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Academia de Sobredotados na revista HAPPY WOMAN

Já saiu a edição de Fevereiro 2010 da revista HAPPY WOMAN (na foto a capa de Janeiro).
Nas páginas 184 a 186 fala-se sobre crianças sobredotadas e seus problemas de integração escolar. São relatados alguns casos, com o testemenunho directo de vários pais.
O Instituto da Inteligência, uma vez mais, foi chamado a colaborar. Para quem quiser, há lá uma lista de dicas dos nossos serviços de psicologia.
As crianças sobredotadas na Europa

Entre os vários termos e definições utilizados na Europa para denominar jovens sobredotados, distinguem-se claramente duas categorias principais. Na grande maioria dos países, os termos mais comuns nas definições nacionais são “sobredotados” e “talentosos” (ou os seus equivalentes nas outras línguas), utilizados separada ou conjuntamente.

Conjuntamente, estes dois termos são empregues em 13 países e regiões. De referir, porém, que no Reino Unido (Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte) é feita uma distinção entre eles: o termo “gifted” (sobredotado) é empregue num contexto “intelectual” ou “académico”, enquanto o termo “talented” (talentoso) é mais do foro das artes e do desporto.

Certos países não utilizam estes termos, preferindo expressões como “jovem de grande capacidade potencial” (Comunidade Francófona da Bélgica), “jovens de grande capacidade” (Comunidade Flamenga da Bélgica), “crianças intelectualmente precoces” (França) ou “alunos com grandes capacidades intelectuais” (Espanha). Na Roménia, os termos utilizados nos documentos oficiais são “alunos capazes de grandes desempenhos” e “alunos com capacidades excepcionais”.

Definição da População-Alvo

Na Comunidade Francófona da Bélgica e em Espanha, foi recentemente abandonado o termo “sobredotado”. A opção por novos termos destina-se a concentrar as atenções na “educabilidade” dos alunos e na importância do meio ambiente relativamente à forma como os vários tipos de capacidade se desenvolvem.

Em três países nórdicos (Finlândia, Suécia e Noruega), não se utiliza nenhum termo específico para designar este grupo de jovens. A ausência de terminologia específica reflecte um compromisso político declarado de evitar qualquer tipo de classificação desse grupo, nomeadamente em termos de capacidade. O acento tónico é posto no potencial de desenvolvimento de todos os jovens, sem os agrupar numa categoria deste género.

A Educação de Sobredotados

Países Baixos: Utiliza-se o termo “excepcionalmente sobredotado”, mas não está registado oficialmente. Os jovens em causa são igualmente designados por “jovens com talentos especiais”.
Portugal: O termo comum é “sobredotados”, mas os documentos oficiais aludem a “alunos com capacidades excepcionais de aprendizagem.
Roménia: Os termos utilizados são “alunos capazes de elevados níveis de desempenho” e “alunos com capacidades excepcionais”.
Eslováquia: Os psicólogos distinguem entre “crianças sobredotadas” (crianças com grandes capacidades intelectuais) e “crianças talentosas” (crianças com grandes capacidades artísticas ou desportivas).
Finlândia: Utiliza-se o termo “sobredotado”, mas não está registado oficialmente. A política de educação nacional procura evitar a segregação entre grupos diferentes e promover a igualdade.
Reino Unido (ENG/WLS/NIR): São também utilizados os termos “capaz”, “muito capaz”, “mais capaz”, “excepcionalmente capaz” e “de elevada capacidade”.
Islândia: O termo é “crianças com capacidade potencial especial em determinadas áreas”.
Bulgária: O termo preferido é “criança claramente talentosa ou sobredotada”

Critérios de classificação

Nem sempre existem critérios de classificação estabelecidos. Ao todo, apenas 17 dos 30 países e regiões abrangidos têm critérios de classificação definidos. Porém, é de salientar que a maioria dos países ou regiões que utiliza os termos “sobredotados” e “talentosos” para qualificar crianças ou jovens de potencial excepcional adoptou um conjunto de critérios correspondentes.

