos nossos filhos sem que os próprios professores tenham disso consciência. Até mesmo as crianças sobredotadas sentem que a escola não lhes favorece o pleno desenvolvimento das suas potencialidades.

A formação dos professores tem sido exígua, pouco humanista e assenta sobre métodos pedagógicos em geral obsoletos. Muitos professores têm-me confessado que não sabem nada sobre "inteligências múltiplas", "estilos cognitivos", "mapas mentais", "sobredotados"e tantas coisas mais que são hoje em dia fundamentais para um ensino ajustado aos novos tempos.

No modelo de escola actual, ainda muito prisioneiro da revolução industrial dos séculos XIX e XX, há numerosos erros que não hesito em destacar.

Assim, o ensino que é fornecido aos nossos filhos, assenta naquilo que eu chamo de "os 10 erros monumentais" do sistema actual:

1 - não educa para a autonomia do pensamento;
2 - inibe o pensamento criativo;
3 - institui o medo de errar;
4 - promove a submissão intelectual às crenças vigentes, incluindo as científicas;
5 - insiste num único tipo de pensamento: o lógico-matemático;
6 - exclui o aluno dos processos de construção do conhecimento;
7 - ignora as inteligências múltiplas do Homem;
8 - apela à aprendizagem pela memorização pura e simples;
9 - reforça a "autoridade" do professor como "mestre" detentor da Verdade;
10 - limita o crescimento do EU.

Para quando a coragem para iniciarmos uma verdadeira revolução educacional?

(*) Nelson Silva Lima é neuropsicólogo e director do Instituto da Inteligên
cia.
CARTA DE UM JOVEM SOBREDOTADO

Pesquisando na internet descobrimos num site da Universidade Federal do Pará (Brasil) uma carta escrita por um estudante de Biologia a propósito da sobredotação. Pelo seu conteúdo e interesse, aqui a reproduzimos:

"Fui uma criança irrequieta. Nada demais, muitas crianças entre 4 e 7 anos também são. Mas minha inquietação não era somente sair correndo por todos os lados e deixar meus pais apreensivos. Um fato me colocou diante de uma verdade que busquei, algum tempo depois, ocultar.

Aconteceu de meu pai, na seleção para uma empresa, ser submetido a um eletroencefalograma. Como ele me achava agitado demais, me submeteu ao mesmo teste. O médico deu o diagnóstico, que para meus pais poderia ser tanto uma bênção quanto uma provação: eu era superdotado.

Superdotado, que palavra engraçada. Colocava-me em uma posição privilegiada em relação às outras crianças. O que me fazia diferente era meu pensamento veloz e minha leitura ter se iniciado aos três anos. Meus pais então tomaram conhecimento do projeto da escola Vilhena Alves, que trabalhava em uma sala especial com crianças na minha situação. Conheci as “tias” e logo me enturmei com meus novos colegas.

Na escola onde estudava, um dia fui levado da minha sala na alfabetização para a sala em frente, a primeira série. Muitas mudanças acontecendo em tempo muito curto. Isso tudo era muito estranho para mim.Mas havia algo: eu era muito agressivo. Não tinha paciência em escutar. Fazia apenas aquilo que queria fazer. Uma criança mimada e cheia de vontades, que era capaz de rasgar um trabalho se não gostasse dele ou bater em um colega de classe por ele pedir um pedaço do lanche.

Isso, mais as minhas idéias pouco ortodoxas, foram o suficiente para meus colegas me taxarem de “doido”, “débil mental” e expressões do mesmo calão. Não havia um dia que eu não chegasse em casa sem me queixar das provocações ou sem descrever uma briga de que havia participado.

Ao longo do tempo, conviver com essa minha condição diferente não parecia tão bom quanto meus pais e as “tias” do Vilhena Alves me diziam. Se ser assim me causava aborrecimentos, preferia ter nascido igual aos outros.Acostumei-me a tentar parecer igual aos outros.