Bélgica (BE fr): A grande capacidade potencial reflecte-se na coexistência e coordenação de todo um conjunto de factores. Os testes de aptidão e os testes de avaliação dos conhecimentos ou do desempenho, quando utilizados na prática, são apenas uma das etapas de um processo de avaliação mais abrangente de um aluno.
Alemanha: A inteligência cognitiva é encarada como o aspecto mais importante do desenvolvimento.
França: A capacidade especial de crianças não pertencentes à categoria “intelectualmente precoces” pode ser reconhecida e considerada nos domínios artístico (música e dança) e desportivo. Existem critérios e testes para identificar este tipo de capacidade.
Letónia: Os testes de aptidão ou de capacidade potencial são organizados apenas por iniciativa das próprias escolas.
Hungria: Embora sejam principalmente reconhecidas e consideradas as formas de inteligência cognitiva e artística, o debate profissional, o reconhecimento e o desenvolvimento tendem cada vez mais a incluir também formas de inteligência sociais e afectivas.

Países Baixos: Se a escola tiver uma ideia clara das necessidades e do potencial de determinados alunos, não é necessário identificar crianças com talentos especiais. De um modo geral, só se recorre a testes de diagnóstico exaustivos em caso de desacordo entre os pais e a escola em relação à capacidade de uma criança.
Eslovénia: O termo “talentosos” é aplicado mais especificamente a jovens com um aspecto particular do desenvolvimento pessoal bastante acentuado.

Avaliação

O critério mais frequente é o do desempenho em testes de aptidão ou de capacidade potencial, utilizado em 15 países ou regiões para classificar crianças ou jovens sobredotados.

A avaliação do desempenho ou dos conhecimentos (na escola ou em termos físicos ou artísticos) é utilizada em 12 países. No entanto, em quase todos os países, excepto na Letónia, Polónia e Reino Unido (Escócia), este critério é complementado por um teste de aptidão ou pela avaliação da capacidade nos vários aspectos do desenvolvimento considerados.

Cinco países que realizam testes de aptidão ou de capacidade potencial, nomeadamente a Bélgica(Comunidade Germanófona), República Checa, Alemanha, Espanha e Listenstaine, não aplicam critérios de avaliação de conhecimentos/desempenho. Por outras palavras, em muitos dos países com critérios adoptados, os jovens deverão demonstrar logo à partida níveis de desempenho excepcionais para serem incluídos na população-alvo e considerados elegíveis, nos casos aplicáveis, para a frequência de educação especial.

Em 11 países ou regiões, nomeadamente, as Comunidades Francófona e Flamenga da Bélgica, a Dinamarca, Estónia, Grécia, Itália, Chipre, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Eslováquia e Islândia, existe um termo, mas não há critérios de classificação definidos.

A maior parte dos países parece ter adoptado uma visão mais lata do conceito de inteligência, uma vez que, em 14 deles, esse conceito se aplica em simultâneo aos aspectos intelectuais, interpessoais/emocionais, físicos e artísticos do desenvolvimento. Sete países (Dinamarca, Grécia, Letónia, Polónia, Reino Unido, Islândia e Bulgária) consideram todos os aspectos, excepto os interpessoais/emocionais. Na Hungria e em Portugal, são tidos em conta os aspectos intelectuais e artísticos do desenvolvimento. Na Comunidade Flamenga da Bélgica, França e Irlanda, o conceito é encarado de uma forma mais restritiva, cingindo-se à inteligência em geral e à capacidade cognitiva. Na Alemanha, este aspecto do desenvolvimento é também o mais considerado nas referências às crianças sobredotadas. Dois países (Estónia e Luxemburgo) não mencionam especificamente as áreas de desenvolvimento.