Era difícil; era tido como o CDF da turma. Embora alguns colegas chegassem a me perguntar se eu era superdotado, negava veementemente. Ainda assim, tirar uma nota abaixo do que eu esperava, não necessariamente baixa, me causava desespero, pois achava que meus pais iriam se decepcionar comigo; na minha cabeça, a bênção deveria ter um retorno constante, na forma de notas altas. Por isso, cheguei a chorar com uma nota abaixo das minhas expectativas.

Ser como os outros realmente era complicado. Ter um talento incomum não me ajudava a ser como os meus amigos e colegas. Por isso, por já estar entediado e não querer me sentir diferente, parei de freqüentar o Vilhena Alves.

Anos depois, com insistência das antigas “tias” e dos meus pais, que sempre me incentivaram a investir no meu talento, voltei à escola, para encontrar novas pessoas e profissionais de outros tempos. Muitos colegas já estavam com a vida traçada, portas abertas por sua condição especial. Eu acabara de entrar no ensino médio e queria estudar violão. Dito e feito: eles facilitariam minha matrícula no Conservatório Carlos Gomes (cujo teste havia me reprovado no ano anterior) e eu retornaria às aulas.

Não durei mais de um ano nas atividades do Vilhena, mas permaneci por cinco anos no Conservatório.Hoje, ao contrário do que muitas pessoas esperavam, não me tornei nem músico nem escritor.

Estou concluindo o curso de Licenciatura em Biologia e pretendo dar aulas logo que possível. Ao entrar em contato por acaso, há alguns dias, com uma revista sobre superdotação e um artigo da revista Veja sobre o mesmo assunto, relembrei o quanto lutei para esconder minha condição, sem saber o quanto é boa.

Talvez não seja tarde demais para aproveitá-la; se puder ajudar outras crianças e jovens que receberam a mesma palavra engraçada que eu quando pequeno, agora como professor ficarei mais satisfeito.

Por que escrevi isto? Para alertar pais, familiares e professores sobre a possibilidade de estarem diante de uma criança superdotada e não saberem como agir. Restringir, pode ser, mas reprimir nunca. A curiosidade destas crianças é grande; a minha era constantemente instigada pelas tias do Vilhena. Seria bom ter uma conversa com elas se houver algo de diferente com esta criança. Pode ter sido uma bênção".


Dércio Pena Duarte, estudante de Licenciatura em Biologia pela UFPA, Belém (Brasil).
ALTAS HABILIDADES FAZEM A DIFERENÇA

O sobredotado - ou ''portador de altas habilidades''- não é apenas o indíviduo com capacidade intelectual acima da média. Ele pode destacar-se por apresentar competências tão distintas quanto liderança, criatividade, memória, persistência, motivação, organização, concentração, capacidade de trabalho em grupo, talento para artes e alto rendimento em desporto.
Os vectores da persuasão identificados pelo psicólogo americano Howard Gardner passam por diferentes inteligências. Se o conceito fosse aplicado no seu tempo, um homem do futebol como Garrincha seria considerado um sobredotado - embora fosse incapaz de fazer contas simples de somar e mal conseguisse assinar o próprio nome.
A proporção de sobredotados varia entre 1% a 3% de determinada população quando se levam em conta apenas habilidades intelectuais e académicas. Essa estimativa, porém, aumenta para 15% a 30% a partir do momento em que outros factores passam a ser avaliados, segundo estudos do psicólogo Joseph Renzulli, do Research Institute for Gifted Education, da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, um dos maiores especialistas no mundo sobre o tema. ''A categoria não constitui um grupo homogêneo. Quanto mais características apresentadas em cada área, mais evidentes os indicadores de altas capacidades'', afirma.
Seis anos é a idade em que a criança apresenta os primeiros sinais de alta capacidade
''Essa confluência de habilidades é chamada de multipotencialidade'', afirma Angela Virgolim, presidente do Conselho Brasileiro para Superdotação, entidade voltada para orientação de professores, pais e alunos. ''Porém, representa mais excepção do que regra. A maioria dos superdotados se desenvolve apenas em uma área específica, como ciências, artes e desporto'', diz.
A CRIANÇA SOBREDOTADA NO MUNDO


Federação Ibero-Americana do Conselho Mundial de Crianças Sobredotadas e Talentosas
(FICOMUNDYT)

A Federação Ibero-Americana do World Council for Gifted and Talented Children é um Organismo não Governamental formado por membros de Associações Nacionais, Regionais, Universidades, Professores, Investigadores, Pais, etc., dos países de idiomas português e espanhol e daqueles com minorias dos idiomas mencionados.

O seu Contexto e Objectivos prioritários, foram apresentados oficialmente pela primeira vez no 12th World Conference de Seattle (EUA), são os seguintes:

Localização e Campo de Acção:
O Campo de Acção da Federação, compreende os países de idiomas português e espanhol e daqueles com minorias dos idiomas mencionados actuando como colaborador e acessor de vários organismos.

Objectivos da Federação:
a) Reunir os critérios dos países ibero-americanos sobre a educação do sobredotado e talentoso, a todos os níveis;
b) sensibilizar a opinião pública e a todos os Governos destes países da necessidade de dar uma resposta eficaz a esta problemática educativa;
c) criar e adaptar os instrumentos para a identificação, selecção e diagnóstico do sobredotado e talentoso ibero-americano;
d) favorecer o intercâmbio das correntes psico-pedagógicas desenvolvidas em cada país sobre o tema da dotação excepcional;
e) fomentar a investigação e o estudo científico e técnico sobre a problemática das crianças e jovens sobredotados e talentosos, tanto na sua vertente familiar e educativa assim como na própria sociedade;
f) sensibilizar, capacitar e actualizar o pessoal docente;
g) criar, dirigir e patrocinar todo o tipo de actividade educativa dedicada a estas pessoas, incluindo a preparação, formação, seguimento e actualização de profissionais encarregados da sua educação;
h) organizar conferências, colóquios, seminários, congressos, cursos e qualquer outra actividade científica, técnica ou cultural relacionada com as pessoas referidas;
i) promover trabalhos, estudos e publicações sobre os temas indicados assim como, em cada caso, a criação de um editorial dedicado à publicação dos mesmos;
j) estabelecer uma colaboração com Entidades Públicas e/ou privadas cujo interesse seja demonstrado relativamente aos objectivos da Federação.

A criança sobredotada em Porto Rico

Em Porto Rico (América Central), não há, como na maioria dos países, legislação que vise apoiar as crianças sobredotadas. O sistema educativo não promove a solução das suas necessidades educativas. A maioria dos profesores e profissionais não estão qualificados para este tipo de alunos.

Segundo a Associação de Pais de Crianças Dotadas de Porto Rico (APRENDO)as dificuldades mais significativas que os sobredotados enfrentam são de duas naturezas: educativas e socio-emocionais. Estes menores com frequência apresentam problemas vários de adaptação a um tipo de escola que não está preparada para os receber e apoiar.

A APRENDO adoptou o conceito de "dotado" em vez de sobredotado ou génio pois entende que existe um estigma social que a própria terminologia estabelece. Assim, os "dotados" são crianças que apresentam um potencial de desenvolvimento elevado numa ou mais áreas.

Considera distintos tipos de "dotação": desportiva, artística, liderança, académicas, etc. Na APRENDO todos os talentos são reconhecidos e adopta o Quociente de Inteligência de 130 como fasquia que determina a sobredotação.

Para uma população estudantil de cerca de 630 mil alunos em todo o país, a APRENDO admite que haverá uns 12 600 alunos "dotados" embora esse número possa ir até 20 000, segundo outras estimativas.

A APRENDO realiza, no próximo dia 4 de Novembro, o seu 2º Congresso sobre Educação de Crianças Dotadas.

BRASIL CRIA CENTROS DE APOIO AO SOBREDOTADO

Segundo uma notícia divulgada pelo Movimento Escola Responsável, o Ministério da Educação do Brasil vai inaugurar, ainda este ano, nas 27 unidades da Federação, centros de formação e atendimento a alunos especiais com altas habilidades, ou sobredotados. O anúncio foi feito pela titular da Secretaria de Educação Especial, Cláudia Dutra, no 2º Seminário Nacional de Formação de Gestores e Educadores do Programa Educação Inclusiva, realizado recentemente em Brasília.