Nos termos da legislação vigente em 10 países ou regiões, os jovens sobredotados ou talentosos são especificamente incluídos na população de jovens com necessidades educativas especiais. Noutros países, ou em algumas das suas regiões, nomeadamente na Comunidade Germanófona da Bélgica, Dinamarca, Malta, Países Baixos (no ensino primário) e Bulgária, pratica-se uma inclusão de facto. No Listenstaine, existe legislação consagrada especificamente às necessidades de alunos de acentuada capacidade potencial, embora sem os incluir na população de alunos com necessidades educativas especiais.

Em 19 países, os jovens sobredotados não estão incluídos na população de jovens com necessidades educativas especiais, embora exista um termo para estes últimos. Esta situação ocorre maioritariamente nos países nórdicos e nos novos Estados-Membros da UE.
Fonte:
Estudo EURYDICE - A Rede de Informação sobre Educação na Europa, editado pelo Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação, Ministério da Educação (Portugal).
MUITO INTELIGENTES,
SOBREDOTADOS E GÉNIOS:
AS DIFERENÇAS!


Para o Instituto da Inteligência há 3 níveis de indivíduos com elevadas capacidades e talentos. Enquanto no nível 3 ficam as pessoas ditas "médias", as de nível 4 são "muito inteligentes"; as de nível 5 são "sobredotadas" e as de nível 6 "altamente sobredotadas" (ou "génios" como Einstein depois de comprovada capacidade e após muitos anos de vida e experiência).

Para a Mensa - uma organização internacional que congrega pessoas altamente capazes - pode-se definir assim as diferentes categorias:

Definição de Muito Inteligente

É geralmente aceite que "muito inteligente" (em inglês: very bright) é a pessoa que em um teste de QI reconhecido obtem um resultado superior a 95% da população em geral, ou seja, dentro dos 5% superiores. A Mensa optou por seleccionar quem está nos 2% superiores. Esse número não é totalmente arbitrário, estudos estatísticos mostram que há uma diferença mensurável de comportamento entre os 2% superiores e os 2% seguintes. Outras organizações do gênero optam por outras classificações, caso do Instituto da Inteligência como atrás se descreveu.

Definição de Sobredotado

Segundo as diretrizes básicas para a acção do Centro Nacional de Educação Especial do Brasil, são consideradas sobredotadas e talentosas as que apresentam notável desempenho e/ou elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados:

- capacidade intelectual superior
- aptidão acadêmica específica
- pensamento criador ou produtivo
- capacidade de liderança
- talento especial para artes visuais, artes dramáticas e música
- capacidade psicomotora.

Tuttle e Becker descreveram cada uma dessas áreas de superdotação:

Habilidade intelectual geral: esta categoria inclui indivíduos que demonstrem características tais como curiosidade intelectual, poder excepcional de observação, habilidades para abstrair, atitude de questionamento e habilidades de pensamento associativo.

Talento académico: esta área inclui os alunos que apresentam um desempenho excepcional na escola, que se saem muito bem em testes de conhecimento e que demonstram alta habilidade para as tarefas acadêmicas.

Habilidades de pensamento criativo e produtivo: esta área inclui estudantes que apresentam idéias originais e que são capazes de perceber de muitas formas diferentes um determinado tópico.

Liderança: inclui aqueles estudantes que emergem como os líderes sociais ou acadêmicos de um grupo.

Artes visuais e cênicas: engloba os alunos que apresentam habilidades superiores para pintura, escultura, desenho, filmagem, dança, canto, teatro e para tocar instrumentos musicais.

Habilidades psicomotoras: engloba aqueles estudantes que apresentam proezas atléticas, incluindo também o uso superior de habilidades motoras refinadas, necessárias para determinadas tarefas, e habilidades mecânicas.
(retirado do livro Psicologia e Educação do Superdotado - Eunice Soriano Alencar - E.P.U. 1986)

Características dos Sobredotados

Esta é uma pequena lista de características típicas do superdotado. Existem outras características que não foram citadas, principalmente as ligadas à sobredotação artística e psicomotora, por haver menos pesquisas nestas áreas. É importante lembrar que nem todos os sobredotados apresentam todas as características citadas na lista.

Segundo Tuttle e Becker, 1983:

- é curioso;
- é persistente no empenho de satisfazer os seus interesses e questões;
- é crítico de si mesmo e dos outros;
- tem sentido de humor altamente desenvolvido;
- não é propenso a aceitar afirmações, respostas ou avaliações superficiais;
- entende com facilidade princípios gerais;
- tem facilidade em propor muitas idéias para um estímulo específico;
- é sensível a injustiças tanto no nível pessoal como no social;
- é líder em várias áreas;
- vê relações entre idéias aparentemente diversas.

Segundo Gowan e Torrance, 1971:

- Reage positivamente a elementos novos, estranhos e misteriosos de seu ambiente;
- persiste em examinar e explorar estímulos com o objetivo de conhecer melhor a respeito deles; - gosta de investigar, faz muitas perguntas;
- apresenta uma forma original de resolver problemas, propondo muitas vezes soluções inusitadas;
- independente, individualista e auto-suficiente;
- tem grande imaginação e fantasia;
- vê relações entre objetos;
- tem sempre muitas idéias;
- prefere idéias complexas, irrita-se com a rotina;
- pode ocupar seu tempo de forma produtiva, sem ser necessária uma estimulação constante pelo professor.

Definição de Génio

Existem duas definições em disputa pelo termo:

1. quem obtêm um resultado excepcional (na faixa superior a 180 -190) num teste determinado de QI;

2. quem consiga raciocínios e inferências tais que, somados a uma intuição também muito acima do normal, lhe permitam não somente imaginar como também formular e realizar uma obra fundamentalmente original e reconhecidamente de alto valor.

Os defensores da opção 1 acreditam ser possível medir objetivamente a genialidade enquanto os defensores da definição 2 preferem esperar por resultados práticos significativos.

A história nos mostra que muitos gênios viveram no anonimato e morreram na pobreza, talvez não tendo sido reconhecidos por estarem muito à frente do seu tempo.

Para o investigador Nelson S. Lima, do Instituto da Inteligência, "o génio é aquele que descobre, inventa ou produz algo de novo e de grande significado e impacto para a Humanidade. Nem todas as crianças sobredotadas serão génios. Mas muitas delas contêm em si as sementes da genialidade".

Hoje em dia considera-se que para a genialidade entram em conjugação diversos factores heridários, sociais, educacionais e situacionais, uma excepcional motivação, um profundo envolvimento numa actividade e uma poderosa auto-confiança.
Sobredotados avaliados
aos longo de 50 anos!
A sobredotação é estudada há quase um século!