Segundo Cláudia Dutra, a implantação dos centros vai permitir que alunos sobredotados recebam apoio no processo de escolarização. Há, segundo ela, a expectativa de criação, no próximo ano, de projectos de apoio aos gestores de educação especial nos estados e municípios. "Os avanços são significativos. Em 2004, o MEC produziu livro didáctico em braile e houve a modernização do parque gráfico do Instituto Benjamin Constant, que tem potencial para produzir em larga escala", disse.

A educação de alunos sobredotados foi o tema explorado por Angela Magda Rodrigues Virgolim, do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), presidente do Conselho Brasileiro para Superdotação, entidade voltada para a orientação de professores, pais e alunos sobredotados. "Precisamos de uma política educacional ampla, inteligente e voltada para as necessidades educacionais dos indivíduos", disse. "Eles precisam ter chances de se desenvolver adequadamente, de se engajar em programas especiais"

O Censo Escolar de 2004 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Brasil) identificou 316 estudantes matriculados em escolas especializadas. Outros 90 estão em classes especiais. O número de matriculados em classes comuns que têm apoio pedagógico especializado chega a 803, mas outros 797 estudantes classificados como sobredotados ou com altas habilidades estão em classes comuns e não contam com apoio pedagógico especializado.

OS SOBREDOTADOS SEGUNDO A CONSCIENCIOLOGIA

Como em muitas outras áreas da sociedade humana, a sobredotação pode ser objecto de diferentes abordagens. Por regra, a sobredotação está associada a elevada inteligência ou habilidade numa ou em várias áreas socialmente reconhecidas (ex: liderança, desporto, etc).

Desde 1982 que o investigador Howard Gardner defende a existência de 8 inteligências nos seres humanos. São elas a Lógico-Matemática, a Verbal (ou Linguística), a Espacial, a Corporal-cinestésica, a Intrapessoal, a Interpessoal, a Naturalista e a Musical. Fala-se também agora de uma outra: a Espiritual.

Sobre este tema existe alguma polémica. E também outras teorias. Por exemplo, a Conscienciologia diz que existem 11 tipos de inteligência, a saber, a Comunicativa, a Contextual, a Corporal, a Espacial, a Experimental, a Interna, a Linguística, a Lógica, a Musical, a Parapsíquica e a Pessoal.

O principal objeto de estudo da Conscienciologia é a consciência e suas diversas formas de manifestação. A consciência seria, então, o mesmo que ego, alma, espírito, essência, eu, individualidade, personalidade, pessoa, self, ser, sujeito, dentre outros termos. A consciência, para os cientologistas, é a pessoa. É também todas as pessoas que estão na vida humana e todos os seres autoconscientes das dimensões fora da vida humana.

A Conscienciologia estuda a consciência "inteira", considerando todos seus corpos, dimensões e existências, num enfoque integrado. Segundo os psicólogos que adoptam esta corrente, a consciência é a nossa realidade maior, mais do que a energia e a matéria. No seu entender, a nossa consciência não é o corpo físico nem um subproduto do cérebro humano e como resultado disso podemos manifestar nossa consciência para além do cérebro e independente de todo corpo humano.

Num trabalho publicado pela revista Cosmanálise, a investigadora Roseli Oliveira explica como, à luz da Conscienciologia, os sobredotados devem ser compreendidos.

Segundo aquela especialista, a ciência ainda não encontrou uma fórmula para medir com precisão quem é sobredotado e quem é gênio pois há diferenças de grau entre eles.E acrescenta:

"Hoje a definição mais comum para classificar sobredotados é a de que são pessoas inteligentíssimas que conseguem desenvolver habilidades acima da média em várias áreas".

E como acontece a sobredotação?

"Os seres humanos, inclusive os sobredotados, possuem cerca de 100 bilhões de neurônios. A diferença entre uma pessoa comum e outra sobredotada estaria não no número de neurônios, mas na quantidade e na complexidade das conexões cerebrais – as sinapses". - acrescenta.