Quem desconhece a problemática da sobredotação pensa muitas vezes que se trata de uma matéria sobre a qual os psicólogos falam de ânimo leve e apenas com base em intuições. Uma vez por outra, lendo os comentários dos leitores dos jornais on-line, deparámo-nos com críticas e insinuações que põe em causa o trabalho sério e rigoroso dos especialistas de todo o mundo que, desde há muitos anos, se debruçam sobre a sobredotação intelectual e o talento humano.
A matéria tão pouco é recente ainda que, por vezes, a comunicação social a apresente ao grande público como sendo uma novidade "científica". Daí os equívocos, as omissões e as dúvidas.
Ora os estudos mais clássicos da sobredotação intelectual têm quase 100 anos! Os primeiros remontam aos anos 20 do século passado e devem-se a L.Terman. Foi este investigador quem realizou os primeiros estudos sobre a sobredotação ao longo da vida (longitudinais).
Eis , a título de curiosidade, um resumo do que se passou. A pesquisa inicial (1925) envolveu cerca de 1500 crianças da Califórnia de ambos os sexos que haviam obtido pontuações superiores a 140 na escala psicométrica de Stanford-Binet. Ao longo dos anos seguintes o grupo foi observado por quatro vezes.
A primeira reavaliação ocorreu cinco anos depois (1930). Observou-se então uma ligeira diminuição nos valores do Q.I. mas 80% dos alunos tinham avançado nos seus estudos escolares. Completados vinte cinco anos desde a primeira avaliação foram recolhidos novos dados. Os resultados foram tornados públicos em 1947. Na generalidade, os sujeitos observados tinham tido êxito no percurso académico.
A terceira avaliação fez-se aos 35 anos após a formação do grupo. Estava-se já em 1960. Verificou-se então que 85% dos sujeitos haviam frequentado o ensino superior e destes 70% tinham concluído a sua formação. Comparado com o grupo de controlo inicial, os sobredotados tinham conseguido resultados académicos superiores. Do conjunto de todas as pessoas envolvidas no grupo inicial elas haviam publicado até ao momento mais de 2 mil artigos científicos e técnicos e escrito cerca de 60 livros de ciências e artes e cerca de 30 romances. Do grupo destacaram-se alguns inventores que, no conjunto, fizeram o registo de cerca de 230 patentes.
Em 1968, foram publicados os resultados da quarta e última avaliação do grupo. Mantinham-se em concordância com as conclusões anteriores. Feito um novo teste de Q.I. a um grupo de 115 elementos seleccionados em 1925 a pontuação média foi de 140. Em relação ao nível de sucesso obtido ao longo da vida houve uma concordância geral: a grande maioria dos sujeitos observados conseguira lograr êxito nas diferentes actividades em que se envolveram na vida adulta confirmando as previsões iniciais.
Como ter filhos mais inteligentes!
Para além do óbvio.
Não vale a pena tentarmos ignorar a verdade. O título pode parecer vulgar ou polémico (depende da perspectiva) mas a verdade é que a investigação científica prova que se pode ter filhos mais inteligentes se as mães, antes e durante a gravidez, tiverem determinados cuidados! E, depois, nos primeiros anos de vida, para além de um ambiente estimulante, é necessário oferecer algo mais às crianças.
Se a componente genética tem, sem dúvida, um peso muito importante na inteligência ela não é totalmente decisiva. Há muitos factores em jogo e a maioria depende da família e da sociedade.
Numa época agressivamente competitiva, em que a inteligência e o conhecimento são as principais riquezas das empresas e das nações, estas notícias devem merecer a atenção dos pais e das comunidades.
O sobredotado líder
e o despertar do homo sapiens holisticus

Os homens do futuro já estão instalados nos nossos filhos. Milhões de crianças brincam com computadores, navegam na internet e estabelecem laços com um mundo novo que forma uma autêntica tecnosfera em torno do planeta. Comparativamente aos pais, as crianças da Sociedade da Informação vivem de forma mais acelerada, têm acesso mais rápido ao mundo que os rodeia, vêem as coisas com um outro olhar. Elas não passaram pelas mesmas etapas dos adultos. Estes viveram as transformações do mundo de uma forma gradual. Os filhos, não.
"Tempos diferentes produzem mentes diferentes" - clamam os psicólogos sociais Don Edward Beck e Christopher Cowan. O nosso ADN psicocultural está em acelerada mutação embora desde há milhares de anos estejamos a "peregrinar de um despertar para outro, tornando-nos seres ligeiramente diferentes em cada um" - acrescentam.
Segundo outro psicólogo, Mihaly Csikszentmihaly, assistimos hoje à expansão do espaço psicológico em direcção a personalidades multifacetadas e a um planeta muito mais complicado. Enquanto a maioria das pessoas vive ainda segundo padrões de pensamento muito marcados pelos valores, ideologias, crenças e modelos de vida ligados às últimas décadas do século XX, talvez uns 0,1% dos humanos vivem já segundo um novo padrão de actividade cognitiva. São os primeiros humanos de uma nova fase de evolução: a do homo sapiens holisticus.

A superioridades dessas crianças revela-se a pouco e pouco por todo o mundo. Um dos melhores exemplos é Craig Kielburger. Em 1995, quando ainda tinha 12 anos, fundou uma organização não-governamental denominada Free The Children, destinada a lutar pelos direitos das crianças. Os seus membros, distribuidos por muitos países (45), têm entre 8 e 16 anos de idade.
Num livro publicado em 2000 pela UNESCO ("As Chaves do Futuro"), Craig escreveu que um dos objectivos da organização foi a criação de uma rede mundial de crianças e o estabelecimento de um programa internacional de ajuda à infância (até ao presente, a organização já construiu mais de 400 escolas em todo o mundo). Leia aqui a biografia de Craig.

O cientistas sociais apontam este jovem como um bom exemplo do novo homo sapiens holisticus. O espiritualista Emmanuel Saskiá diria que este novo homo sapiens é intuitivo-sintético, situando-se no terceiro nível de evolução. É muito inteligente, tanto racional como social, é sobredotado líder e luta para transformar a sociedade de consumo, neurótica e escravizante. Dedica-se ao próximo e a causas humanitárias sem qualquer interesse, sendo movido pela autêntica solidariedade. Considera-se cidadão transnacional, ultrapassou os muros dos nacionalismos e trabalha sem distinções de pessoas ou grupos em planos de longo prazo.
A urgência com que todos os povos aguardam um mundo diferente conduzido por líderes inteligentes e visionários, centrados em novos valores, capazes de nos devolverem a paz e a harmonia universais, faz-nos olhar para estas crianças e acreditar que ela talvez sejam capazes de governar as nações, as empresas e as demais instituições que sustentam a nossa sociedade de uma forma mais justa, harmoniosa e igualitária.
Veja o site da organização > Free The Children. Vídeos > Click here to view additional videos.
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O espírito humano hoje está atrasado em relação à globalização que não domina. O espírito está atrasado quanto aos problemas globais que acometem o planeta.
O ser humano do futuro deve inverter esta pretensa normalidade do atraso do espírito. Pois já não podemos permitir-nos estar atrasados. O ser humano do futuro deve, de agora em diante, estar adiantado.
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A globalização do mercado e das tecnologias, a planetarização das questões ambientais deveriam, no bom sentido, estar acompanhadas por uma consciência moral e política à altura do que está em jogo.
Philippe Quéau (UNESCO)
GERAÇÃO Y CHEGA AO MUNDO DO TRABALHO

Trabalhar com jovens é um desafio constante. Cada geração é fruto da educação que recebeu de seus pais e também da interacção com o ambiente e a sociedade. Nos últimos anos, o mundo vem passando por diversas revoluções, que alteraram profundamente o comportamento das pessoas.

O surgimento da internet e a revolução digital, por exemplo, trouxeram avanços sem precedentes. No mundo do trabalho, isso traz um desafio interessante: começam a chegar ao mercado os jovens que cresceram regidos pelos bits e bytes do mundo digital.

Chamados de geração Y, esses jovens têm menos de 30 anos e possuem características muito próprias - e o choque cultural acontece quando passam a ser comandados pelo pessoal de outras gerações.

Mais do que evitar conflitos, ter uma política de recursos humanos que entenda a geração Y pode trazer um excelente ganho de productividade. Moldados pelo imediatismo da internet, a geração Y necessita de estímulos para desafiá-la a oferecer o que tem de melhor: a ousadia, a criatividade, a facilidade para realizar tarefas múltiplas e o espírito questionador.

Algumas dessas características, inerentes no espírito dos jovens, foram levadas ao paroxismo pelo mundo contemporâneo. De um lado, seus pais, libertários da década de 60, que viveram a utopia do "é proibido proibir", estimularam ao máximo o espírito contestador dos jovens. O acesso fácil às informações, trazido pela internet, temperou o caldo de cultura.