Além dos factores genéticos, paragenéticos e estímulos externos da consciência, do ponto de vista da Conscienciologia, a diferença básica, fundamental do sobredotado e do gênio, está na recuperação de "extractos" de consciências (cons) do período intermissivo e de vidas passadas associados à criatividade. Segundo Roseli, é por volta do primeiro ano de vida que a criança sobredotada recupera "cons" passados, diferentemente do que acontece com as crianças "normais".

O SOBREDOTADO INTELECTUAL

A Teoria das Múltiplas Inteligências de Howard Gardner propõe que a mente humana é multifacetada, existindo várias capacidades distintas que podem receber a denominação de "inteligência". Duas dessas inteligências são particularmente importantes nas sociedades ocidentais urbanizadas, sendo elas:

Inteligência Lógico-Matemática: é a capacidade de analisar problemas com lógica, de realizar operações matemáticas e investigar questões cientificamente;
Inteligência Linguística: é a sensibilidade para a língua falada e escrita, a habilidade de aprender idiomas e a capacidade de utilizar a linguagem para atingir certos objetivos.

A importância dessas inteligências é dada de modo conjuntural, devido aos modos de produção, organização social, ferramentas culturais e estrutura de valores das comunidades em questão.

Devido ao enorme valor atribuído às aptidões acima descritas, as famosas "escalas de inteligência" criadas a partir do final do Século XIX e do início do Século XX, as quais buscavam captar uma "capacidade intelectual geral", de facto se concentravam apenas nas inteligências linguística e lógico-matemática, negligenciando outras formas de aptidão mental, tais como as inteligências musical, físico-cinestésica, espacial, interpessoal e intrapessoal. Apesar disso, permanece o facto de que aquilo que é medido através dos testes de QI efectivamente representa um conjunto importante de capacidades, particularmente nas sociedades em que mais costumam ser empregados.

Considerando todos os argumentos apresentados, chega-se à conclusão de que é válido salientar um tipo específico de sobredotação intelectual, ou seja, o destaque excepcional em habilidades linguísticas e lógico-matemáticas, sendo uma forma razoável de se aferir tais capacidades os chamados testes psicométricos ou de QI, embora isso não exclua outros procedimentos de medida. Para tanto, basta que se mantenha sempre clara e explícita a noção de que tais habilidades representam apenas um pequeno subconjunto do total das aptidões mentais humanas as quais, por motivos puramente conjunturais, assumiram um papel privilegiado nas sociedades ocidentais urbanizadas.

É também de incluir uma característica que pode fazer toda a diferença. Estamos a falar da criatividade. Criatividade é o destaque na actividade de criar, de produzir aquilo que é simultâneamente inusitado e útil. Envolve a capacidade de perceber possibilidades, tolerar ambigüidades, recombinar, pensar independentemente, planejar, julgar sem preconceitos, perceber analogias, produzir idéias em quantidade, mudar de abordagem ou ponto de vista, e de ser original. Trata-se de uma característica que, no contexto cognitivo, pode se apresentar tanto como um talento em si mesmo quanto um sabor adicional da sobredotação intelectual (in SAPIENS - Informação e Conhecimentos sobre a Superdotação Intelectual)

Um exemplo perfeito de sobredotação intelectual

Filho de um professor alemão de Filosofia, Gottfried cedo se revelou aquilo que as pessoas costumam chamar de "menino-prodígio". Aos 12 anos de idade, já se destacava por ter aprendido a chamada teoria do silogismo de Aristóteles, pesquisando os livros de seu pai.

Aos quinze anos, entrou para a Universidade de Leipzig. Cinco anos depois, completou o seu doutoramento e entrou ao serviço do governo como diplomata.

Terão sido as suas viagens à Holanda e à Inglaterra que o fizerem ingressar no estudo da matemática devido ao facto de ter convivido com grandes mestres europeus.