O resultado é que, para extrair ao máximo as potencialidades dessa talentosa geração, é necessário abrir-se ao diálogo. Fazê-los entender é muito mais producente do que simplesmente mandar. Para essa geração, a hierarquia não é um argumento-fim. Sem contar a falta de formalidade desses jovens, cuja educação sempre privilegiou a individualidade - e suas manifestações.

Outra característica marcante dos jovens da geração Y é a capacidade de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo. Não surpreende mais encontrar um deles falando ao telemóvel, digitando no MSN e assistindo TV, enquanto come. Ao mesmo tempo em que isso comprova as habilidades multifacetadas necessárias para conseguir equilibrar diversas actividades, muitas vezes esse aspecto também vem junto com a dificuldade de esperar a concretização de um projeto de longo prazo.

A tendência a dispersar a concentração não é algo incomum. Para fugir dessa armadilha e buscar a maior produtividade da geração Y, uma das alternativas é, por exemplo, dividir um projecto mais longo em etapas mais curtas, com metas e prazos predeterminados, cujos resultados podem ser obtidos com maior rapidez.

Com características tão peculiares, principalmente para a geração anterior - que teve de se adaptar, à marra, às modernidades tecnológicas, e para quem o mundo digital não é o habitat natural, é compreensível que surjam dificuldades na comunicação entre eles.

No call center, por exemplo, que é provavelmente o sector da economia que mais emprega jovens, esse desafio é permanente. Mas, também, muito gratificante, pois essa nova geração induz à renovação e traz um espírito de inovação às empresas - e ambas as características são a alma da sobrevivência, no longo prazo, de qualquer negócio. As empresas precisam rever a sua formação e sistemas de avaliação de resultados, para melhor reflectir o mundo contemporâneo e os jovens que ajudarão a construir o futuro.

Texto de Alexandra Periscinoto, presidente da empresa de call center SPCOM (Brasil), que tem mais de 4 mil funcionários - a imensa maioria com menos de 30 anos.
Os jovens e o futuro
O Dr James Canton, do Institute for Global Futures, da Califórnia (empresa que estuda as tendências que marcarão o futuro da Humanidade e que tem clientes como a IBM, a Motorola, a MasterCard, etc.) propôs uma classificação muito curiosa das atitudes dos jovens face ao futuro. Teve como base uma investigação que fez, em 2002, nos Estados Unidos, envolvendo 1500 jovens com idades entre os 15 e os 20 anos.
Refere que há 4 tipos de estilos: o jovem pioneiro; o jovem activista; o jovem tradicionalista e o jovem frustado. Vejamos as características principais de cada um.

Pioneiro
Os jovens que entram nesta categoria são os líderes, os inovadores e os "exploradores" de amanhã. São os mais preparados e os mais batalhadores. São ambiciosos, têm uma visão positiva do futuro, orientam-se por objectivos, são motivados pela tecnologia e são racionalistas. A educação é a chave das suas ambições, buscam a especialização e a competência. O Dr Canton considera que a capacidade destes jovens para ter êxito é elevada.

Activista
Os Activistas são os jovens contestatários, insatisfeitos com o sistema educativo e as lideranças actuais. São mais políticos do que os Pioneiros, envolvem-se em projectos comunitários e sociais. Podem ser positivos relativamente à tecnologia. Podem evoluir para o estilo pioneiro mas se a sociedade não lhes oferecer os recursos necessários podem juntar-se às fileiras dos frustados ou tornarem-se elementos socialmente perturbadores.

Tradicionalista
Os jovens pertencentes a este grupo são mais conservadores, estão mais voltados para a família, concentram-se menos no dinheiro e mais numa vida tranquila, não muito ambiciosa. Não pretendem ser inovadores ou líderes no sentido convencional. Falta-lhes sobretudo motivação, embora possam ser tão competentes como os pioneiros.