A sua altíssima capacidade intelectual permitiu-lhe avançar rapidamente na descoberta dos princípios fundamentais do cálculo. "No seu livro De Arte Combinatória, propôs uma abordagem radicalmente nova a uma ciência do raciocínio" - diz Keith Devlin, doutor em Filosofia da Universidade de Stanford. "Ele visionou uma espécie de alfabeto mental em que todos os pensamentos podiam ser representados como combinações adequadas de símbolos e através do qual o raciocínio seria considerado como um processo de descoberta" - conclui o doutor Devlin.

Ele antecipou a ciência dos computadores ao inventar uma máquina em 1673 capaz de um certo "raciocínio" através da manipulação de uma "linguagem" simbólica. Mas fez mais coisas que nem sempre aparecem referidas nas suas biografias: desenhou um submarino, previu alguns aspectos da teoria da relatividade de Einstein, melhorou alguns projectos de engenharia básica, promoveu um sistema de saúde pública (que incluia um serviço de bombeiros e iluminação pública) e ajudou a estabelecer o Banco Nacional Alemão. Além de tudo isto, era um apaixonado tocador de rabecão nas suas horas livres! Hoje é mais conhecido como Leibniz, filósofo e matemático. Viveu entre 1614 e 1716.

MUITO INTELIGENTES, SOBREDOTADOS E GÉNIOS

Para o Instituto da Inteligência (www.institutodainteligencia.blogspot.com) há 3 níveis de indivíduos com elevadas capacidades e talentos. Enquanto no nível 3 ficam as pessoas ditas "médias", as de nível 4 são "muito inteligentes"; as de nível 5 são "sobredotadas" e as de nível 6 "altamente sobredotadas" (ou "génios" como Einstein depois de comprovada capacidade e após muitos anos de vida e experiência).

Para a Mensa - uma organização internacional que congrega pessoas altamente capazes - pode-se definir assim as diferentes categorias:

Definição de Muito Inteligente

É geralmente aceite que "muito inteligente" (em inglês: very bright) é a pessoa que em um teste de QI reconhecido obtem um resultado superior a 95% da população em geral, ou seja, dentro dos 5% superiores. A Mensa optou por seleccionar quem está nos 2% superiores. Esse número não é totalmente arbitrário, estudos estatísticos mostram que há uma diferença mensurável de comportamento entre os 2% superiores e os 2% seguintes. Outras organizações do gênero optam por outras classificações, caso do Instituto da Inteligência como atrás se descreveu.

Definição de Sobredotado

Segundo as diretrizes básicas para a acção do Centro Nacional de Educação Especial do Brasil, são consideradas sobredotadas e talentosas as que apresentam notável desempenho e/ou elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados:

- capacidade intelectual superior
- aptidão acadêmica específica
- pensamento criador ou produtivo
- capacidade de liderança
- talento especial para artes visuais, artes dramáticas e música
- capacidade psicomotora.

Tuttle e Becker descreveram cada uma dessas áreas de superdotação:

Habilidade intelectual geral: esta categoria inclui indivíduos que demonstrem características tais como curiosidade intelectual, poder excepcional de observação, habilidades para abstrair, atitude de questionamento e habilidades de pensamento associativo. Talento acadêmico: esta área inclui os alunos que apresentam um desempenho excepcional na escola, que se saem muito bem em testes de conhecimento e que demonstram alta habilidade para as tarefas acadêmicas. Habilidades de pensamento criativo e produtivo: esta área inclui estudantes que apresentam idéias originais e que são capazes de perceber de muitas formas diferentes um determinado tópico. Liderança: inclui aqueles estudantes que emergem como os líderes sociais ou acadêmicos de um grupo. Artes visuais e cênicas: engloba os alunos que apresentam habilidades superiores para pintura, escultura, desenho, filmagem, dança, canto, teatro e para tocar instrumentos musicais. Habilidades psicomotoras: engloba aqueles estudantes que apresentam proezas atléticas, incluindo também o uso superior de habilidades motoras refinadas, necessárias para determinadas tarefas, e habilidades mecânicas. (texto retirado do livro Psicologia e Educação do Superdotado - Eunice Soriano Alencar - E.P.U. 1986)

Características dos Sobredotados

Esta é uma pequena lista de características típicas do superdotado. Existem outras características que não foram citadas, principalmente as ligadas à sobredotação artística e psicomotora, por haver menos pesquisas nestas áreas. É importante lembrar que nem todos os sobredotados apresentam todas as características citadas na lista.

Segundo Tuttle e Becker, 1983:

- é curioso;
- é persistente no empenho de satisfazer os seus interesses e questões;
- é crítico de si mesmo e dos outros;
- tem sentido de humor altamente desenvolvido;
- não é propenso a aceitar afirmações, respostas ou avaliações superficiais;
- entende com facilidade princípios gerais;
- tem facilidade em propor muitas idéias para um estímulo específico;
- é sensível a injustiças tanto no nível pessoal como no social;
- é líder em várias áreas;
- vê relações entre idéias aparentemente diversas.

Segundo Gowan e Torrance, 1971:

- Reage positivamente a elementos novos, estranhos e misteriosos de seu ambiente;
- persiste em examinar e explorar estímulos com o objetivo de conhecer melhor a respeito deles;
- gosta de investigar, faz muitas perguntas;
- apresenta uma forma original de resolver problemas, propondo muitas vezes soluções inusitadas;
- independente, individualista e auto-suficiente;
- tem grande imaginação e fantasia;
- vê relações entre objetos;
- tem sempre muitas idéias;
- prefere idéias complexas, irrita-se com a rotina;
- pode ocupar seu tempo de forma produtiva, sem ser necessária uma estimulação constante pelo professor.

Definição de Gênio

Existem duas definições em disputa pelo termo:

1. quem obtêm um resultado excepcional (na faixa superior a 180 -190) num teste determinado de QI;
2. quem consiga raciocínios e inferências tais que, somados a uma intuição também muito acima do normal, lhe permitam não somente imaginar como também formular e realizar uma obra fundamentalmente original e reconhecidamente de alto valor.
Os defensores da opção 1 acreditam ser possível medir objetivamente a genialidade enquanto os defensores da definição 2 preferem esperar por resultados práticos significativos.
A história nos mostra que muitos gênios viveram no anonimato e morreram na pobreza, talvez não tendo sido reconhecidos por estarem muito à frente do seu tempo.
Para o neuropsicólogo Nelson S. Lima, do Instituto da Inteligência, "o génio é aquele que descobre, inventa ou produz algo de novo e de grande significado e impacto para a Humanidade. Nem todas as crianças sobredotadas serão génios. Mas muitas delas contêm em si as sementes da genialidade".
Hoje em dia considera-se que para a genialidade entram em conjugação diversos factores heridários, sociais, educacionais e situacionais, uma excepcional motivação, um profundo envolvimento numa actividade e uma poderosa auto-confiança. Veja-se o caso de John Stuart Mill cuja história aparece relatada na primeira página deste magazine.

POR QUE RAZÃO OS SOBREDOTADOS REQUEREM MAIS ATENÇÃO?

Einstein teve uma infância difícil, não gostava da escola e entrou na lista dos repetentes. Outro gênio, o pintor holandês Van Gogh padeceu de desajustes psicológicos, assim como o matemático francês Pascal, que aos sete anos já fazia cálculos. Os exemplos são extremos, mas servem de alerta aos pais de crianças com talentos ou aproveitamento escolar excepcionais para sua idade e dificuldades de adaptação social. Essa combinação de sinais pode esconder a face de um sobredotado, que requer atenção e eventual acompanhamento terapêutico para que a criança com inteligência acima da média de hoje não se torne um adulto com problemas amanhã.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que 1%
da população escolar brasileira, ou 380 mil crianças, são sobredotadas. Para identificar evidências de sobredotação basta reparar nos talentos precoces. Em geral são dons específicos para a matemática, a música ou os idiomas estrangeiros. A criança aprende rápido a ler, exibe habilidade para determinado instrumento musical, ou expressão verbal mais elaborada do que a normal para sua faixa etária. É o menino que chama a atenção pela capacidade de argumentação, pela memória excepcional, a atenção e a curiosidade incomuns, o raciocínio ágil e a extrema curiosidade.