Frustado
Neste grupo estão os jovens com dúvidas em relação ao futuro e vivem afastados das principais actividades. São pessimistas, a tecnologia não os atrai, não estão interessados em mudar as coisas, contentam-se com pouco. A razão desta atitude perante o futuro pode encontrar-se no meio cultural e educativo em que vivem. Pode também prender-se com a natureza da sua personalidade e a opções de vida.
As diferenças entre sobredotados,
talentosos, prodígios e génios!
Copyright Instituto da Inteligência, 2008
Não é preciso socorrermo-nos de métodos científicos sofisticados para percebermos que existe uma percentagem não desprezível de indivíduos que nascem dotados de algumas particularidades que os tornam, efectivamente, diferentes da maioria. No que concerne às crianças dotadas de capacidades excepcionais a questão constitui, porém, um problema científico cuja compreensão está ainda longe de alcançar-se.
Alguma terminologia tem sido usada para estes indivíduos. Podemos aqui recuperar quatro: o sobredotado; o talentoso; o prodígio e o génio. Quais as diferenças que os psicólogos detectam entre estas categorias?
O termo sobredotado aplica-se geralmente à criança que manifesta uma capacidade intelectual acima da média desde bastante cedo na vida quando comparada com outras da mesma idade e da mesma cultura. Frequentemente usa-se o Quociente de Inteligência como medida que estipula uma fronteira entre os sobredotados e os não sobredotados. Um Q.I. de 130 ou superior, demonstrado em testes específicos, determina que a criança é excepcional.
Com a aceitação da teoria das inteligências múltiplas passou a entender-se que há mais factores envolvidos na sobredotação do que apenas um elevado Q.I. A sobredotação pode então exprimir-se em áreas que não são susceptíveis de ser medidas no espaço limitado de um gabinete de psicologia. Por vezes, este entendimento mais alargado conduz a confusões com o conceito de talento.
De facto, talentoso é o indivíduo dotado de uma habilidade especial muito desenvolvida numa actividade socialmente reconhecida (de âmbito técnico, artístico, científico ou profissional). O talento para a escrita, a matemática, o desenho, a dança ou a oratória deve-se a sobredotação? A destrinça entre os dois conceitos deve ser feita para que a criança dotada possa ser devidamente apoiada no desenvolvimento das suas potencialidades. Os talentosos devem ser inseridos em escolas ou programas de ensino em que possam melhorar as suas habilidades. O talentoso excepcional é chamado de criança-prodígio.
Assim, entende-se que o prodígio é aquele que é especialmente muito talentoso para a sua idade numa área. Ele deve ser capaz de revelar talento a um nível similar ao de um adulto, dedicar-se quase obsessivamente à área de seu interesse e produzir bastante trabalho. Os prodígios são crianças excepcionalmente precoces em algum tipo de habilidade. São muito raras.
Finalmente, o génio. Os dons de um génio não se atribuem propriamente a um talento em especial mas a uma combinação afortunada de vários factores intelectuais, motivacionais e ambientais. Pode ainda acrescentar-se que o génio é um fenómeno caracterizado por um nível de rendimento excelente e criador, altamente produtivo na sua área de envolvimento. É sempre um indivíduo com uma elevada inteligência, persistência e criatividade. A classificação está apenas reservada a adultos com provas dadas de genialidade numa ou mais áreas (ciência, literatura, etc.).
Um sobredotado já nasce diferente!
Algumas pessoas acreditam que com condições favoráveis e estimulação adequada qualquer criança pode atingir algum nível de sobredotação, talento ou prodígio. Partem do princípio que um ser humano normal dispõe, ao nascer, de estruturas (biológicas e psicológicas) que o tornam susceptível de ser elevado ao nível de sobredotação através da influência do meio, o que não é verdade. Todas as crianças nascem com mais ou menos potencialidades mas algumas, por razões genéticas, estão melhor preparadas para superarem a maioria das outras mesmo quando a estas se proporcionem as mesmas condições e os mesmos estímulos.