"O apoio dos pais e dos médicos é decisivo para o aproveitamento do potencial dessas crianças", diz o psicoterapeuta Cláudio Guimarães, 41 anos, que trabalha com superdotados na Unidade de Reabilitação Neuropsicológica, em São Paulo, em entrevista à revista "Isto É". Em sua opinião, a maioria dos superinteligentes tem dificuldade para aliar competência nas disciplinas escolares com boa sociabilidade.

Nos testes de inteligência, os gênios precoces costumam estar anos à frente dos colegas de classe, diz Zélia Ramozzi Chiarottino, 46 anos, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Ela aponta o adolescente Fábio Dias Moreira como exemplo. Aos 14 anos, ele conquistou 11 medalhas de ouro em olimpíadas de matemática, quatro delas em disputas internacionais. Aluno da segunda série do curso médio do Colégio PH, da Tijuca, zona norte do Rio, o filho temporão prefere estudar a ir a festas com colegas e não gosta de esportes. Sob nenhuma hipótese troca os livros de matemática por uma pelada com os colegas, mas ganhou a simpatia da turma, de quem tira todas as dúvidas de matemática.

Ainda de acordo com a notícia da "Isto É", o neuropsicólogo Daniel Fuentes, considera que "o desinteresse para com os sobredotados é tanto que, por ignorância, eles podem ser vistos como um E.T. pelos colegas e professores". Por ser diferente, ele nem sempre participa de grupos, questiona a orientação do colégio e dispensa a companhia dos amigos para estudar. "O resultado", admite Fuentes, "é a angústia e o isolamento". A maior parte dessas crianças necessita de apoio terapêutico para desenvolver com harmonia suas potencialidades. Em geral, as habilidades surgem nos primeiros anos de vida. Quem explica é Marsyl Mettrau, doutora em psicologia da educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que há 27 anos se dedica ao ensino de crianças com inteligência especial.

O excepcional desempenho escolar, o vocabulário rico e as conversas de "adulto" levaram Pedro Henrique de Souza Rendt, oito anos, a uma classe reservada a sobredotados. No segundo ciclo, ele quer ser veterinário quando crescer e adora música clássica. "Prefiro as sinfonias de Beethoven a jogar com os amigos", confessa o garoto. A professora Marsyl exibe com orgulho a evolução de Bruna Reis, sete anos, uma pretendente a actriz. "Ela era introvertida e se tornou mais aberta e comunicativa, sem perder o interesse pelos estudos", destaca.

Se há consenso entre especialistas sobre a maneira de tratar os superdotados, há divergências em relação aos testes de inteligência. Um polêmico estudo publicado no final da década de 80 pelo cientista político James Flynn, da Nova Zelândia, revelou que o quociente de inteligência (QI) medido nos testes de avaliação aumentou 25 pontos em uma geração. A dúvida é se os jovens de hoje seriam mais inteligentes que seus pais ou se os métodos de avaliação da inteligência precisam ser repensados. Outra polémica foi lançada pelo americano Howard Gardner, para quem não existe inteligência absoluta. Gardner mapeou várias formas de inteligência, entre elas a musical, a espacial, a interpessoal, a lógico-matemática, a linguística e a desportiva.

Com QI de 172 pontos, o roqueiro Roger Rocha Moreira era o primeiro da classe no Colégio Pasteur, em São Paulo. Fundador da banda Ultraje a Rigor, com um milhão de CDs vendidos, Roger é um dos associados da Mensa, a filial brasileira da organização com sede em Londres que congrega cérebros notáveis, entre eles o escritor Isaac Asimov. Para Roger, que compõe as músicas de um CD que pretende lançar em julho, o objetivo da Mensa é mostrar que ter inteligência acima da média não é como ser sorteado na loteria. "O sobredotado não é valorizado aqui. Tom Jobim tinha razão quando dizia que no Brasil o sucesso é proibido porque gera hostilidade."